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quinta-feira, 02 de setembro de 2010 | 16:18 - Por Zannin

Aqui no meio dessa tarde quente em SP, pula o ichat aqui da agência com um link que o Peèle mandou.

É um relato simples de um veterano da 2a Guerra Mundial. Aos 90 anos ele conta com detalhes os acontecimentos de uma certa noite, 2 semanas depois do Dia D, quando entrincheirado e na mesma situação que seu inimigo alemão, resolveu tocar uma música para ele.

Na cabeça do coronel Jack Leroy Tuner, o cara não era inimigo. Ele só estava com medo e sozinho como ele, e então ele resolveu tocar uma ‘love song’ pro cara.

Na manhã seguinte, no meio de alguns prisioneiros alemães que estavam sendo transferidos para a Inglaterra, um deles insistia em perguntar quem foi o responsável por tocar aquela música na madrugada anterior.

Emocionado o cara apertou a mão do inimigo e disse que não conseguia apertar mais o gatilho. Aquela música o fez lembrar de seu pai, mãe, irmãos, irmãs e noiva, lá na alemanha.

“He was no enemy, he was just scared and lonely like me”.
The power of music.

Emocionante. Assista:

 
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 20:14 - Por Zannin

Volta e meia recebemos aqui no blog email de pessoas elogiando nosso trabalho (que é feito apenas por prazer). Volta e meia recebemos amigos querendo escrever alguma coisa por aqui, e com enorme satisfação publicamos seus guest posts.

Dessa vez, um desconhecido – que talvez já possamos chamar de amigo – viu a série dos 4 posts sobre o show, se empolgou e mandou o dele. E que puta post! Um relato de alguém, que assim como nós 3 aqui do “A Day”, é apaixonado pela música e por tudo que ela traz junto dela.

Abaixo o texto integral do cara. Obrigado João Zanetti, pelo carinho do email, pelo puta texto e por compartilhar desse mindset com a gente.

(Antes de mais nada, eu não estava na mesa do pessoal dos textos anteriores, e nem participei de combinado nenhum. Mas eu também estava lá, pra mim também foi incrível, e ao ficar sabendo, hoje, da proposta, não consegui me conter. Segue aqui mais uma visão de um cara que viu o Swell Season em São Paulo e quis compartilhar a emoção.)

Eu conheci Swell Season como a maioria das pessoas conheceu até agora (por “agora” leia antes do show e da inclusão de Low Rising na trilha sonora de Passione): Pelo filme irlandês independente Once, filme esse que, olha só que coisa, minha namorada alugou porque achou a capa bonita e gostou da sinopse. E isso é compreensível, tendo em vista a divulgação zero que o filme teve aqui no Brasil – inclusive, o fato de o filme estar ali na locadora do bairro já é uma vitória.

Beleza, dvd na gaveta, play. A partir daí começa uma lista de 10 surpresas que eu acredito que quase todos os fãs tiveram durante suas trajetórias com o Swell Season:
1. “Nossa, esse cara canta muito”, quando o filme começa, na rua, com Glen cantado sozinho, sem microfone (guarde essa informação);
2. “Gente, olha o violão desse cara! Todo zoado!” (essa também);
3. “Que fofinha essa moça!”;
4. “Nossa, que músicas lindas!”;
5. “Puxa, que filme incrível!”.
Mas o bicho pegou mesmo na hora em que eu fui dar uma lida na internet sobre o que tinha acabado de ver: 6. “NOSSA! O filme é independente e eles não são atores!”;
7. “MEU DEUS eles tem uma banda!!!”.

A partir desse ponto, a paixão por Swell Season já existia no meu ser, e com o tempo não fez outra coisa senão crescer e virar amor, desses grandes, que a gente já sabe que vão durar pra sempre.

No mesmo dia eu já tinha a trilha sonora do filme, e logo ouvia o Strict Joy, o segundo álbum da carreira deles (mas primeiro creditado de fato ao grupo The Swell Season – no primeiro, que leva o nome da banda como título, o registro é apenas “Glen Hansard & Marketa Irglova”). O contato com The Frames, banda original de Glen, também foi inevitável.

De qualquer maneira, Swell Season era algo que eu tinha consantemente no meu celular e no computador, que eu ouvia muito e que eu nem imaginava ir a um show a curto prazo. Quem sabe um dia, se eu for pra Irlanda, se eles ainda estiverem na ativa, né?
8. “Eles vem pro Brasil?”
9. “EM AGOSTO???”

Com ingressos da área vip comprados com boa antecedência, eu e minha namorada fomos pra São Paulo na sexta. Já imagina, né?

10. “Nããão, ele tá fazendo isso mesmo?”, quando Glen abriu o show cantando Say It To Me Now sozinho, sem microfone (lembra disso?), com aquele violão destruído (disso também?).

Sem exagero nenhum, esse show foi um dos eventos mais emocionantes que já presenciei.
Aliás, “sem exagero nenhum” é uma expressão que casa prefeitamente com a postura do grupo, como já foi dito aqui nos textos anteriores, por tocarem e agirem de forma tão natural, por terem nada mais que a música como combustível de quaisquer reações do momento do show, das quais separo duas que me tocaram particularmente:

- A reação singela de Marketa ao retirar sua postura ao piano, virando-se e cruzando as pernas, esperando primeiramente Glen terminar o que foi quase um stand up sobre o trânsito paulistano e suas Hondas (que é como ele se referia às motos), e depois o resto da banda acabar de improvisar uma música sobre as próprias Hondas, com direito a uma egraçadíssima coreografia do cantor. O legal, ao olhar para a cantora tcheca, era ver sua expressão paciente e divertida de quem diz “ah, esses meninos que não crescem nunca, viu…”;

- A reação explosiva de Glen durante uma música solo, desplugando furiosamente o violão do equipamento que estava com problemas e indo à frente do palco cantar ao melhor estilo Busking, só que pra um HSBC Brasil inteiro, a principio tomado pelo burburinho mas logo depois maravilhosamente calado em respeito a quem eu acredito que possa ser o melhor cantor da atualidade. Calado por fora, mas certamente em êxstase interno por estar vivendo aquilo, como eu fiquei. Pra coroar o momento que já era insequecível, Glen vira-se entre dois versos e solta um “Sorry” meio tímido para o desesperado membro da equipe técnica que já se empenhava em consertar seja lá o que tivesse ocorrido.

O som, falando nisso, estava ótimo. O negócio é que eu acho que ainda não há tecnologia que aguente o que Glen faz ao violão. É feeling, é intensidade, é energia demais pra cabos e caixas de som. Vai ver é por isso que ele gosta tanto de cantar na rua.

Só no fim é que aconteceu a única coisa problemática: O show acabou.

Mas foi incrível. E lendo o texto do Zannin, abri um sorriso na parte em que ele fala sobre agradecer antes mesmo de parabenizar, porque também foi o que eu falei pra eles (infelizmente por twitter, e não no camarim): “Thanks”.

E depois de tudo isso eu nem posso adicionar uma surpresa a mais pra listinha, porque o que eu pensei e comentei foi exatamente o que eu queria: “Sensacional. Um dos melhores shows da minha vida!”

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 15:03 - Por Cotta

Antes de começar, queria dedicar esse texto pro grande amigo e irmão Fred Heimbeck, e agradecer aos meus outros 3 irmãos Zannin, LG e Piccinini pela companhia no show e pelos posts irretocáveis.

Depois desses 3 posts fodásticos, fica difícil achar algum elogio, alguma sensação, alguma emoção que ainda não tenha sido descrita, ainda mais por pessoas como as que já escreveram: todos apaixonados pelo filme e pelas canções, como eu. Todos nós estávamos reunidos naquela mesa pelo mesmo motivo: a identificação absurda e a paixão incontrolável por cada nota composta por Glen e Marketa para as músicas desse nosso – como bem disse o Zannin – filme de cabeceira.

Sobre o show: as expectativas foram mesmo superadas. Desde a abertura inesperada – e unplugged de verdade! – com a poderosa Say It To Me Now até o ápice final com Falling Slowly, os caras mostraram a mesma humildade, o mesmo talento, a mesma paixão em tocar que se vê no filme. E isso foi uma das coisas mais legais do show. Por vezes, parecia que você estava lá participando do momento deles, você não era simplesmente um público vendo uma banda. Era mais uma cena do filme, mais um episódio da vida deles que eles – acaloradamente – convidavam você para fazer parte.

Glen e Marketa são os mesmos do filme. Sem estrelismos, sem posturas de showbizz, sem frescuras. Estavam tocando como se estivessem na sala de casa. Só faltou eles oferecerem uma cerveja e um pratinho de queijos.

Glen é um show à parte. Feliz da vida, empolgado, excitado com o que faz, elétrico, o cara parece uma criança na distribuição de presentes de natal. Muito, muito, muito contagiante a performance dele. Você sai do show cansado de ver ele gastando tanta energia. Fenomenal, mesmo. Só depois de ve-lo ao vivo é que você realmente entende porque o violao fica naquele estado de destruição. É tudo fruto de um amor e um tesão infinitos pela arte de tocar violao. E Glen a executa com uma entrega que dá gosto de ver.

Marketa é mais contida, e tudo o que Glen tem de elétrico, ela tem de precisa. Cada nota do piano sai calculadamente, com a dinâmica e a duração perfeitas, incontestáveis. E a mesma precisão se reflete em seus backing vocals. É uma musicista erudita até no jeito de se portar.

Entre uma música e outra, comentários engraçados, histórias da banda, falas em português perfeito e até um samba improvisado na hora em “homenagem” aos motoboys de São Paulo, rs. Os caras são bons de verdade.

O show deles é mais legal do que outros shows justamente porque parece que você é um amigo de longa data dos dois. Você viu o filme, você conhece a história, você sente uma intimidade que não existe em outras relações ídolo-fã. Até porque eles são tão próximos que é dificil classifica-los de ídolos. Eles são, sim, dois seres humanos como nós, que sentem e que sofrem e que amam e que se entregam aos sonhos como qualquer um de nós faz – ou tenta fazer.

Lindo show. Um espetáculo de performance e, principalmente, de humanidade. Confira Falling Slowly no registro abaixo (feito pela minha querida Dani Mochida, namorada e companheira de todas as horas, todas as músicas e melhores momentos da minha vida). Uma aula de paixão pela vida e amor pelo que se faz.

Obrigado, Glen e Marketa.

Agora vocês já sabem o caminho. É só aparecer.
(Não é isso que a gente sempre diz pros amigos mais próximos?)

: )

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 12:49 - Por Zannin

Mais um sobre o show do Swell Season em SP. Agora é a vez do Piccinini, ele que fez aquele post sobre o show do Franz Ferdinand em março. Agora só falta a bomba que o Cotta vai soltar no post dele.

Se você viu o filme “Once”, se você ouviu Swell Season, faça um favor: defina-os. Eu te desafio.

Eu li na Veja que era uma dupla “Folk”. Na Folha, apenas o “duo vencedor do Oscar”. Tente a sua. Não tenha medo de errar. Eles dois não têm.

A gente vai em shows por motivos que ultrapassam a razão, mesmo estando sempre à mercê dela. Isso porque vamos em busca de um momento pessoal com nossos artistas favoritos, e o que costumeiramente encontramos é algo tão bem ensaiado que beira o fordismo.

Pois na sexta, eu, Cotta, Dani, Zannin e LG entramos no magnânimo HSBC Brasil e fomos recebidos por um barbudo com um violão todo fudido, tocando sem cabos e cantando sem microfone. Acústico para 1.500 pessoas. Simples assim. E o que se seguiu foi reflexo da inquietude desse cidadão, contrastando com a competência e timidez quase ingênua de uma menina se desdobrando para falar português sem sotaque. Ele quebrando tudo (inclusive equipamentos) como se estivesse com raiva, ela sussurrando como se estivesse com vergonha. Mas nada calculado. Eram as reações deles para o que estavam fazendo. Para ela, música é singelo. Para ele, é intenso. Para ambos, é lindo.

É como se o favor de estar lá fosse deles, e não nosso. Era um show de rua. Eu paguei 200 reais para ver um show de rua, com pessoas se esforçando ao máximo para fazer valer cada centavo que nós colocamos no chapéu.

Definições são racionais demais. Mas se quiser tentar, vá em frente. Eu fico com as emoções, as mais básicas até: eles tocam para se sentirem bem. E assim, pedindo licença e desculpas, eles vão fazendo você se sentir igual. Parece correto para você?

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 0:35 - Por Zannin

Continuando com a série de posts sobre o show do Swell Season em SP, apresento o post de hoje, que é do amigo LG, que foi um dos primeiros a me falar desse filme, é redator e quase um músico de rua. haha.

“Make art! Make art!”

Quando – de Oscar em punho – Glen Hansard disse estas palavras, certamente não era um caso de “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Acompanhado da perfeição técnica de Markéta Irglová, o que Glen faz no Swell Season é a mais pura arte, que fui privilegiado de testemunhar ao vivo nesta sexta-feira especial.

Mas eu gostaria de começar este texto falando sobre o meu amor pelo filme “Once”, traduzido longamente para o português como “Apenas Uma Vez”.

“Once” é um dos meus dois filmes preferidos. E já era assim desde os dois primeiros minutos. Como struggling musician que sou, me emocionei e me inspirei com o roteiro. Ou melhor, os roteiros: o da ficção e o da vida real. Se era possível, com uma handycam e baixo orçamento, produzir uma jóia tão preciosa, eu podia ficar tranqüilo quanto aos meus sonhos: na arte, o que vale é o coração, a alma.

O que me leva de volta ao show.

Nunca vi tanta paixão em cima de um palco.

Glen canta com a alma, literalmente dispensando o microfone, como bom busker. Ele toca – com a alma, claro – cordas de violão que parecem feitas de adamantium. E também com a alma, faz piadas e músicas incidentais até sobre motoboys insandecidos deste país que talvez nunca imaginara visitar.

Na plateia, eu testemunhei o profundo respeito de fãs que ficaram em silêncio para escutar os músicos. Afinal, nada pior que pagar caro para ouvir milhares de pessoas em um karaokê etilicamente desafinado. Especialmente quando se tem a oportunidade de ouvir Glen e Markéta.

No bis, após a apoteose “Falling Slowly”, vi uma multidão hipnotizada chegando mais e mais perto do palco. Todos queriam ficar mais perto daquela força, todos queriam se banhar no poder da arte.

Nunca vou me esquecer daquela sexta-feira na companhia de The Swell Season. Foi quando eu presenciei a absoluta alegria de uma banda em poder exercer sua arte. A tradução mais perfeita do que é ser um músico. Strict joy.

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 0:18 - Por Zannin

Bom. Sexta foi o dia do show e no calor dos acontecimentos combinamos que cada um dos amigos que estavam ali na mesa conosco, escreveria um texto para cá. Para que eu não seja humilhado por três redatores, começo os trabalhos. Então tem mais. Vamos lá:

Nunca imaginei que pudesse ser tão bom. Melhor ainda que no filme ou no disco. Na última sexta-feira pude ver, ouvir e sentir ali de perto na primeira fila, algo que filme nenhum faz com a gente. Foi quase como transformar o filme em musical da broadway, só que sem atores.

Once, como já falei no post sobre o filme/trilha é um filme fantástico, mas infelizmente é daqueles filmes que pouca gente conhece. Se você não conhece, vá atrás. Insisto na dica porque quero mesmo que esse espaço aqui seja genuinamente um lugar para compartilhar o que de melhor passa pelos meus ouvidos. Mas voltando ao filme… A mistura de roteiro, música e vida real faz com que você crie múltiplos elos de ligação emocional, ora com o filme, ou com a música, com o casal, com a situação deles no filme ou na vida real.

Minha maior tolice nesse papo todo sobre filme e trilha, e sobre letra e música, foi achar que essa íntima relação era privilégio de poucos amigos que se deixaram envolver. De poucas pessoas que como eu, usaram como trilha e inspiração aquela história linda que foi vivida do jeito que dava, e principalmente com um violão em punho. Mas não. Sexta-feira eu estava acompanhado de milhares de malucos que como eu, que fizeram de Once um ‘filme de cabeceira’ e que estavam lá, felizes, ansiosos e realmente tendo um reality check sobre o que escutamos e sobre a experiência de um show verdadeiro. Fazia tempo que eu não presenciava algum evento musical com expressão tão genuína como pude ver nesse show.

A abertura já era um aviso do que estava por vir. Glen sobe ao palco sozinho, arruma o microfone e o ignora. Pega o violão, aquele mesmo surrado violão do filme, e vai pra beirinha do palco, ali na frente com todo mundo, e como se estivesse em uma rua da Irlanda, começa o show com Say it to me now. A projeção da voz do cara é assustadora, e mesmo sem microfone tenho certeza que ele foi ouvido por cada uma das pessoas ali dentro.

Markéta e banda entram no palco e sem tempo para respirar, seguiram com All the Way Down, Low Rising, In These Arms, The Rain, Feeling the Pull, Lies, If You Want Me, Fantasy Man, Leave… caramba. 21 músicas no set. Em Lies, ele no violão e Markéta no piano fazem um dos melhores momentos do show, tavez só superada por Falling Slowly (que tem um Oscar que a credencia). O som que ele tira daquele velho Takamine é inacreditável. Só vendo ao vivo para perceber como ele consegue esburacar o corpo do instrumento. É tudo tocado com tanta intensidade e que eu não me espantaria se ele quebrasse algo no palco.

A banda com 6 integrantes assumiu várias formações durante o show. Como estrutura deixava disponível: baixo, violão, voz, piano, violino, gaita, guitarra e bateria. O que mais surpreendia é que todo mundo que tava no palco passou por um workshop de humildade onde trocaram todos os créditos de pose por créditos de feeling e competência. Dependendo da música, esses seis humildes integrantes soavam como um músico de rua ou como uma orquestra.

No final do show, tive mais um privilégio: ir ao camarim.
No curto caminho pelos corredores do backstage do HSBC Brasil, fui pensando o que eu iria dizer para aqueles dois notáveis músicos que sem nem saber, tanto cuidaram de uma rachadura no meu coração, e que fizeram tantas pessoas ao redor do mundo acreditarem no amor.

Subi ali e enquanto assinava o bluray do Cotta resolvi agradecer. É, agradeci por terem feito um trabalho tão inspirador, tão verdadeiro e com enorme poder curativo. Surpreso pelo agradecimento no lugar dos parabéns, Glen só me falou: “WOW. That’s something! Thanks a lot. We are ver proud of this”.

Que bom que pude viver isso na nessa sexta-feira. Que bom que pude agradecer.

 
 
segunda-feira, 23 de agosto de 2010 | 11:46 - Por Zannin

Post no melhor estilo ‘rapidinha’.

Mendigos são legais. Tocam com o coração.
Um bom exemplo já falado aqui é a versão fantástica de Creep que o Daniel Mustard emplacou. Vale rever: http://www.adayinthelife.com.br/2010/03/02/daniel-mustard-creep/.

A música está mesmo em todo lugar, com ou sem instrumentos.
Agora pela manhã o @peele mandou esse video do mendigão genial no metrô. Baterista é tudo igual mesmo. A arrumação é rigorosamente metódica, mesmo sem as peças para ajustar.

 
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quarta-feira, 28 de julho de 2010 | 3:31 - Por Cotta

28 de julho de 2010. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu realizei um dos maiores sonhos da minha vida. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu vi, ao vivo, o Sir Paul McCartney.

Foi em Cardiff, País de Gales, Reino Unido que a magia aconteceu. A cidade – que deve ter mais ou menos o tamanho de um tabuleiro do Jogo da Vida e o PIB maior do que o da America Latina inteira – amanheceu radiante naquele Sábado. “Hoje tem show do Paul McCartney aqui!” dava pra ver a empolgação nos locais. E essa empolgação se refletia nos turistas, nos comerciantes, nos funcionários da estação de trem, nos quartos esgotados dos hotéis, nos avisos dos supermercados restringindo a venda de cerveja a 4 latas, no máximo, por pessoa. Afinal, tinha que ter pra todo mundo. Tinha que ser justo com todo mundo o dia mais importante do ano no Pais de Gales.

Chegando aos portões do imponente Millenium Stadium, eu ainda não conseguia me dar conta do que estava prestes a acontecer. Vi o show de abertura dos Manic Street Preachers (bem bom, por sinal) e não conseguia compreender que em poucos instantes eu estaria frente a frente com uma das lendas vivas do rock, com uma das personalidades mais emblemáticas do século XX, com um dos responsáveis pela maior banda de todos os tempos.
E, pelo visto, eu não era o único a alimentar essa ansiedade. O estádio foi enchendo pouco a pouco e, antes das 7 da noite, já tinha todos os lugares ocupados. Civilizada e irritantemente ocupados. Não dava nem pra tentar angariar um gargalo ou uma grade. Os seguranças europeus são implacáveis. Mas graças à minha querida Daniela Mochida (a quem credito esse dia inesquecível e os registros que você vai ver abaixo), meu lugar na segunda fileira do show estava garantido. E assim, mesmo com toda a rigidez galesa, eu tive a honra e o privilégio de contemplar Sir Paul a pouquíssimos metros de distancia. E testemunhar, finalmente, o espetáculo histórico de um musico lendário.

Telão. Videozinho de abertura. Burburinho ansioso toma conta do estádio. Roadies terminando de preparar o palco. Seguranças tomando suas posições. Máquinas fotográficas aquecendo seus flashes. E o coração do Cotta avançando pela garganta.

Luzes apagam. Palco acende. Público urra.

Entra a banda. Um por um. Ouvem-se os primeiros acordes das guitarras estridentes nos P.A.s gigantescos do estádio ultramoderno. Espinhas dorsais redefinem os valores da escala Richter.

Eis que então, surge no palco, ovacionado unanimemente, Sir Paul McCartney. Sorridente, acenante, simpático como todo ídolo deveria ser. Violão em riste e microfone a postos. E o show começa com Venus and Mars, clássico dos Wings, de 1975. E imediatamente depois, Jet. E o coração do Cotta já pedindo as contas no RH.

Se você pensar friamente, é só um “velhinho” de 68 anos tocando baixo. Mas de repente você olha pro palco e vê aquele cara. Aquele cara que fez parte da banda mais influente da história, que revolucionou o comportamento da geração dos seus pais, que produziu uma das obras mais sólidas e consistentes da cultura ocidental, que fez as musicas que você cresceu ouvindo e que definiram muito do seu caráter. E aí vc repensa e se toca de que está diante do cara que fez boa parte da trilha sonora da sua vida. E parece que passa um filminho na sua cabeça (aquela história clássica, só que por um bom motivo) que te faz voltar e entender de novo o porquê de aquilo ser tão importante pra você, e justamente o porquê de você estar ali onde você está, naquele momento. E aí cai a ficha: vc está vendo o Paul McCartney, porra!

E aí ele despeja aquela enxurrada de clássicos, só pra testar o quão forte seu coração é. Ou não é. Eu me segurei bem até começar Let Me Roll It, e daí em diante foi só choradeira. Soluço, mesmo. É impossível conter a emoção, e mesmo você já sabendo de cor tudo o que ele vai tocar… Poxa, é claro que você sabe que ele vai tocar Let It Be, você sabe que ele vai tocar Band On The Run, você sabe que ele vai tocar Hey Jude. E quando toca, é incontrolável.

O que você não sabe é que ele também toca I’m Looking Through You, Dance Tonight, Ram On, Obladi Oblada, Paperback Writer, A Day In The Life e Day Tripper. E o mais legal é que você olha praquela banda irretocável, aqueles músicos jovens e cheios de gás, e olha para o Paul… e vê que o Paul tem mais gás do que todos eles juntos.

O homem tem 68 anos de idade e toca com o tesao de quem tem 25. O homem faz um show de quase 3 horas de duração e não demonstra o mínimo cansaço. Ao todo, foram 37 músicas divididas em bloco principal e dois bises. E ele canta tudo, nota por nota, de Blackbird a Helter Skelter sem perder a voz. É de dar inveja.

Aqui embaixo vc vê um curto registro de I’m Looking Through You (cujo vídeo ficou meio tremido dada a empolgação!) e Let Em In (uma das minhas preferidas da carreira solo dele e uma das surpresas mais legais do show pra mim, um puta presente).

Os registros são simbólicos e importantíssimos, e capturam um pouquinho da emoção que foi estar lá vendo esse fenômeno que é o Paul McCartney. Se desse, teríamos filmado o show inteiro. Mas não tem problema, esses outros registros já estão pra sempre gravados na minha memória e no meu coração.

Obrigado, Paul.
Minha vida, minha história, minha personalidade e meu caráter agradecem.

 
 
segunda-feira, 19 de julho de 2010 | 10:41 - Por Cotta

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que a trilha sonora do The Social Network, o filme sobre o Facebook, tem essa versão absurdamente acachapante de Creep, do Radiohead? E qual não foi minha surpresa maior ao descobrir que essa banda é belga e é formada por meninas que cantam angelicalmente? E qual não foi minha surpresa ao descobrir que elas têm vários discos e estão juntas há mais de 10 anos?

Eu não sei nada mesmo. Elas sabem. Chora aí:

 
 
terça-feira, 06 de julho de 2010 | 0:37 - Por Zannin

Segunda-feira a noite. Já estava aqui dando minha noite por encerrada quando me aparecem os links dos dois vídeos abaixo.

Bom. Pra começar a falar alguma coisa, vou presumir que você sabe o que é Pink Floyd, quem é o David Gilmour e a coisa toda né. Não conhecer a carreira solo do cara já é bem mais aceitável, afinal até a carreira solo do Paul McCartney não é mega conhecida. Mas se não conhece Pink Floyd, nem que seja só aquele disco Pulse que vinha com a luzinha piscando, ou o do ‘muro branco’, saia daqui e vá estudar haha.

Mas quer saber? Foda-se também. O negócio é ver o que aquele puta louco que em 72 já botava cachorro pra latir nas músicas, hoje é este respeitável senhor da foto acima, e que entrega uma fantástica versão de Shine on Your Crazy Diammond, no show do Royal Festival Hall London em 2002.

A primeira parte é só acústica, e todas os trechos delicados do clássico viram marshmallows de tão doces e macios quando tocados no violão. A voz entra diferente. Melodia madura e cuidadosa. Consegue entregar calmo a mesma intensidade de todos aqueles backing vocals do original. É uma surpresa. Por sinal uma corajosa surpresa. Imagine você subir num palco só com um violão na mão e tocar Pink Floyd. É de bambear as pernas.

Na segunda parte da música o coroa é acompanhado por um monte de gente, incluindo a mulherada dos vocais e ainda manda o slide na pegada tradicional do lap steel. É um puta som.

Então chega. Nunca enrolei tanto pra falar que um vídeo é foda. Assiste aí e boa:

 
 
 
 
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