Arquivo da Categoria ‘Final de Semana’
domingo , 15 de
agosto de 2010 | 23:25 - Por
Zannin
Primeiro deixa eu explicar. Esse post vai daqui pra lá e de lá pra cá, sendo “aqui” o B#9 ou o A Day in the Life e o “lá” o contrário disso mesmo.
Neste sábado fui com o Merigo conhecer a edição brasileira do Creators Project , um lance feito pela revista Vice com apoio da Intel. No mundo todo eles selecionam artistas de várias áreas, produzem mini documentários sobre moda, música, design, cinema, arte, games e fazem eventos em cada lugar que a revista é representada. Os eventos são uma mistura de galeria de arte digital, com baladinha e claro, experiência criativa do projeto.
Lá na Barra Funda, algumas instalações chamavam atenção, enquanto outras talvez fossem ‘artÃsticas’ demais pra serem chamadas de arte mesmo. Até aà ok. A idéia é muito mais reunir pessoas inquietas, criativas e dispostas do que exatamente fazer curadoria de fotos digitais.
Os trabalhos dos brasileiros, Muti Randolph (o cara que fez o projeto da balada mega velha que eu cheguei a ir há uns 10 anos “U Turn” e também do D-Edge) e do Ricardo Carioba (um painel de LEDs alucinante) foram de longe os visualmente mais impactantes, principalmente por trazerem obras que envolviam as pessoas. Por sinal essa é uma conclusão que tenho sobre praticamente todo o mercado artÃstico: é preciso sacar que as pessoas querem participar. (Se você já sacou, por favor continue sendo inteligente e não comente dizendo que isso é óbvio). As pessoas todas já compartilham e colaboram em toda e qualquer situação social (seja digital ou não) e temos inúmeros exemplos de iniciativas que trazem o público para um envolvimento muito mais ativo do que jamais tivemos, vide o projeto House of Cards do Radiohead ou jogos como Rock Band e Guitar Hero que fazem a experiência de consumir música um lance muito maior.
Outro pilar do projeto é o da criação coletiva, e em todas as edições do evento existe um momento da noite que um bando de gente se junta no palco e criam e gravam uma música em apenas 1 hora. Esse foi um dos momentos altos da noite. O chamado Pop Panel , recebeu uma menina linda da platéia, que foi lá e emplacou o refrão junto com Emicida , DJ Zegon , Mc Kamau e o maluco da Vice, Eddy Moretti . Pra quem nunca viu um processo como esses acontecendo, o momento foi sensacional. Disseram que a música estará disponÃvel para download lá no site, mas até o momento desse post, o som não estava por lá.
Além da parte das instalações, painéis e obras de arte digital, o evento recebeu o guitarrista, produtor e DJ Mark Ronson . Mark é um playboyzinho inglês, que há pouco mais de 10 anos vem trabalhando e se consagrando como um produtor extremamente importante e detentor da estética vintage-motown-retro nos sons atuais. Depois de ter produzido o mega boga disco de estréia da doidinha da Amy Winehouse , e também de uma extensa lista que conta com nomes como Lilly Allen , Christina Aguilera (o Back to Basics é um discão), Robbie Williams , Macy Gray , Estelle , Solange Knowles , Kaiser Chiefs , Adele e vários outros, o cara começou a fazer seus próprios discos e em 2010 lançou seu 3o trabalho: Record Collection .
Eu realmente não sei se o trabalho de Mark Ronson foi inteligentemente planejado para ser cirurgicamente acertivo com as inúmeras tendências de retro-pop-hype que só cresceram nos últimos anos, ou se ele é justamente um dos maiores geradores dessas tendências. O fato é que o som que o cara faz ilustra uma das regiões mais ricas do pop atual, e é responsável pelo nascimento de uma série de artistas que fazem música pop e moderna, mas que continuam mantendo vivas as origens musicais. Gente como Rox , Mayer Hawthorne e Codeine Velvet Club , que abusam de de cordas, metais, orquestras, instrumentos analógicos, equipamentos valvulados, enfim: a busca por fazer hoje o que era impensável se fazer no passado.
terça-feira , 20 de
julho de 2010 | 11:25 - Por
Zannin
Este que você lê, é o post número 100 desse espaço que permite falar um pouquinho do que nos move, um pouquinho de quem somos e um pouquinho do que a música representa para nós. Obrigado pelas visitas, comentários, tuites e apoio. É só o começo. Vamos ao post:
Um final de semana cinza e a nossa querida amiga internet faz com que assistir um filme e pirar em sua trilha seja algo fácil e totalmente transformador para a história daquela noite.
Ben Stiller é Greenberg , um judeu nova-iorquino, que acaba de se recuperar de um colapso nervoso e para mudar de ares, topa ir para Los Angeles cuidar da casa e do cachorro de seu irmão. Para qualquer eventualidade ele conta com a ajuda de Florence, assistente de seu irmão, que conhece o funcionamento da casa e fica a disposição e tal. Bom. Fácil pensar o que vai acontecer ao ler essa sinopse. E sim. Acontece.
A questão é que Ben Stiller surpreende, e confirma que todo bom comediante tira de letra papéis complexos e dramáticos. Neste, ele está magro, perturbado, beberrão e instável – e carrega com sutileza traços de um nova iorquino desacostumado com a California, e chega a lembrar Woody Allen em algumas brincadeiras com o judaismo.
O papel da Florence na história é fundamental. E talvez seja esse o link que tive com o filme. Uma história que tem tudo para acontecer, mas é extremamente complicada porque um dos dois está completamente fora do eixo. Obviamente não vou contar se a complicação se resolve ou não. Assista o filme.
E calma, não desista desse post. Vou falar de música. No filme, Greenberg é um cara que gosta de música e que no passado teve uma banda. Em Los Angeles, boa parte de seu processo de auto-conhecimento é reecontrar seus ex-companheiros e discutir seu passado.
Por isso mesmo o filme traz algumas inteligentes músicas em momentos muito especÃficos, como na sequencia de abertura que é inteira ambientada com Jet Airliner da Steve Miller Band e em todo o resto da trilha que foi encomendada ao James Murphy do LCD Soundsystem.
Cheia de barulhinhos, incriveis climas e um pouquinho de melancolia – que traduz a solidão do personagem – as músicas de James Murphy fazem do filme algo maior. É lindamente casado com a estética e com a fotografia.
O filme todo foi uma puta surpresa. A trilha, nem se fala. Vamos aos sons. Em primeiro, temos Please Don’t Follow Me do James Murphy, que foi a que mais me chamou atenção em toda a trilha. E depois, o trailer do filme.
sexta-feira , 07 de
maio de 2010 | 14:24 - Por
Zannin
No final do ano passado, Backspacer , o nono disco de estúdio foi lançado.
Uma surpresa que há tempos não tinha com uma banda. Pearl Jam dispensa apresentações né. São praticamente 20 anos de estrada. Isso tira qualquer pecha de rebeldia e qualquer referência datada da explosão do grunge . É seguramente uma das bandas mais sólidas e competentes que escutamos por aÃ.
Eddie Vedder parece só melhorar com o tempo. O arrasa-corações das meninas que hoje já são marmanjas, soa cada vez melhor, talvez pelo rasgar da voz vir junto com experiência e calma. Sem dúvidas uma das melhores vozes do rock.
Mas se acha que vai ser um disco calminho, não rasgue seus cupons. Backspacer é uma grandiosa demonstração das facetas da voz de Vedder e principalmente do amadurecimento musical do PJ. Pearl Jam é uma banda de rock e mostra isso com clareza na impressionante sequência de abertura. São 4 músicas rápidas, tanto na velocidade como na duração, cheias de energia e peso. Gonna See My Friend abre a brincadeira como um rápido soco no estômago. Got Some segue na mesma toada e abre o caminho pra The Fixer . Aà a primeira das diferenças desse disco. É uma música cheia de distorção, mas com inusitados e super bem inseridos teclados , o refrão é grudento e deve ser o maior gerador de momentos coletivos nos shows – que precisam passar por aqui. O clipe de The Fixer é foda e você vê aqui embaixo.
Depois de Johnny Guitar , pare um pouco e prepare-se. Acho que justamente por ser algo que não se espera do PJ, esse vira o ponto mais alto desse disco. Just Breathe , com o perdão do trocadilho, é de tirar o fôlego. Ainda bem que te lembra de respirar.
É uma música simples e até clichê. Tudo sobre o amor eterno e blá blá blá. Mas isso não é desdém. Ela se encaixa provavelmente em histórias de todo mundo. É daquelas músicas que parecem ter sido feitas pra você. E talvez tenha sido, não sei.
Calma e sutil, serve como um constante lembrete pra os donos de corações errantes. Temos que lembrar de dizer que queremos, que gostamos, sem o medo de parecer tolos.
Dizer sem medo. Que coisa dificil. Por mais durão, durona, cafa, resolvido ou resolvida que você seja, chega aquela hora que tudo aquilo que seus amigos acham coisa de bunda mole vai ser exatamente o que conduzirá suas vidas. Com a correria perdemos o hábito de dizer pra quem está perto de nós que são importantes. Também para aquela pessoa que pode ir ao céu por escutar que sim, que você a quer. Ou ouvir que é querido.
Depois de Just Breathe, você já está pego pelo Backspacer, mas não faltam razões para chegar ao final. Unthought Known , a paulada Supersonic , Speed of Sound – outro ponto alto (linda melodia), a linda Force of Nature e por fim, The End . O final do disco é isso, outro momento de acalento e de valorização dos little moments da nossa vida. Uma declaração de amor enquanto ainda há tempo.
Fique com a linda Just Breathe , lembre das coisas boas e pense no que vem de melhor por aÃ.
Bom final de semana.
terça-feira , 23 de
março de 2010 | 15:26 - Por
Zannin
Vou tentar fazer um formato diferente aqui. Se ficou uma merda, comente dizendo que ficou uma merda.
Trabalhei no final de semana. Então acabei ficando com o iTunes inteiro ao meu dispor, com horas e horas de discos completos atrapalhando meus vizinhos.
Comecei meu sábado com Passarim , o disco fundamental de Tom Jobim , o grande gênio brasileiro. 11 músicas. 41 minutos que mudam sua vida e o jeito que você escuta música. São camadas de vozes e pianos, homenagens a mulheres, cidades e ritmos. Inclassificável se formos falar de um só genero. A mais imperdÃvel das recomendações.
Segui o dia com a trilha do Crazy Heart , filme que deu Oscar de melhor ator para o Jeff Lebowski Bridges . Uma breve viagem ao country blues, que traz ótimas sensações para quem viu o filme (ótimo também). Vários clássicos e ótimas surpresas com as músicas do próprio Bridges. Vale ver e ouvir.
Depois, fui com o disco solo do Alex Chilton , guitarrista do fantástico Big Star , e falecido na última semana. Chilton define o rock n roll setentista. Mostra que era a alma do precoce Big Star e que ainda vai servir de influência pra muita gente. Discasso que não conhecia. Vi ali no Trabalho Sujo que inclusive postou muita coisa do Alex Chilton e do Big Star na última semana.
Continuei o sábado com She & Him , que é bonitinho mas não completou o momento, mudei pra Primal Scream e vi que precisava do feeling de volta. Fui de Susan Tedeschi – Hope And Desire , de 2005. Ela que é a esposa do Derek Trucks , já blogado por aqui, e é uma linda guitarrista ruiva, detentora de uma poderosa voz e que toca southern gospel blues com a intensidade que o estilo pede. Música de verdade.
Aà o shuffle por álbums me levou para Dear Catastrophe Waitress , com os inconfundÃveis Belle and Sebastian em 2003. Disco alegre, curto e sonhador. E ainda não eram nem 22.30. As próximas 2 horas foram também crédito do shuffle, que curiosamente me trouxeram o Dream Theater , justo no dia seguinte ao absolutamente fantástico show no Credicard Hall. Em casa rolou Six Degrees Of Inner Turbulence – um dos discos mais importantes da carreira do DT e um dos meus super favoritos, em seguida pulei para o meio do Awake de 1996 – disco que me fez descobrir a banda. Ao final, a própria ordem alfabética colocou Black Clouds and Silver Linnings , disco mais recente (também já falado aqui ) e que foi tocado quase inteiro no show da noite anterior. O show, mesmo com uma certa demora para começar e outra demora para acertar o som, foi fantástico. Além das esperadas do Black Clouds e de algumas mais recentes, rolou a sequência mais matadora que os fãs da banda podiam receber: Dance of Eternity / One Last Time / Spirit Carries On / Pull Me Under X Metropoli s. Acho que só teria explodido mais cabeças se tocassem A Change of Seasons . Fodão o show.
Na manhã de domingo comecei com o Pulse do Pink Floyd . Apesar de ser um relato de um show, tudo aquilo que o Cotta falou com maestria em seu post também está lá. Floyd é sempre uma viagem, sempre uma aula de rock n roll inteligente e sempre te coloca no lugar que você preferiria estar ao invés de continuar em frente ao computador.
Ontem e hoje meu fone está tomado por Jeff Buckley . Um daqueles artistas fabulosos que você não deu importância quando lhe foram apresentados e agora se arrepende de não saber tudo de cor a mais tempo. Jeff morreu afogado aos 31 anos em 1997. As letras e climas dos 2 únicos discos de estúdio, e as interpretações doloridas dos vários registros ao vivo, pareciam preceder um fim antecipado do cara. Todas as músicas tem tanto feeling, tanta dor ou tanto amor que uma morte comum não seria justa a um cara que viveu tão intensamente. Para conhecer, baixe o disco Grace , escute inteiro. Mas se precisa de indicações, fique com Grace , Lover, You Should’ve Come Over e Hallelujah . /tks Ju .
Aqui no fim, deixo então essa Lover, You Should’ve Come Over. Obrigado pela paciência