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quarta-feira, 01 de setembro de 2010 | 11:37 - Por Zannin


A super duper cantora e amiga Ana Paula Lopes (que se você não conhece vá lá escutar) me indicou nesse final de semana a esquisitamente fantástica Janelle Monáe, que eu nem sei se é novidade ou não, mas que fiquei maluco com o clipe.

Acho particularmente empolgante ver gente que está tentando fazer coisas realmente diferentes, conceituais e ao mesmo tempo transformando referências antigas em coisas modernas. Esse tem sido inclusive um ponto de atenção meu aqui no blog.

Janelle é uma performer. Estudou teatro, dança e canto. Você vê a diferença na apresentação conceitual do trabalho dela logo de cara e percebe que ela não é só uma cantora que as vezes soa como um jovem Michael Jackson (e POR FAVOR notem que eu não estou dizendo que ela é a nova MJ ou que ela é melhor ou pior. Isso está longe de ser uma discussão).

Em 2007 ela se emparceirou com o Big Boi do OutKast e desenvolveu esse colectivo que se chama Wondaland Arts Society. Gente doida, criativa e que faz coisas diferentes mesmo. De acordo com o wiki, o primeiro trabalho dela foi pensado para ser lançado em 4 suites e em mp3, só que ficou gênio e ela juntou as 2 primeiras suites e lançou como um disco pela gravadora do Sean Combs (isso… o Puff Daddy mesmo).

Em maio de 2010 ela lança seu 2o disco, na real as 2 suites restantes, num trabalho chamado The ArchAndroid. A piração é que ela a protagonista e uma história onde usa o alter-ego Cindi Mayweather e é meio que uma figura ‘messiânica’ para a comunidade de androids de Metropolis. Essa Metropolis é a mesma do clássico filme de Fritz Lang, principal fonte de inspiração para o universo Sci-Fi que a moça escolheu mergulhar. A ideia dela é fazer dessa história um projetão com um video para cada musica e uma historia em quadrinhos.

O mais louco disso é que o som não é electrónico, não é frito e não é nada do que você está esperando. É soul, é funk e é empolgante pra cacete. Só vendo para entender.

Vou providenciar os 2 discos e escutá-los na ordem e falar mais por aqui.
Por hora, fique com a fantástica Tightrope e também com Many Moons, que exemplifica claramente o universo andróide de Metropolis, num desfile de moda doido. (procure no youtube pelos videos no canal oficial com mais qualidade).

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 20:14 - Por Zannin

Volta e meia recebemos aqui no blog email de pessoas elogiando nosso trabalho (que é feito apenas por prazer). Volta e meia recebemos amigos querendo escrever alguma coisa por aqui, e com enorme satisfação publicamos seus guest posts.

Dessa vez, um desconhecido – que talvez já possamos chamar de amigo – viu a série dos 4 posts sobre o show, se empolgou e mandou o dele. E que puta post! Um relato de alguém, que assim como nós 3 aqui do “A Day”, é apaixonado pela música e por tudo que ela traz junto dela.

Abaixo o texto integral do cara. Obrigado João Zanetti, pelo carinho do email, pelo puta texto e por compartilhar desse mindset com a gente.

(Antes de mais nada, eu não estava na mesa do pessoal dos textos anteriores, e nem participei de combinado nenhum. Mas eu também estava lá, pra mim também foi incrível, e ao ficar sabendo, hoje, da proposta, não consegui me conter. Segue aqui mais uma visão de um cara que viu o Swell Season em São Paulo e quis compartilhar a emoção.)

Eu conheci Swell Season como a maioria das pessoas conheceu até agora (por “agora” leia antes do show e da inclusão de Low Rising na trilha sonora de Passione): Pelo filme irlandês independente Once, filme esse que, olha só que coisa, minha namorada alugou porque achou a capa bonita e gostou da sinopse. E isso é compreensível, tendo em vista a divulgação zero que o filme teve aqui no Brasil – inclusive, o fato de o filme estar ali na locadora do bairro já é uma vitória.

Beleza, dvd na gaveta, play. A partir daí começa uma lista de 10 surpresas que eu acredito que quase todos os fãs tiveram durante suas trajetórias com o Swell Season:
1. “Nossa, esse cara canta muito”, quando o filme começa, na rua, com Glen cantado sozinho, sem microfone (guarde essa informação);
2. “Gente, olha o violão desse cara! Todo zoado!” (essa também);
3. “Que fofinha essa moça!”;
4. “Nossa, que músicas lindas!”;
5. “Puxa, que filme incrível!”.
Mas o bicho pegou mesmo na hora em que eu fui dar uma lida na internet sobre o que tinha acabado de ver: 6. “NOSSA! O filme é independente e eles não são atores!”;
7. “MEU DEUS eles tem uma banda!!!”.

A partir desse ponto, a paixão por Swell Season já existia no meu ser, e com o tempo não fez outra coisa senão crescer e virar amor, desses grandes, que a gente já sabe que vão durar pra sempre.

No mesmo dia eu já tinha a trilha sonora do filme, e logo ouvia o Strict Joy, o segundo álbum da carreira deles (mas primeiro creditado de fato ao grupo The Swell Season – no primeiro, que leva o nome da banda como título, o registro é apenas “Glen Hansard & Marketa Irglova”). O contato com The Frames, banda original de Glen, também foi inevitável.

De qualquer maneira, Swell Season era algo que eu tinha consantemente no meu celular e no computador, que eu ouvia muito e que eu nem imaginava ir a um show a curto prazo. Quem sabe um dia, se eu for pra Irlanda, se eles ainda estiverem na ativa, né?
8. “Eles vem pro Brasil?”
9. “EM AGOSTO???”

Com ingressos da área vip comprados com boa antecedência, eu e minha namorada fomos pra São Paulo na sexta. Já imagina, né?

10. “Nããão, ele tá fazendo isso mesmo?”, quando Glen abriu o show cantando Say It To Me Now sozinho, sem microfone (lembra disso?), com aquele violão destruído (disso também?).

Sem exagero nenhum, esse show foi um dos eventos mais emocionantes que já presenciei.
Aliás, “sem exagero nenhum” é uma expressão que casa prefeitamente com a postura do grupo, como já foi dito aqui nos textos anteriores, por tocarem e agirem de forma tão natural, por terem nada mais que a música como combustível de quaisquer reações do momento do show, das quais separo duas que me tocaram particularmente:

- A reação singela de Marketa ao retirar sua postura ao piano, virando-se e cruzando as pernas, esperando primeiramente Glen terminar o que foi quase um stand up sobre o trânsito paulistano e suas Hondas (que é como ele se referia às motos), e depois o resto da banda acabar de improvisar uma música sobre as próprias Hondas, com direito a uma egraçadíssima coreografia do cantor. O legal, ao olhar para a cantora tcheca, era ver sua expressão paciente e divertida de quem diz “ah, esses meninos que não crescem nunca, viu…”;

- A reação explosiva de Glen durante uma música solo, desplugando furiosamente o violão do equipamento que estava com problemas e indo à frente do palco cantar ao melhor estilo Busking, só que pra um HSBC Brasil inteiro, a principio tomado pelo burburinho mas logo depois maravilhosamente calado em respeito a quem eu acredito que possa ser o melhor cantor da atualidade. Calado por fora, mas certamente em êxstase interno por estar vivendo aquilo, como eu fiquei. Pra coroar o momento que já era insequecível, Glen vira-se entre dois versos e solta um “Sorry” meio tímido para o desesperado membro da equipe técnica que já se empenhava em consertar seja lá o que tivesse ocorrido.

O som, falando nisso, estava ótimo. O negócio é que eu acho que ainda não há tecnologia que aguente o que Glen faz ao violão. É feeling, é intensidade, é energia demais pra cabos e caixas de som. Vai ver é por isso que ele gosta tanto de cantar na rua.

Só no fim é que aconteceu a única coisa problemática: O show acabou.

Mas foi incrível. E lendo o texto do Zannin, abri um sorriso na parte em que ele fala sobre agradecer antes mesmo de parabenizar, porque também foi o que eu falei pra eles (infelizmente por twitter, e não no camarim): “Thanks”.

E depois de tudo isso eu nem posso adicionar uma surpresa a mais pra listinha, porque o que eu pensei e comentei foi exatamente o que eu queria: “Sensacional. Um dos melhores shows da minha vida!”

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 15:03 - Por Cotta

Antes de começar, queria dedicar esse texto pro grande amigo e irmão Fred Heimbeck, e agradecer aos meus outros 3 irmãos Zannin, LG e Piccinini pela companhia no show e pelos posts irretocáveis.

Depois desses 3 posts fodásticos, fica difícil achar algum elogio, alguma sensação, alguma emoção que ainda não tenha sido descrita, ainda mais por pessoas como as que já escreveram: todos apaixonados pelo filme e pelas canções, como eu. Todos nós estávamos reunidos naquela mesa pelo mesmo motivo: a identificação absurda e a paixão incontrolável por cada nota composta por Glen e Marketa para as músicas desse nosso – como bem disse o Zannin – filme de cabeceira.

Sobre o show: as expectativas foram mesmo superadas. Desde a abertura inesperada – e unplugged de verdade! – com a poderosa Say It To Me Now até o ápice final com Falling Slowly, os caras mostraram a mesma humildade, o mesmo talento, a mesma paixão em tocar que se vê no filme. E isso foi uma das coisas mais legais do show. Por vezes, parecia que você estava lá participando do momento deles, você não era simplesmente um público vendo uma banda. Era mais uma cena do filme, mais um episódio da vida deles que eles – acaloradamente – convidavam você para fazer parte.

Glen e Marketa são os mesmos do filme. Sem estrelismos, sem posturas de showbizz, sem frescuras. Estavam tocando como se estivessem na sala de casa. Só faltou eles oferecerem uma cerveja e um pratinho de queijos.

Glen é um show à parte. Feliz da vida, empolgado, excitado com o que faz, elétrico, o cara parece uma criança na distribuição de presentes de natal. Muito, muito, muito contagiante a performance dele. Você sai do show cansado de ver ele gastando tanta energia. Fenomenal, mesmo. Só depois de ve-lo ao vivo é que você realmente entende porque o violao fica naquele estado de destruição. É tudo fruto de um amor e um tesão infinitos pela arte de tocar violao. E Glen a executa com uma entrega que dá gosto de ver.

Marketa é mais contida, e tudo o que Glen tem de elétrico, ela tem de precisa. Cada nota do piano sai calculadamente, com a dinâmica e a duração perfeitas, incontestáveis. E a mesma precisão se reflete em seus backing vocals. É uma musicista erudita até no jeito de se portar.

Entre uma música e outra, comentários engraçados, histórias da banda, falas em português perfeito e até um samba improvisado na hora em “homenagem” aos motoboys de São Paulo, rs. Os caras são bons de verdade.

O show deles é mais legal do que outros shows justamente porque parece que você é um amigo de longa data dos dois. Você viu o filme, você conhece a história, você sente uma intimidade que não existe em outras relações ídolo-fã. Até porque eles são tão próximos que é dificil classifica-los de ídolos. Eles são, sim, dois seres humanos como nós, que sentem e que sofrem e que amam e que se entregam aos sonhos como qualquer um de nós faz – ou tenta fazer.

Lindo show. Um espetáculo de performance e, principalmente, de humanidade. Confira Falling Slowly no registro abaixo (feito pela minha querida Dani Mochida, namorada e companheira de todas as horas, todas as músicas e melhores momentos da minha vida). Uma aula de paixão pela vida e amor pelo que se faz.

Obrigado, Glen e Marketa.

Agora vocês já sabem o caminho. É só aparecer.
(Não é isso que a gente sempre diz pros amigos mais próximos?)

: )

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 12:49 - Por Zannin

Mais um sobre o show do Swell Season em SP. Agora é a vez do Piccinini, ele que fez aquele post sobre o show do Franz Ferdinand em março. Agora só falta a bomba que o Cotta vai soltar no post dele.

Se você viu o filme “Once”, se você ouviu Swell Season, faça um favor: defina-os. Eu te desafio.

Eu li na Veja que era uma dupla “Folk”. Na Folha, apenas o “duo vencedor do Oscar”. Tente a sua. Não tenha medo de errar. Eles dois não têm.

A gente vai em shows por motivos que ultrapassam a razão, mesmo estando sempre à mercê dela. Isso porque vamos em busca de um momento pessoal com nossos artistas favoritos, e o que costumeiramente encontramos é algo tão bem ensaiado que beira o fordismo.

Pois na sexta, eu, Cotta, Dani, Zannin e LG entramos no magnânimo HSBC Brasil e fomos recebidos por um barbudo com um violão todo fudido, tocando sem cabos e cantando sem microfone. Acústico para 1.500 pessoas. Simples assim. E o que se seguiu foi reflexo da inquietude desse cidadão, contrastando com a competência e timidez quase ingênua de uma menina se desdobrando para falar português sem sotaque. Ele quebrando tudo (inclusive equipamentos) como se estivesse com raiva, ela sussurrando como se estivesse com vergonha. Mas nada calculado. Eram as reações deles para o que estavam fazendo. Para ela, música é singelo. Para ele, é intenso. Para ambos, é lindo.

É como se o favor de estar lá fosse deles, e não nosso. Era um show de rua. Eu paguei 200 reais para ver um show de rua, com pessoas se esforçando ao máximo para fazer valer cada centavo que nós colocamos no chapéu.

Definições são racionais demais. Mas se quiser tentar, vá em frente. Eu fico com as emoções, as mais básicas até: eles tocam para se sentirem bem. E assim, pedindo licença e desculpas, eles vão fazendo você se sentir igual. Parece correto para você?

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 0:35 - Por Zannin

Continuando com a série de posts sobre o show do Swell Season em SP, apresento o post de hoje, que é do amigo LG, que foi um dos primeiros a me falar desse filme, é redator e quase um músico de rua. haha.

“Make art! Make art!”

Quando – de Oscar em punho – Glen Hansard disse estas palavras, certamente não era um caso de “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Acompanhado da perfeição técnica de Markéta Irglová, o que Glen faz no Swell Season é a mais pura arte, que fui privilegiado de testemunhar ao vivo nesta sexta-feira especial.

Mas eu gostaria de começar este texto falando sobre o meu amor pelo filme “Once”, traduzido longamente para o português como “Apenas Uma Vez”.

“Once” é um dos meus dois filmes preferidos. E já era assim desde os dois primeiros minutos. Como struggling musician que sou, me emocionei e me inspirei com o roteiro. Ou melhor, os roteiros: o da ficção e o da vida real. Se era possível, com uma handycam e baixo orçamento, produzir uma jóia tão preciosa, eu podia ficar tranqüilo quanto aos meus sonhos: na arte, o que vale é o coração, a alma.

O que me leva de volta ao show.

Nunca vi tanta paixão em cima de um palco.

Glen canta com a alma, literalmente dispensando o microfone, como bom busker. Ele toca – com a alma, claro – cordas de violão que parecem feitas de adamantium. E também com a alma, faz piadas e músicas incidentais até sobre motoboys insandecidos deste país que talvez nunca imaginara visitar.

Na plateia, eu testemunhei o profundo respeito de fãs que ficaram em silêncio para escutar os músicos. Afinal, nada pior que pagar caro para ouvir milhares de pessoas em um karaokê etilicamente desafinado. Especialmente quando se tem a oportunidade de ouvir Glen e Markéta.

No bis, após a apoteose “Falling Slowly”, vi uma multidão hipnotizada chegando mais e mais perto do palco. Todos queriam ficar mais perto daquela força, todos queriam se banhar no poder da arte.

Nunca vou me esquecer daquela sexta-feira na companhia de The Swell Season. Foi quando eu presenciei a absoluta alegria de uma banda em poder exercer sua arte. A tradução mais perfeita do que é ser um músico. Strict joy.

 
 
segunda-feira, 30 de agosto de 2010 | 0:18 - Por Zannin

Bom. Sexta foi o dia do show e no calor dos acontecimentos combinamos que cada um dos amigos que estavam ali na mesa conosco, escreveria um texto para cá. Para que eu não seja humilhado por três redatores, começo os trabalhos. Então tem mais. Vamos lá:

Nunca imaginei que pudesse ser tão bom. Melhor ainda que no filme ou no disco. Na última sexta-feira pude ver, ouvir e sentir ali de perto na primeira fila, algo que filme nenhum faz com a gente. Foi quase como transformar o filme em musical da broadway, só que sem atores.

Once, como já falei no post sobre o filme/trilha é um filme fantástico, mas infelizmente é daqueles filmes que pouca gente conhece. Se você não conhece, vá atrás. Insisto na dica porque quero mesmo que esse espaço aqui seja genuinamente um lugar para compartilhar o que de melhor passa pelos meus ouvidos. Mas voltando ao filme… A mistura de roteiro, música e vida real faz com que você crie múltiplos elos de ligação emocional, ora com o filme, ou com a música, com o casal, com a situação deles no filme ou na vida real.

Minha maior tolice nesse papo todo sobre filme e trilha, e sobre letra e música, foi achar que essa íntima relação era privilégio de poucos amigos que se deixaram envolver. De poucas pessoas que como eu, usaram como trilha e inspiração aquela história linda que foi vivida do jeito que dava, e principalmente com um violão em punho. Mas não. Sexta-feira eu estava acompanhado de milhares de malucos que como eu, que fizeram de Once um ‘filme de cabeceira’ e que estavam lá, felizes, ansiosos e realmente tendo um reality check sobre o que escutamos e sobre a experiência de um show verdadeiro. Fazia tempo que eu não presenciava algum evento musical com expressão tão genuína como pude ver nesse show.

A abertura já era um aviso do que estava por vir. Glen sobe ao palco sozinho, arruma o microfone e o ignora. Pega o violão, aquele mesmo surrado violão do filme, e vai pra beirinha do palco, ali na frente com todo mundo, e como se estivesse em uma rua da Irlanda, começa o show com Say it to me now. A projeção da voz do cara é assustadora, e mesmo sem microfone tenho certeza que ele foi ouvido por cada uma das pessoas ali dentro.

Markéta e banda entram no palco e sem tempo para respirar, seguiram com All the Way Down, Low Rising, In These Arms, The Rain, Feeling the Pull, Lies, If You Want Me, Fantasy Man, Leave… caramba. 21 músicas no set. Em Lies, ele no violão e Markéta no piano fazem um dos melhores momentos do show, tavez só superada por Falling Slowly (que tem um Oscar que a credencia). O som que ele tira daquele velho Takamine é inacreditável. Só vendo ao vivo para perceber como ele consegue esburacar o corpo do instrumento. É tudo tocado com tanta intensidade e que eu não me espantaria se ele quebrasse algo no palco.

A banda com 6 integrantes assumiu várias formações durante o show. Como estrutura deixava disponível: baixo, violão, voz, piano, violino, gaita, guitarra e bateria. O que mais surpreendia é que todo mundo que tava no palco passou por um workshop de humildade onde trocaram todos os créditos de pose por créditos de feeling e competência. Dependendo da música, esses seis humildes integrantes soavam como um músico de rua ou como uma orquestra.

No final do show, tive mais um privilégio: ir ao camarim.
No curto caminho pelos corredores do backstage do HSBC Brasil, fui pensando o que eu iria dizer para aqueles dois notáveis músicos que sem nem saber, tanto cuidaram de uma rachadura no meu coração, e que fizeram tantas pessoas ao redor do mundo acreditarem no amor.

Subi ali e enquanto assinava o bluray do Cotta resolvi agradecer. É, agradeci por terem feito um trabalho tão inspirador, tão verdadeiro e com enorme poder curativo. Surpreso pelo agradecimento no lugar dos parabéns, Glen só me falou: “WOW. That’s something! Thanks a lot. We are ver proud of this”.

Que bom que pude viver isso na nessa sexta-feira. Que bom que pude agradecer.

 
 
quarta-feira, 04 de agosto de 2010 | 15:03 - Por Cotta

Para aquecer a alma nesse dia gelado, uma das músicas menos conhecidas do REM, mas que para mim tem um significado especialíssimo. Half A World Away foi lançada no álbum Out Of Time, de 1991 (o disco que fez o REM estourar no mundo inteiro com Losing My Religion e Shiny Happy People) e é daquelas canções que sempre fizeram meu pensamento parar quando tocava.

Na época, eu tinha 13 anos de idade e esse vinil. Era viciado nesse disco, e não tinha a menor idéia de que ele iria me acompanhar por tanto tempo. Hoje, quando o escuto, volto praquela época e para muitas outras que vieram depois e que me fazem encher o pensamento de nostalgia e saudade.

Half A World Away – e o REM como um todo – têm um papel importante na minha juventude e na minha convivência com meu irmão (que hoje está “half a world away”). Ela me enche os olhos de lágrimas, e aquecem meu coração – especialmente em dias frios como esse, que fazem a gente sentir um pouco de saudade de nós mesmos. E hoje fico com ela no repeat, relembrando do seu arranjo singelo e emocional, suas cordas arrepiantes, suas vozes confortantes e sua letra melancolicamente confortante.

Que venham as boas lembranças.

 
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terça-feira, 20 de julho de 2010 | 11:25 - Por Zannin

Este que você lê, é o post número 100 desse espaço que permite falar um pouquinho do que nos move, um pouquinho de quem somos e um pouquinho do que a música representa para nós. Obrigado pelas visitas, comentários, tuites e apoio. É só o começo. :-) Vamos ao post:


Um final de semana cinza e a nossa querida amiga internet faz com que assistir um filme e pirar em sua trilha seja algo fácil e totalmente transformador para a história daquela noite.

Ben Stiller é Greenberg, um judeu nova-iorquino, que acaba de se recuperar de um colapso nervoso e para mudar de ares, topa ir para Los Angeles cuidar da casa e do cachorro de seu irmão. Para qualquer eventualidade ele conta com a ajuda de Florence, assistente de seu irmão, que conhece o funcionamento da casa e fica a disposição e tal. Bom. Fácil pensar o que vai acontecer ao ler essa sinopse. E sim. Acontece.

A questão é que Ben Stiller surpreende, e confirma que todo bom comediante tira de letra papéis complexos e dramáticos. Neste, ele está magro, perturbado, beberrão e instável – e carrega com sutileza traços de um nova iorquino desacostumado com a California, e chega a lembrar Woody Allen em algumas brincadeiras com o judaismo.

O papel da Florence na história é fundamental. E talvez seja esse o link que tive com o filme. Uma história que tem tudo para acontecer, mas é extremamente complicada porque um dos dois está completamente fora do eixo. Obviamente não vou contar se a complicação se resolve ou não. Assista o filme.

E calma, não desista desse post. Vou falar de música. No filme, Greenberg é um cara que gosta de música e que no passado teve uma banda. Em Los Angeles, boa parte de seu processo de auto-conhecimento é reecontrar seus ex-companheiros e discutir seu passado.

Por isso mesmo o filme traz algumas inteligentes músicas em momentos muito específicos, como na sequencia de abertura que é inteira ambientada com Jet Airliner da Steve Miller Band e em todo o resto da trilha que foi encomendada ao James Murphy do LCD Soundsystem.

Cheia de barulhinhos, incriveis climas e um pouquinho de melancolia – que traduz a solidão do personagem – as músicas de James Murphy fazem do filme algo maior. É lindamente casado com a estética e com a fotografia.

O filme todo foi uma puta surpresa. A trilha, nem se fala. Vamos aos sons. Em primeiro, temos Please Don’t Follow Me do James Murphy, que foi a que mais me chamou atenção em toda a trilha. E depois, o trailer do filme.

 
 
domingo, 04 de julho de 2010 | 20:42 - Por Cotta


Eu me recuso a publicar a capa do disco novo do Scissor Sisters de novo. Tenho que admitir que eu gosto dessa banda, mas simplesmente não dá pra olhar pra capa do CD novo. Por isso, vou me ater somente ao que me interessa, que é o som mesmo.

Já falei do Night Work aqui. É o terceiro álbum dessa divertida (e cada vez mais gay) banda americana. Sim, americana, apesar de parecer tão inglesa e fazer mais sucesso na Inglaterra do que em sua própria terra Natal. (Qualquer semelhança com o Killers não é mera coincidência).

O disco novo é tão, mas tão, mas tão dançante que chega a ser até um pouco constrangedor. Mas depois de ouvir 2 vezes você acaba acostumando e achando até legal, se já tiver gostado dos outros dois discos da banda.

É uma granda balada o álbum novo deles. Tsum-tsum e putz-putz até não poder mais. Só que, diferentemente do que acontece com música eletrônica e música específica de balada, aqui tem melodias e idéias boas em cima do bate-estaca. E é aí que a coisa fica interessante.

Uma das mais legais descobertas desse disco novo é Fire With Fire. Melodia linda e totalmente na contramão do clima baladeiro do disco. Talvez até por isso já seja a minha preferida.

Confere aí:

 
 
segunda-feira, 21 de junho de 2010 | 17:31 - Por Zannin

Na pilha desse último post sobre a Susan Tedeschi, sai buscando coisas por aí e caí nesse post da Spinner feito semana passada pelo Steve Hochman.

A brincadeira que ele usa para falar da incrível session do Sr. Hancock no estúdio do casal Trucks-Tedeschi é a seguinte: na hora de assistir o vídeo tire o volume. Diz para repararmos bem nas expressões e na conversa de olhares que entre Trucks, Kofi (o tecladista de Trucks) e Hancock. Depois, assista de novo, com som.

O que vemos nesse registro é pura magia. Só quem já passou algum tempo no estúdio pode entender o quão mágico é um momento desses. Improviso solto, divertido e incrivelmente cheio de groove e feeling. Faltam até palavras em português para descrever.

Hancock gosta de parcerias e gosta justamente disso, de inventividade, criatividade e alegria na hora de tocar. No projeto Possibilities a brincadeira aconteceu com John Mayer. Lembro do video do registro, onde o lendário Herbie humildemente aceita todos os inputs que Mayer traz para o som e algo novo nasce dali.

Em Space Captain, música do novo projeto colaborativo de Hancock, a mágica acontece diante dos nossos olhos. É sensacional. De arrepiar os pelinhos do braço.

Abaixo o tal do vídeo. Preste atenção a partir dos 3:30.

 
 
 
 
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