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terça-feira, 24 de agosto de 2010 | 9:32 - Por Zannin


É com muita vergonha na cara que digo: só assisti o documentário we.music agora, quase fim de agosto. A vergonha acontece por vários motivos. Primeiro porque a idéia do doc foi de 3 amigas minhas. Depois, porque deixei meu ‘preoconceitinho’ com a música eletrônica (ledo engano também pensar que o doc seria muito sobre isso e menos sobre “música”) ofuscar essa colocação de idéias que é muito maior do que simplesmente definição de gêneros musicais.

A idéia do doc é unir 3 aspectos importantes da música: pensar, fazer e consumir, e como isso tudo está acontecendo agora, na presente e ambulante revolução digital. No doc, nada mais justo do que cumprir essas 3 tags. Foram chamadas 8 atrações (Killer on the Dancefloor & Thiago Pethit, Database & Holger, Xis & Chernobyl, Pristine Blusters & Firefriend) que misturadas em 4 duplas criaram 4 novos sons. O doc serve para pensar sobre tudo isso e também para te motivar a consumir esse resultado.

Antes de entrar no assunto mesmo, onde eu pretendo aqui fazer minha parte e pensar um pouco, preciso abrir os parênteses e levantar a lebre sobre a qualidade do doc (mega bem filmado, dirigido e produzido pela Galeria Experiência) e pela inteligência e consciência dos músicos – até nisso o músico de hoje precisa ser diferente e ter as rédeas comerciais do produto que cria e vende.

Há tempos venho pensando sobre o que é consumir música hoje. Sempre tive muito claro na minha cabeça que as pessoas precisam ter os ídolos a uma certa distância, inclusive para que as atitudes deles nunca consigam ser comparadas com as suas. Acredito mesmo que pessoas não saem de casa para ver gente exatamente como elas em cima de um palco. Precisa ser diferente. Enfim: “acreditava” e “precisava”.

Isso tudo mudou. Hoje é fácil produzir e gravar musica em casa. Hoje é fácil distribuir. Isso tudo faz com que o que era tão distante de todos se aproxime da realidade de muito mais gente. Aumenta a oportunidade, a oferta, a concorrência e principalmente a quantidade de música pra nós.

O que resta é que ainda é necessário fazer música boa, independente de estilos ou rótulos. A diversidade, que sempre foi defendida pelos artistas mas nunca pelo mercado, agora é uma realidade, seja no som, no gênero, na roupa, no sexo, na experiência, no meio ou na mensagem.

O que eu tiro como conclusão, e que felizmente não é só uma coisa da música, é que estamos numa fase ‘funcional’ como nunca. Podemos fazer, participar, gerar, criar, mudar, recortar, colar, filmar, divulgar, trocar… está tudo na nossa mão. O brasileiro, ainda mais do que o pessoal no resto do mundo, pode aproveitar a curiosidade e competência musical de sempre e misturar com os fortíssimos hábitos digitais e sociais e fazer disso tudo, ainda mais, um celeiro criativo e exemplo pro resto do mundo.

O doc abre uma conversa enorme. Tão grande que está concorrendo a uma vaguinha nos incríveis e concorridos painéis do South by Southwest, um festival sobe musica, cinema e interatividade que acontece em março de 2011, e que rola desde 1987 em Austin no Texas. Importante levantar essa bola por lá, inclusive para mostrar o que é a realidade se fazer muito com muito pouco que acontece por aqui. Sem os brilhantes de P. Diddy (ainda é esse nome?), com impostos ABSURDOS pra compra de qualquer equipamento, e sem os carros e tiros dos rappers de lá.

Idéias importantes para serem discutidas e avaliadas, num momento onde ainda é possível fazer a diferença nessa revolução que está em pleno progresso. Já parou pra pensar que essa turma da Remix e da Pix (idealizadoras da porra toda) podem ser vistos no futuro como a turminha do Andy Warhol era vista lá trás?

Bom. Se quiser ajudar o pessoal do we.music a levar essa opinião toda pra lá, é só se cadastrar aqui e mandar ver. Para votar, basta acessar http://panelpicker.sxsw.com/ideas/view/5543, fazer um cadastro que leva 1 minuto e depois clicar na mãozinha para cima ao lado de “your vote”.

Depois de falar tudo isso, se você ainda não tiver assistido o doc, veja abaixo. Tem 34 minutos de duração. Se seu chefe for comer o seu rabo por fazer isso, veja o trailer rapidinho e guarde o link do filme completo para assistir em casa.

 
 
segunda-feira, 23 de agosto de 2010 | 10:04 - Por Zannin


E o Merigo procurou, procurou e fez um baita achado.

Ben l’Oncle Soul é adorável, criativo, competente e faz new soul em francês. O clipe abaixo, que você deve escolher a opção em HD e ver em full screen, além de bem humorado é lindamente bem feito e animado. Referência para diretores de arte, fotógrafos, músicos e pessoas divertidas.

Ainda na animação e na direção de arte, é curioso ver estéticas vintage com tipografias que foram criadas depois do ano 2000. Na série Mad Men também existiam alguns furos de cronologia. No clipe isso não faz diferença alguma, justamente porque o próprio Ben é muito novo para ser filhote de Ray Charles ou do soul dos anos 60.

O cara que tem 26 anos (isso, nasceu em 84) e acabou de lançar seu primeiro trabalho, já pela Motown Records. Fico realmente pensando se isso tudo é trabalho de um brilhante produtor e de empresários geniais ou se ele é realmente um artista que se inspirou e resolveu fazer (muito bem) isso da vida. Espero que seja culpa dele mesmo.

Ele apareceu com o EP Soul Wash onde transformou muita música pop em “new soul”, incluindo I Kissed a Girl da incrivelmente gostosa e competente Katy Perry, e Seven Nation Army do White Stripes (que também entrou no álbum) e Crazy do Gnarls Barkley. Agora fatalmente (e felizmente) chegará as bandas de cá, e se der certo mais um nome francês no mainstream (para não ficarmos só nos nichos, nas cantoras antigas ou na bela Carla Bruni).

Depois que você assistiu o clipe de cima, vai ficar maluco e sair atrás do disco – que não decepciona. É muito bem gravado, muito fácil de ouvir e sem dúvida fará sua volta para a casa nessa segunda-feira uma jornada muito mais bacana. Mistura inglês e francês sem esquisitisse. Atenção para Seven Nation Army, Soulman, Petite sœur, Come Home, Ain’t off to the back (fantástica – provavelmente o single americano) e Partir (uma lenta só com cordas e piano – aquela que serve pra mostrar que o cara canta muito mesmo).

Novamente to aqui, hipnotizado pelos timbres antigos, pela palheta marrom, pelo chiado (mesmo que fake) do vinil e pelo cheiro de mofo moderno que esses sons tem. São divertidos, competentes e de certa forma (finalmente) materializam a experiência que na época era impossível por falta de tecnologia. Vamos poder assistir e viver festas com esses sons, graças a gente como Ben que homenageiam o retro a cada novo trabalho. Acho fantástico. Tomara que algum maluco resolva abrir um bar escondido como era o Milo e faça uma noite só de new-velharias. Seria ótimo.

E como diz o Faustão: quem sabe faz o vivo meu! Deixo 3 vídeos dessa fera aí!

Vai lá procurer o download do rapaz e depois clica no ‘Like’ do Facebook.

 
 
sexta-feira, 20 de agosto de 2010 | 20:52 - Por Zannin

Um hit já nasce um um hit.
É mágico. Instantaneo.
Logo na primeira escutada você já sabe que vai escutar isso pelo próximo ano, em toda e qualquer festinha que for.

Do que é feito um hit? De verdade? De alegria? De identificação? De esquisitisse? De refrão grudento? De tudo isso junto?
Tem tudo aqui. Cee Lo, o genial gordinho da dupla Gnarls Barkley emplaca hoje, 20 de agosto de 2010, mais um hit para a música pop. Aquela que é questionada, aquela que abraca Justin Bieber, aquela que alguns pensam não conseguir se reinventar.

É isso. Mexa-se na cadeira, ou siga o conselho dessa música e FUCK YOU!

via @cmerigo

 
 
terça-feira, 10 de agosto de 2010 | 16:45 - Por Cotta

Post rapidinho por causa da correria:

Às vezes coloco o iPod no shuffle geral e ele me traz algumas surpresas boas. Sabe aqueles CDs que vc baixou e esqueceu de ouvir? Pois hoje o shuffle me lembrou dessa banda, a Scouting For Girls, que é ultrapop mas que tem um som bem bacana.

A música que o DJ shuffle colocou no meu dia é esta This Ain’t A Love Song. Popzaça mas com toques e idéias diferentosas e criativas – e um arranjo de cordas certeiro – ela tem de tudo pra entrar pro seu repeat. QUanto ao resto do álbum, ainda não sei dizer ao certo. Mas por enquanto vou ficando nessa faixa, e gostando.

Taí a dica. Boa tarde pra você.

 
Categorias/Tags: 2010, Novidades, Pop,
 
terça-feira, 20 de julho de 2010 | 11:25 - Por Zannin

Este que você lê, é o post número 100 desse espaço que permite falar um pouquinho do que nos move, um pouquinho de quem somos e um pouquinho do que a música representa para nós. Obrigado pelas visitas, comentários, tuites e apoio. É só o começo. :-) Vamos ao post:


Um final de semana cinza e a nossa querida amiga internet faz com que assistir um filme e pirar em sua trilha seja algo fácil e totalmente transformador para a história daquela noite.

Ben Stiller é Greenberg, um judeu nova-iorquino, que acaba de se recuperar de um colapso nervoso e para mudar de ares, topa ir para Los Angeles cuidar da casa e do cachorro de seu irmão. Para qualquer eventualidade ele conta com a ajuda de Florence, assistente de seu irmão, que conhece o funcionamento da casa e fica a disposição e tal. Bom. Fácil pensar o que vai acontecer ao ler essa sinopse. E sim. Acontece.

A questão é que Ben Stiller surpreende, e confirma que todo bom comediante tira de letra papéis complexos e dramáticos. Neste, ele está magro, perturbado, beberrão e instável – e carrega com sutileza traços de um nova iorquino desacostumado com a California, e chega a lembrar Woody Allen em algumas brincadeiras com o judaismo.

O papel da Florence na história é fundamental. E talvez seja esse o link que tive com o filme. Uma história que tem tudo para acontecer, mas é extremamente complicada porque um dos dois está completamente fora do eixo. Obviamente não vou contar se a complicação se resolve ou não. Assista o filme.

E calma, não desista desse post. Vou falar de música. No filme, Greenberg é um cara que gosta de música e que no passado teve uma banda. Em Los Angeles, boa parte de seu processo de auto-conhecimento é reecontrar seus ex-companheiros e discutir seu passado.

Por isso mesmo o filme traz algumas inteligentes músicas em momentos muito específicos, como na sequencia de abertura que é inteira ambientada com Jet Airliner da Steve Miller Band e em todo o resto da trilha que foi encomendada ao James Murphy do LCD Soundsystem.

Cheia de barulhinhos, incriveis climas e um pouquinho de melancolia – que traduz a solidão do personagem – as músicas de James Murphy fazem do filme algo maior. É lindamente casado com a estética e com a fotografia.

O filme todo foi uma puta surpresa. A trilha, nem se fala. Vamos aos sons. Em primeiro, temos Please Don’t Follow Me do James Murphy, que foi a que mais me chamou atenção em toda a trilha. E depois, o trailer do filme.

 
 
quinta-feira, 24 de junho de 2010 | 15:16 - Por Zannin


O Queens of the Stone Age é uma das minhas Top 10 bandas. Por toda a loucura, todo o excesso, todo o entupimento, distorção, peso, criatividade e principalmente por ser inclassificável e incomparável.

O disco que os tornou conhecidos, pela faixa polêmica e transgressora Feel Good Hit Of The Summer, está completando 10 anos. Já tinha visto algumas notícias por aí, dizendo que a banda tinha planos de lançar uma versão deluxe comemorativa e tal.

Vi hoje no Pitchfork que os planos foram confirmados. Vai rolar um disco duplo, sendo que o segundo será recheado de versões e lados B. Serei obrigado a comprar, até pra que minha coleção continue completa.



Abaixo, você fica com a Feel Good Hit Of The Summer, que reza a lenda ser a história da festança de ano novo de Josh Homme. Ele voltando no carro após 6 dias de estragação começou a relembrar todas as drogas que usou na comemoração. Aí saiu a estúpida e épica música que enumera em repeat as substâncias ilustradas na capa do single: Nicotine, Valuim, Vicodin, Marijuana, Extase, Alcohol e Co-co-co-co-co-co-caine. (clique na capa pra ver os detalhes).

 
 
segunda-feira, 21 de junho de 2010 | 17:31 - Por Zannin

Na pilha desse último post sobre a Susan Tedeschi, sai buscando coisas por aí e caí nesse post da Spinner feito semana passada pelo Steve Hochman.

A brincadeira que ele usa para falar da incrível session do Sr. Hancock no estúdio do casal Trucks-Tedeschi é a seguinte: na hora de assistir o vídeo tire o volume. Diz para repararmos bem nas expressões e na conversa de olhares que entre Trucks, Kofi (o tecladista de Trucks) e Hancock. Depois, assista de novo, com som.

O que vemos nesse registro é pura magia. Só quem já passou algum tempo no estúdio pode entender o quão mágico é um momento desses. Improviso solto, divertido e incrivelmente cheio de groove e feeling. Faltam até palavras em português para descrever.

Hancock gosta de parcerias e gosta justamente disso, de inventividade, criatividade e alegria na hora de tocar. No projeto Possibilities a brincadeira aconteceu com John Mayer. Lembro do video do registro, onde o lendário Herbie humildemente aceita todos os inputs que Mayer traz para o som e algo novo nasce dali.

Em Space Captain, música do novo projeto colaborativo de Hancock, a mágica acontece diante dos nossos olhos. É sensacional. De arrepiar os pelinhos do braço.

Abaixo o tal do vídeo. Preste atenção a partir dos 3:30.

 
 
terça-feira, 08 de junho de 2010 | 11:21 - Por Zannin

Quem passa sempre por aqui e acompanha pelos twitters dos 3 tontos das fotos ali do lado, já deve ter percebido que usamos a tag #Outros500 em alguns posts. Mas what the fuck?

Outros 500 é um projeto foda do Multishow, onde escolheram através de embaixadores, 500 colaboradores que geram conteúdo sobre música, viagem, cotidiano, humor e sexo. Todos esse conteúdos são agregados no site através dos twitters de todos os colaboradores.

Nosso convite veio através do amigão Maestro Billy, ex-macacaralhow, ex-pânico, DJ “som na caixa Caldeirão”, mestre sagrado dos podcasts e também autor do SFT MCHN, blog sobre remixes e mashups por quem realmente entende do assunto.

Nós 3 aqui recebemos um kit bacaninha explicando a coisa toda, e ainda uma credencial que nos dá acesso a eventos e gravações relacionados a música que o multishow produz. Geramos conteúdo, compartilhamos, ganhamos acesso, temos novas experiências, geramos mais conteúdo, compartilhamos mais ainda e por aí vai. Comunicação do jeito que eu gosto, do jeito que deve ser feita em 2010.

O site do Outros500 ainda está com acesso restrito, mas até o meio de junho ele estará no ar, e você ganha um novo lugar que reúne doses cavalares de informação, curadas ou geradas por gente muito boa como o próprio Billy, Alex Correa do ótimo Move That Jukebox, Pedro Leite – o maluco por trás do Porra Felipe!, a também chapa Bia Granja do Pix, a bela e antenada Renata Simões apresentadora do Multishow entre vários outros.

Abaixo o videozinho de boas vindas explicando um pouco da coisa.
Então guarde aí nos seus favoritos e fique de olho: http://www.outros500.tv/

 
 
terça-feira, 08 de junho de 2010 | 10:14 - Por Cotta

Conversando no MSN com o Zannin, fiquei sabendo de um novo vídeo da Nike que usa uma trilha feita pelo Andre 3000 do OutKast. E, curiosamente, a trilha é uma gravação dele pra divertida “All Together Now”, dos Beatles.

Claro que não é novidade dizer isso, mas acho muito do caralho como os Beatles são referência pra tudo, sempre. Poxa, os caras terminaram há 40 anos – QUARENTA!!! – e até hoje as pessoas recorrem a eles quando precisam de um gás criativo.

O mais legal desse filme da Nike é que não pegaram uma musica clichê dos Beatles. Pelo contrario, “All Together Now” é a faixa mais improvável que se poderia ter notícia. Mas, como seu próprio título sugere, ela tem tudo a ver com o clima do vídeo e traduz o espírito do esporte e das cenas.

Eu não gosto de OutKast e não tô nem aí pra esporte. Mas porra… ficou legal pracaralho!!! Assiste aí:

E pra quem nao conhece a original: http://www.youtube.com/watch?v=pq6nC9Fx35Q

 
 
segunda-feira, 07 de junho de 2010 | 23:37 - Por Cotta

Provavelmente você está olhando a capa desse disco e pensando: “Porra, Cotta!! Cantorinha americana, agora?!?!?!”.

Calma, calma.
A Fine Frenzy é uma banda americana, sim, e sua vocalista é uma cantorinha jovem e bonitinha, sim. Mas, nesse caso, as aparências enganam, e muito.

O nome da menina é Alison Sudol, e essa banda surgiu em 2006/2007 com um disco chamado One Cell In The Sea, que mostrava uma cantora ainda insegura e imatura diante de temas pretensiosos, e musicas bonitas mas meio sem direção.

Dois anos depois, este Bomb In A Birdcage veio provar que a menina cresceu e aprendeu a fazer musica boa. De americano, essa banda só tem o sangue, porque na boa… O som que eles fazem é um britpop tão bom ou melhor do que muitas bandas britânicas têm feito hoje em dia.

Conheci esse disco em outubro do ano passado e já vinha querendo falar sobre ele faz tempo, mas nunca tinha tido a calma e o tempo necessários para falar dessas musicas com a atenção que elas merecem.
Pode parecer exagero, mas às vezes o A Fine Frenzy soa como um Coldplay ou Travis (em alguns parcos momentos, ouso dizer até Radiohead) de saias, dada a sensibilidade e o tino para a melodia da bonitinha Alison. Do desenho da voz até os mais longínquos backing vocals, tudo é feito com muito capricho, e as peças em cada musica se encaixam com precisão como num quebra-cabeças de 5000 peças, que visto de longe parece mesmo um quadro ou uma foto impecáveis.

Aqui, cada audição é como um passo para trás na admiração do quebra-cabeças. Ouvindo pela primeira vez, as musicas de Alison e Cia. mostram a inteligência melódica que nos acostumamos a esperar de bandas consagradas, mas não chegam a emocionar. Algumas, no primeiro contato, parecem até ingênuas demais. Mas a cada nova sessão, o disco melhora, e você vai dando, sem perceber, mais passos para longe do quebra-cabeças. E o que fica na cabeça é a imagem completa, perfeita, sem remendos ou falhas.

E é essa a sensação boa de ouvir o Fine Frenzy. Cada repeat é mais satisfatório que o anterior, e de repente você se vê mergulhado no universo de Alison, enternecido com seus falsetes e suas melodias Coldplayanas, todas sustentadas por uma enxurrada de acordes menores que, por muitas vezes, fazem sua espinha arrepiar.

Se você não tem preconceito com vocais femininos, vai fundo. É pop, sim, mas é pop excelente. Aqui eu deixo de aperitivo duas das minhas preferidas do disco: New Heights e Elements. A primeira é uma aula de refrão e arranjo, com piano e baixo espertíssimos e nada previsíveis, da timbragem às ghost notes; e a segunda é um desabafo melancólico e confessional, carregado e denso, de alguém que acabou de se livrar de seu “greatest disaster”. Depois do segundo refrão, a catarse emotiva e a simples beleza da melodia afastam qualquer suspeita de superficialidade que a aparente adolescência da capa venha a sugerir.

Vai lá. Depois de ouvir umas 5 vezes, me diz o que vc achou.

 
 
 
 
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