Enquanto meu amigo Zannin conduz a pexeira pela mata das novidades e vai trazendo as referências do mais moderno aqui neste humilde espaço, eu hoje vou recorrer a uma pérola das antigas para mostrar que música nova se faz de música velha.
No bom sentido, é claro. O legal de bandas e artistas novos é justamente o que eles trazem no gosto musical e o que eles usam do antigo para temperar seu som novo e, assim, mostrar ao mundo do que eles são feitos.
E hoje eu vou falar um pouco sobre o meu disco preferido do The Who, o Who’s Next. Ele é tão sensacional e sempre se manteve tão atual que não seria exagero nenhum ele ser comparado a qualquer lançamento de hoje em dia, dado o frescor de suas idéias que permanence intacto mesmo 40 anos depois de lançado.
Pra mostrar como ele é atual, é só lembrar da versão de Behind Blue Eyes que a Limp Bizkit fez há alguns anos. OK, eu não sou o maior fã da versão, mas ela mostra que o Who é fonte de inspiração para músicos jovens de qualquer geração. Claro que isso não espanta a ninguém, afinal, uma banda que tem Pete Townshend e Keith Moon na sua formação clássica não podeira ter influenciado menos, mesmo, do que milhares de jovens mundo afora.
E se você acha que o legal do The Who era só a porralouquice do Keith Moon na hora de quebrar a bateria ou a do Pete Townshend na hora de esmigalhar a guitarra no palco, pegue o Who’s Next e relembre alguns dos motivos pelos quais esta banda é até hoje uma das mais importantes do cenário clássico do rock.
O Who’s Next mostrou pela primeira vez uma banda mais preocupada com detalhes em arranjos, e isso se deve à fissura de Townshend, na época, pelo aparecimento – e uso fortalecimento – dos sintetizadores. Não que isso signifique que o disco é um desfile de tapetes sonoros com timbres datados. Não, de jeito nenhum. Pelo contrário, os teclados aqui foram usados com sabedoria, e aparecem no disco inteiro como um ingrediente que completa a canção com aquele toque especial que faltava. E nunca como um intruso, um enxerido que só quer aparecer ofuscando o resto da banda (mal do qual padeciam quase todas as outras bandas dessa época).
E então, com esse refinamento em mente e com a criatividade a todo vapor, o The Who foi capaz de construir músicas do caliber de Baba O’ Riley, a já citada Behind Blue Eyes (cujos maneirismos vocais são praticamente uma declaracão de amor aos Beatles), We Won’t Get Fooled Again e The Song Is Over (uma “personal favourite”).
Daltrey estava em sua melhor forma, e aqui é possível sentir um grupo tocando em função do grupo, e não músicos tocando só para si próprios. É um espírito que todas as bandas deviam ter, em qualquer época, do tipo “Porra, olha o que a gente está fazendo!!!”, esbanjando orgulho e vontade de fazer algo realmente significante. E, mais do que só tendo vontade, realmente fazendo.
Ao mesmo tempo em que o disco é sutil, ele é poderoso e enérgico. É cheio de raiva e de paixão, é carregado com os mais extremos sentimentos, e ironicamente é um dos discos mais coesos de toda a história da banda.
Se você conhece, recomendo ouvir de novo. Se você ainda não conhece, recomendo ouvir agora. Tenho certeza que não vou precisar recomendar mais de uma vez, ele vai entrar pra sua discoteca básica assim como os mais novos, visionários e revolucionários discos que porventura possam ser feitos hoje.
O Who’s Next era tudo isso em 1971. E vai ser pra sempre.
28 de julho de 2010. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu realizei um dos maiores sonhos da minha vida. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu vi, ao vivo, o Sir Paul McCartney.
Foi em Cardiff, País de Gales, Reino Unido que a magia aconteceu. A cidade – que deve ter mais ou menos o tamanho de um tabuleiro do Jogo da Vida e o PIB maior do que o da America Latina inteira – amanheceu radiante naquele Sábado. “Hoje tem show do Paul McCartney aqui!” dava pra ver a empolgação nos locais. E essa empolgação se refletia nos turistas, nos comerciantes, nos funcionários da estação de trem, nos quartos esgotados dos hotéis, nos avisos dos supermercados restringindo a venda de cerveja a 4 latas, no máximo, por pessoa. Afinal, tinha que ter pra todo mundo. Tinha que ser justo com todo mundo o dia mais importante do ano no Pais de Gales.
Chegando aos portões do imponente Millenium Stadium, eu ainda não conseguia me dar conta do que estava prestes a acontecer. Vi o show de abertura dos Manic Street Preachers (bem bom, por sinal) e não conseguia compreender que em poucos instantes eu estaria frente a frente com uma das lendas vivas do rock, com uma das personalidades mais emblemáticas do século XX, com um dos responsáveis pela maior banda de todos os tempos.
E, pelo visto, eu não era o único a alimentar essa ansiedade. O estádio foi enchendo pouco a pouco e, antes das 7 da noite, já tinha todos os lugares ocupados. Civilizada e irritantemente ocupados. Não dava nem pra tentar angariar um gargalo ou uma grade. Os seguranças europeus são implacáveis. Mas graças à minha querida Daniela Mochida (a quem credito esse dia inesquecível e os registros que você vai ver abaixo), meu lugar na segunda fileira do show estava garantido. E assim, mesmo com toda a rigidez galesa, eu tive a honra e o privilégio de contemplar Sir Paul a pouquíssimos metros de distancia. E testemunhar, finalmente, o espetáculo histórico de um musico lendário.
Telão. Videozinho de abertura. Burburinho ansioso toma conta do estádio. Roadies terminando de preparar o palco. Seguranças tomando suas posições. Máquinas fotográficas aquecendo seus flashes. E o coração do Cotta avançando pela garganta.
Luzes apagam. Palco acende. Público urra.
Entra a banda. Um por um. Ouvem-se os primeiros acordes das guitarras estridentes nos P.A.s gigantescos do estádio ultramoderno. Espinhas dorsais redefinem os valores da escala Richter.
Eis que então, surge no palco, ovacionado unanimemente, Sir Paul McCartney. Sorridente, acenante, simpático como todo ídolo deveria ser. Violão em riste e microfone a postos. E o show começa com Venus and Mars, clássico dos Wings, de 1975. E imediatamente depois, Jet. E o coração do Cotta já pedindo as contas no RH.
Se você pensar friamente, é só um “velhinho” de 68 anos tocando baixo. Mas de repente você olha pro palco e vê aquele cara. Aquele cara que fez parte da banda mais influente da história, que revolucionou o comportamento da geração dos seus pais, que produziu uma das obras mais sólidas e consistentes da cultura ocidental, que fez as musicas que você cresceu ouvindo e que definiram muito do seu caráter. E aí vc repensa e se toca de que está diante do cara que fez boa parte da trilha sonora da sua vida. E parece que passa um filminho na sua cabeça (aquela história clássica, só que por um bom motivo) que te faz voltar e entender de novo o porquê de aquilo ser tão importante pra você, e justamente o porquê de você estar ali onde você está, naquele momento. E aí cai a ficha: vc está vendo o Paul McCartney, porra!
E aí ele despeja aquela enxurrada de clássicos, só pra testar o quão forte seu coração é. Ou não é. Eu me segurei bem até começar Let Me Roll It, e daí em diante foi só choradeira. Soluço, mesmo. É impossível conter a emoção, e mesmo você já sabendo de cor tudo o que ele vai tocar… Poxa, é claro que você sabe que ele vai tocar Let It Be, você sabe que ele vai tocar Band On The Run, você sabe que ele vai tocar Hey Jude. E quando toca, é incontrolável.
O que você não sabe é que ele também toca I’m Looking Through You, Dance Tonight, Ram On, Obladi Oblada, Paperback Writer, A Day In The Life e Day Tripper. E o mais legal é que você olha praquela banda irretocável, aqueles músicos jovens e cheios de gás, e olha para o Paul… e vê que o Paul tem mais gás do que todos eles juntos.
O homem tem 68 anos de idade e toca com o tesao de quem tem 25. O homem faz um show de quase 3 horas de duração e não demonstra o mínimo cansaço. Ao todo, foram 37 músicas divididas em bloco principal e dois bises. E ele canta tudo, nota por nota, de Blackbird a Helter Skelter sem perder a voz. É de dar inveja.
Aqui embaixo vc vê um curto registro de I’m Looking Through You (cujo vídeo ficou meio tremido dada a empolgação!) e Let Em In (uma das minhas preferidas da carreira solo dele e uma das surpresas mais legais do show pra mim, um puta presente).
Os registros são simbólicos e importantíssimos, e capturam um pouquinho da emoção que foi estar lá vendo esse fenômeno que é o Paul McCartney. Se desse, teríamos filmado o show inteiro. Mas não tem problema, esses outros registros já estão pra sempre gravados na minha memória e no meu coração.
Recebi agora do @cmerigo esse lance que saiu no Trabalho Sujo do Alexandre Matias. Uma brincadeira rápida sobre os destinos e caminhos que aparecem em alguns clássicos do rock.
Legal é pensar que a tabelinha pode ter uma outra leitura. Além da brincadeira que começou imediatamente ali nos comentários do post (colocando o Trem das Onze como meio de chegar a Jaçanã) podemos pensar em quanto a cabeça dos compositores é movida por escolhas e acontecimentos da vida – assim como a nossa.
Estamos sempre em busca desses deslocamentos na vida. Sem saber qual é o próximo passo. Se ele vai pra esquerda ou pra direita. Se as vezes precisamos retroceder para poder avançar.
A questão é que não queremos ficar parados. Não queremos parar nas encruzilhadas da vida. O lance é que nem sempre podemos enfrentar as escolhas. As vezes o desejado é apenas continuar, sem pensar muito pra onde se está indo e de repente só prestar atenção nas trilhas dessas viagens.
Voltando a tabelinha, eu incluiria uma participação importante:
Destination: That leads to your door How to get there: The long and winding road
E talvez esse post seja uma enorme desculpa. Faz um tempinho que travei em alguns discos e não ando conseguindo escutar muita coisa diferente, e logo, não escrevendo nada de novo aqui. Damn.
Um garoto que cresceu e “sofreu” as influências da música americana, do blues e do jazz, e que, quando jovem, usou tudo isso para ajudar a fundar a mais importante banda de rock de todos os tempos.
Não preciso gastar linhas e linhas falando da importância do Paul para a história da música popular do século XX e muito menos citando uma ou outra música. Seria chover no molhado dizer como Eleanor Rigby ou She’s Leaving Home foram músicas à frente de seu tempo e revolucionárias dentro da indústria do disco.
Mas o que me deixa mais feliz de poder estar vivo na mesma época que um Beatle (e um dos mais expressivos) é saber que o tesão que sempre motivou esse cara a fazer tudo o que ele fez ainda existe.
Hoje, Sir Paul McCartney completa 68 anos de idade. E, como pouquíssimos dinossauros do rock, ele ainda se re-inventa a cada disco novo, ainda se desafia a cada nova turné, ainda resgata a força e a vontade de inovar que sempre lhe foram caracaterísticas desde os tempos de Cavern Club.
O cara é um gigante. Um monsto (con)sagrado da música pop. Uma das maiores influências das últimas 2 gerações. Uma lenda viva da história.
Em When I’m Sixty Four, Paul se perguntava se ainda precisariam dele quando chegasse seu aniversário de 64 anos.
Pois hoje, na festa dos 68, afirmo com certeza: a música, o mundo e o rock ainda precisam – e muito – dele.
Parabéns, Sir Paul. Obrigado pelo legado que o senhor tem nos deixado há tanto tempo.
Em breve a gente se vê.
Conversando no MSN com o Zannin, fiquei sabendo de um novo vídeo da Nike que usa uma trilha feita pelo Andre 3000 do OutKast. E, curiosamente, a trilha é uma gravação dele pra divertida “All Together Now”, dos Beatles.
Claro que não é novidade dizer isso, mas acho muito do caralho como os Beatles são referência pra tudo, sempre. Poxa, os caras terminaram há 40 anos – QUARENTA!!! – e até hoje as pessoas recorrem a eles quando precisam de um gás criativo.
O mais legal desse filme da Nike é que não pegaram uma musica clichê dos Beatles. Pelo contrario, “All Together Now” é a faixa mais improvável que se poderia ter notícia. Mas, como seu próprio título sugere, ela tem tudo a ver com o clima do vídeo e traduz o espírito do esporte e das cenas.
Eu não gosto de OutKast e não tô nem aí pra esporte. Mas porra… ficou legal pracaralho!!! Assiste aí:
Segunda-feira. Começo de uma provável semana cheia. Pós-feriado e cheia de pendências. Não é fácil levantar da cama no frio e calçar seus sapatos. Mas imagine só o quanto não deve ser díficil calçar os sapatos todos os dias sabendo que você é o Paul McCartney. Acho que nunca vou conseguir chamá-lo de ex-Beatle por não acreditar que os Beatles realmente chegaram ao fim. Não chegaram né. O Rock Band tá aí para provar que ano após ano os Beatles se mantém vivos e presentes em nossas vidas.
Mas voltando aos sapatos do homem. Paul foi o cara que junto com Lennon subiram o sarrafo da música para uma altura um tanto complicada de se alcançar, mesmo 40 anos depois do dito fim da banda. Nem entro nos méritos sobre Paul ser melhor ou pior que Lennon. Acredito muito sobre a criatividade da dupla em fazer as canções mais significativas da história da música. Óbvio que não podemos esquecer do contexto, do momento, da competência e tudo mais.
Só que isso resulta em uma missão que atormenta praticamente qualquer criativo: se superar. Imagine que você e 3 amigos fizeram pouco mais do que 160 musicas em 8 anos e mudaram o jogo todo. Aí esse grupo chega ao fim, a vida retira 2 dos seus amigos de circulação, e o terceiro é meio maluquinho, arranca a sobrancelha dormindo e não cria lá muita coisa. Mas você, inquieto e curioso carrega o fardo da competência quase que sozinho por anos e anos, e não foge da briga. Lança discos variados, provocadores, criativos e justamente por ser a instituição que é, não se deixa abater por críticas e pela competição. Passa incólume e positivo por tudo e todos, e continua a nos surpreender.
Em 2005, depois do aclamado Flaming Pie, Paul volta a pensar num disco pessoal e intimista. Segue a recomendação do genial produtor dos Beatles, George Martin e chama Nigel Godrich, produtor modeno responsável por um dos grandes clássicos dos anos 2000 – OK Computer do Radiohead. Diferente do que pensamos sobre o produtor de um disco, esse cara não é aquele operador da mesa de som, cheia de botõezinhos que aparecem nos clipes. Um produtor sabe onde o disco deve chegar. Ele é o cara que avalia se está bom ou não tá, se precisa de mais músicas ou não, se o disco em si está coeso e se passa a mensagem conceitual da proposta. Por isso falo tanto sobre escutar discos inteiros e na ordem. É como assitir um filme pelo final, ou só ver cenas soltas. Não funciona. Em suma, esse cara bomba músicas de Paul McCartney se ele quiser. Esse cara pede pro Paul criar mais músicas se necessário.
Fundamental para o êxito do disco, considerado mais um pico criativo de Macca, Nigel cuidou para que o clima de todo o disco não saísse do trilho. Imagine que complicada é essa tarefa. Chegar ali e capitanear o trabalho autoral e principalmente pessoal de um dos maiores gênios da musica. O resultado são 13 músicas que te levam cuidadosamente para uma viagem a infância de Paul, desde a foto da capa do disco, clicada por Mike McCartney no jardim da casa da família, com um Paul ainda muito jovem tocando violão.
Musicalmente o disco é impecável. Letras, climas e arranjos incorrigíveis. Começando com Fine Line, que descorre sobre os caminhos que escolhemos na vida. Sobre o que é realmente importante pra nós. Sobre nossas pobres prioridades. A segunda é How Kind Of You, uma linda constatação sobre gentileza, apoio e companheirismo, acompanhada de melodia e pianos fortes. A seguinte é Jenny Wren, sobre uma cantora que perdeu suas canções quando teve seu coração partido. Toda no violão, bem marcada, propositalmente como em Blackbird mas protegida por uma suave cortina de violinos.
At the Mercy, ou simplesmente sujeito as condições do que está por vir. Um balanço sobre um amor que pode-se ganhar ou do amor que pode-se perder. Tudo ali ao acaso, em meio aos nossos dias cheios de outros problemas. Curioso pensar que no ano seguinte ao disco Paul se separaria de Heather Mills. A quinta música é Friends to go, que não fala de delivery de amigos mas ao meu ver, sobre aquele casinho escondido que ninguém deve saber.
English Tea é o meio do album, e putz… como que o cara faz uma música dessas? É uma ode ao hábito dos ingleses e faz com que melodia e jogos de palavras ganhem um novo sentido. Simples e complexo ao mesmo tempo. Isso por sinal é uma das marcas da produção do disco. Tudo muito organizado e clean. Escuta-se tudo e a atmosfera de cada música é cuidadosamente apresentada para melhor degustação.
A seguinte, um das minhas favoritas é Too Much Rain, que basicamente te diz: não faça tempestade em copo d’água. Se quiser ter uma vida tranqüila, aprenda a rir. Certain Softness segue, e num clima latino, sexy, meio bolero, e de novo de uma forma muito simples, fala sobre os detalhes que nos fascinam. Quisera eu um dia escrever sobre a suavidade dos olhos de alguém com tanta maestria.
Riding to Vanity Fair é uma reflexão sobre amizade. Sobre a decepção com alguém. Sobre tentar esquecer e deixar para trás algo que você queria tanto. E focar em você mesmo, já que é o que lhe resta. A seguinte, Follow Me, continua sobre a solidão. Dessa vez se apoiando em alguém que você pode confiar, e que segura um cartaz dizendo “me siga”. (Desculpa, mas não é sobre o twitter).
O post vai ficando grande, mas é injusto descartar algumas canções em prol do ritmo do texto. Tenho que falar de todas mesmo. Ainda bem que está no final, que normalmente traz coisa boa né.
Promise To You Girl, é uma música mais rapidinha, alegre e com todo o astral vindo do piano. Solinhos de guitarra e backing vocals que te fazem querer terminar esse disco e colocar o Let it Be pra tocar. Essa é outra bela canção que fala sobre olhar pro passado e analisar seus planos. Ele prometeu pra aquela garota que juntos eles iriam mudar um monte de coisas.
As duas finais do disco This Never Happened Before e Anyway. A primeira já traz um quê de fim de disco, mais lenta e conclusiva. Fala sobre essa coisa que nunca aconteceu antes, o amor, que devia ser assim mesmo, que não tem graça ficar só. Genial. A última, Anyway é uma bela balada saudade. Não importa mais nada. “If you love me, won’t you call me”.
Pra quem não conhece a carreira solo do Paul, tá aí um ‘must have’. Lembro do dia que o Cotta me apresentou esse disco. Inclusive me mostrou essa brincadeira com o nome do Paul que está tanto no label do cd como na sleve da edição especial.
Quando ele sugeriu o álbum, eu estava na febre do Memory Almost Full que acabava de ser lançado em 2007. Infelizmente não tinha me dado ao trabalho de conhecer os discos solos do cara. Tem muita coisa foda. E ainda tem gente que acha que o ele está morto. haha.
Vamos fazer assim então. Escute English Tea e Promise To You Girl nos playerzinhos abaixo:
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E veja (mesmo) o imperdível Chaos and Creation at Abbey Road em 7 partes do youtube nos links:
1970, 1 ano após os 3 dias de Woodstock que mudaram o mundo e a história da música, Joe Cocker, um dos mais doidos daquela época e dono de uma das minhas vozes preferidas do rock n soul, lança Mad Dogs & Englishmen, um disco duplo, ao vivo quase que integralmente de covers, e provavelmente um retrato definitivo sobre a mistura de rock n roll e soul que virou assinatura do cara.
O disco é recheado de pérolas, hoje chamadas de clássicos. Acompanhado por uma banda incrível, um enorme coral e prrovavelmente por uma quantidade incalculável de substâncias ilegais, Cocker entrega um daqueles shows que te fazem ter vontade de viajar no tempo e tomar uma breja com o cara. Essa época inclusive é marcada pela lenda dos 2 anos de blackout, onde diz-se por aí que Joe não lembra de absolutamente nada do que viveu ou fez. Hahaha. Great times!
São ínumeros os sucessos: Honky Tonk Women dos Stones, Cry Me a River, Feelin’ Alright, Let’s Go Get Stoned, O Blue Medley, com I’ll Drown in My Own Tears, When Something is Wrong With Me Baby de Isaac Hayes e I’ve Been Loving You Too Long de Otis Redding. Ainda temos Girl from the North Country de Bob Dylan, Give Peace a Chance (imortalizada pelos Beatles) e She Came in Trough the Bathroom Window de Lennon e McCartney.
Por sinal, esse é um tema que eu preciso pesquisar qualquer hora. Cocker e Beatles. São tantas versões e parcerias que provavelmente tem alguma história boa escondida por ali. A última delas em 2007, foi no Across the Universe, filme/musical que usa Beatles como guia para retratar o turbulento final dos anos 60. Cocker aparece e canta no filme em algumas ocasiões, a mais marcante delas como um mendigão maluco que canta Come Together, essa que parece ter sido feita pra voz dele.
Enfim, esse e qualquer outro disco do Cocker até o final dos anos 80 são viagens sensacionais. Bom pra deixar rolando a tarde e principalmente música boa pra esquentar o clima nuns amassos no carro. Te salva de qualquer situação onde a moça que te acompanha não esteja cedendo aos seus encantos.
Uma pena que Marjorine não esteja nesse disco, uma das minhas favoritas. Bom, fora do clima de romance e sedução, fique com Feelin’ Alright, música fodassa que já foi gravada por um monte de gente, inclusive pro fabuloso Grand Funk Railroad.
Mais um guest post. O Pedro, aquele que falou de sua conversão ao Radiohead agora fala sobre o Tears for Fears. Eu, particularmente não suporto os teclados dos anos 80, mas vamos ver se até o final do texto dele eu mudo de idéia. haha.
Tias Fofinhas e porque todos amam um final feliz.
Falar sobre qualquer banda dos anos 80 é – sempre – um assunto perigoso. Delicado, talvez. Ainda mais se tratando de uma banda “pop”, por assim dizer.
Eu sei que você provavelmente não gosta de Tears for Fears, mas eu acho que talvez você devesse dar mais uma chance. Sim, eu sei que você não aguenta mais ouvir Woman in Chains de madrugada no rádio (quem escuta rádio ainda?), e que a semelhança do Roland Orzabal com o Sidney Magal é o suficiente para acabar com a credibilidade da banda; mas falando sério, você deveria dar mais uma chance.
O Tears for Fears é uma banda capaz de criar músicas incríveis, com um apelo pop absurdo, mas ao mesmo tempo com melodias incríveis e arranjos idem. Dentro de toda aura de timbres feios dos anos 80, o TFF possuía um certo requinte ao escolher os seus (ok, Woman in Chains é exceção). Pra mim, a música deles ultrapassa o status de “ruim porém cult” que os anos 80 adquiriram – pra mim a música deles é boa, de verdade.
Vamos lá, give it a try: já assistiu Donnie Darko? Se não, vá assistir ontem. Se sim, provavelmente se lembra da bela versão de Michael Andrews & Gary Jules para uma música do TFF, Mad World e da versão original, igualmente boa (a direita):
Porém o que me leva a escrever este texto é, na verdade, o último disco da banda, lançado em 2005 após a volta de Curt Smith: Everybody Loves a Happy Ending.
Talvez este disco seja uma ótima definição da expressão “acertar a mão”. Ao invés de se valer dos clichês oitentistas e saudosistas que fizeram famosa toda a estética da banda, a dupla Orzabal & Smith resolveu simplesmente compor um disco – um ótimo disco. As vozes características, os arranjos e timbres certeiros ainda estão lá. O disco soa como uma continuação natural do último álbum da “formação original”, The Seeds of Love, cuja faixa quase-título Sowing the Seeds of Love carregava uma forte influência de Beatles. E o que encontramos em Everybody Loves a Happy Ending é exatamente esta influência, seja de forma implícita – como na faixa título – ou já bem mais “na cara” como em Who Killed Tangerine?, minha favorita do disco, que propositadamente “imita” a bateria de Come Together, sampleia A Day in the Life (fato este que ocorre novamente em Who You Are?) e finaliza com todo um clima Hey Jude.
Ouça Who Killed Tangerine:
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E talvez a música que mais traz o Tears for Fears oitentista seja a igualmente ótima Secret World.
Pra mim o Tears for Fears é a banda pop mais legal que apareceu na década de 80, e que surpreendentemente se manteve num nível de qualidade acima da média em toda sua discografia. Não digo que todos os discos são 100% sensacionais, mas isso é praticamente impossível se tratando de uma banda pop. Portanto, recomendo mais uma vez que você “limpe seus ouvidos” de qualquer pré-conceito sobre a banda e escute feliz este disco. Se gostar, parta para os outros, não vai se arrepender. Se não gostar, bem, os comentários estão aí para isso.
Certo. Esse não seria o título ideal pra falar do Foo Fighters, mas eu precisava cutucar o PG depois daquele fucking post sobre o Oasis (que eu adoro, mas que não é a melhor banda nem a pau. haha). Então, foda-se se é melhor que o Oasis (que é) e vamos então simplesmente falar sobre por que o Foo Fighters é fodaralhasso. Nessa pilha dos trabalhos do Taylor Hawkins, e também pela ReBokel que anda viciada e só fala comigo sobre isso, cabei entrando na mesma onda. E já alerto, até porque é inevitável: vou confundir várias vezes o que é o Dave Grohl e o que é o Foo Fighters.
Imagine só que você está em 1994. Aquele genial loiro ceboso, líder de um movimento que mudou a história do rock tinha acabado de estourar os miolos. Imagine que você é aquele esquisito cabeludo, sentado lá no fundo, e então decide montar uma banda. Essa seria, 15 anos depois, a salvação do rock. Calma, guardem suas pedras. Sim, Foo Fighters é provavelmente a última banda de rock de arena, daquelas viscerais e sem artifícios eletrônicos (não que eles sejam ruins). OK. Joguem as pedras agora.
Dave Grohl é um caso a parte.
1) O cara era o baterista da banda mais expressiva e transgressora dos anos 90.
2) O cara é fundador, frontman e multi-instrumentista do Foo Fighters.
3) O cara gravou a bateria de Songs For the Deaf, talvez o primeiro grande álbum dos anos 2000, e merecedor de um extenso post só pra ele.
4) Ele foi o baterista das músicas do filme AND o Diabo em Tenacious D – The Pick of Destiny, fantástico filme pra loucos viciados em rock, estrelado por Jack Black – que faz o papel de… Jack Black mesmo. haha
5) Foi baterista convidado por uma série de artistas, dentre eles: Tenacious D, QOTSA, Juliette and The Licks, Cat Power, David Bowie, Nine Inch Nails e por fim, o mais recente disco do Slash.
6) No show de gravação do DVD Live at Wembley Stadium em 2008, esses 4 putos convidaram Jimmy Page e John Paul Jones pra uma jam, e tocaram Rock n Roll e Rumble On do Led pra 80 mil pessoas, criando um clássico instantaneo pra história dos shows de rock.
7)Them Crooked MOTHERFUCKING Vultures. A união suprema de três baluartes da estragação, dos três maiores causadores de ressacas e flashbacks, da tríade da libertinagem: Dave Grohl – o animal, Josh Homme – O Evil Elvis e John Paul Jones – A freaking Zeppelin.
Se não bastasse a onipotência de Grohl, o FF é composto por mais 3 talentos, que depois de algumas mudanças no começo da banda, ficaram fixos desde 1999. Nate Mendel no baixo, Chris Shiflett na guitarra e o já super citado aqui Taylor Hawkins que além de suas peripécias com os Coattail Riders, foi o cara que gravou outro grande disco, o Jagged Little Pill da Alanis Morissette em 96. Adoro pensar na grande turma de músicos lá de fora. Se fizermos os cruzamentos de toda a cena do rock dos anos 90 e 00 vamos ver muita gente amiga por lá.
Esse disposto quarteto, conseguiu nesses 15 anos 6 ótimos álbuns de inéditas, sendo um deles duplo e incrível. Alguns registros ao vivo e uma respeitável notoriedade, já que em todo esse tempo foram raras as notícias não relacionadas a musica dos integrantes. Realmente um exemplo para esse mundo corrompido por franjas, topetes, calças coloridas, escândalos, instrumentos quebrados, hotéis destruídos, reabilitações e adultério – obviamente importantes e igualmente respeitados pra história desse gênero tão amado por esse diretor de arte boca suja que insiste em escrever. Foo Fighters é rock n roll, gelado, servido em copo de plástico. Atitude sem pose, sem excesso e com ótimos exemplos tatuados para a tradicional família americana.
Certo. Foo Fighters nesse momento já mijou na cabeça dos dois irmãos britânicos, mas agora é que vem a parte legal e mais difícil. Destacar aqui algumas das músicas fodas que eles colocaram na rua. Muito difícil mesmo. Nem vou encanar na ordem, e como escrever depende de ordem, conto com a sua abstração em não pensar na porra da ordem enquanto estiver lendo. Grato. haha. Tá. Se você for um pouquinho neurótico como eu, não vai conseguir esquecer da porra da ordem, então vamos de cronológica mesmo:
Foo Fighters (1995)
O cara mete I’ll Stick Around, que te faz pensar que os tempos de Nirvana iriam continuar, mas logo em seguida manda Big Me. Lembra aquele clipe do Mentos/Footos? Então era esse. Música bonitinha. haha.
The Colour and the Shape (1997)
Nesse momento do mundo, eu bombando o primeiro colegial e pirando em Monkey Wrench, My Hero, Everlong e Walking After You. Lembro claramente da época que a MTV passava clipes e que assistia várias vezes o cara salvar as pessoas do incêndio. Algo me diz que fiz bem em não ficar estudando. Curiosamente eu aqui procurando no Youtube pelas músicas pra linkar acabei descobrindo que os quatro destaques viraram clipes. Awesome.
There’s Nothing Left to Loose (1999)
O tempo vai passando e o número de músicas pra se falar vai aumentando. Esse disco, vá se foder né? Quantas noites fritando o Winamp do Pentiumzinho escutando Stacked Actors, Breakout, Learn to Fly, Generator, MIA… Ridiculo esse disco. A redefinição dos gritos no rock radiofônico.
One by One (2002)
Puta que pariu. Me lembro de ir na loja comprar a edição especial com DVD tosquinho de extras. Esse cd morou no meu carro boa parte daquele 2o ano da faculdade. All My Life abrindo o disco. Ainda uma das músicas mais fantásticas do FF. Grito com vontade nos ensaios do Lazy Dog, só de farra. Mas o disco é muito feliz. Times Like These, Tired of You, Halo, Lonely as You com aquele climinha de fim de filme, Overdrive – talvez o efeito que mais defina o som do FF.
In Your Honor (2005)
O duplo que dividiu as águas em 3 partes. Esse é foda de eleger. Ao invés de linkar todas, vou só embedar Best of You, que é um absurdo. Mas o disco é recheado de pérolas. In Your Honor, No Way Back, DOA, The Last Song, Free, The Deepest Blues Are Black, End Over End, Razor… foda. É tudo muito foda. Pare de ler isso aqui e vá escutar.
Echoes, Silence, Patience And Grace (2007)
Nesse gap de 2 anos eu tinha meio esquecido do FF. Tava ouvindo outras coisas. Aí um dia, um redator que trabalhava comigo me passou o link do clipe de The Pretender, naquela divulga pré-álbum. Explodiu minha cabeça. Viciei no single e aguardei muito o lançamento do disco. ESPG é o maior passo que o FF já deu. Talvez por trazer Long Road to Ruin, uma das prováveis melhores músicas da história da banda. O disco é fantástico. Let it Die, Come Alive, But Honestly e que fecha com Home, uma coisa linda.
Se teve saco de chegar até aqui, e ainda lembra do que é Oasis depois disso, vai lá escutar I Am The Walrus (essa sim da melhor banda de todos os tempos). Mas, se chegou até aqui querendo escutar Foo Fighters, fique com Long Road to Ruin e The Pretender – que o youtube fdp não deixa embedar:
Eu não era vivo na época dos Beatles. Virei fã da banda porque sou filho de beatlemaníaco que viveu a época deles. Eu “só” – e eternamente agradecido – herdei o gosto do meu pai pelos Beatles.
Acredito que boa parte das pessoas que têm pais que gostavam de Beatles na sua época tenham herdado o mesmo – ou algum – gosto pela banda. O que justifica, nesses casos, a adoração que grande massa mundial jovem manifesta pelo Fab Four.
Agora… e o resto dos jovens? Os que não têm ou tiveram pais beatlemaníacos?
Os Beatles acabaram há 40 anos.
E até hoje, milhares de pessoas passam todos os anos pela Abbey Road só para poder tirar uma foto imitando a capa do famoso disco dos Bealtes. Milhares de pessoas vão para Liverpool para visitar o Cavern Club, o lendário bar onde a maior banda da história começou. Milhares de pessoas se engalfinharam em lojas do mundo inteiro em setembro do ano passado para comprar a versão remasterizada de discos que já conheciam de cor e salteado. Milhares de artistas cantaram “Yesterday” e fizeram dela a música mais gravada da história. Milhares de pessoas ainda revivem os Beatles como se eles fossem um fenômeno da atualidade.
Pensando bem, eles – de fato – são. É só olhar ao seu redor. Eles estão no Rock Band, eles estão na parada de sucessos, eles estão na cultura popular e no subconsciente das pessoas, eles estão até na banda cover que toca no Big Brother.
Os Beatles acabaram há 40 anos.
Pensando melhor, é um erro dizer isso. Pra mim – e, aparentemente, para o planeta todo – eles não vão acabar nunca.
Mais de quatro décadas depois, os garotos de Liverpool ainda mexem com o mundo inteiro.
Rodrigo Zannin
Escuta discos inteiros e na ordem, mesmo sem tempo pra ouvir tudo o que quer. Nerd que canta, escreve, aprende a tocar guitarra e faz belos 'leiautes'.
Felipe Cotta
Pseudo-baterista, pseudo-redator, apaixonado por música. De Mozart a Massive Attack, ouço tudo que é feito com a alma.
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