Depois da genial contribuição do LG e do Piccinini, e depois do leitor João (com seu texto brilhante), também recebi um email de um grande amigo falando sobre esse show que gerou tantos comentários e corações inflamados de emoção. Que dia pro A Day!
Publico aqui o email genial que recebi do grande amigo Fabio Barbanti.
“Embalado pela recente onda de posts em homenagem ao fantástico show que The Swell Season nos proporcionou na última sexta, resolvi dar a minha modesta contribuição ao seu blog musical.
Conheci a obra de Glen Hansard um pouco antes do artista estourar com o filme já mencionado. Em um de meus garimpos musicais, esbarrei em uma canção chamada Fitzcarraldo da banda The Frames, liderada pelo mesmo. Como é de costume quando me deparo com uma música que captura a minha atenção, corri atrás de tudo o que a mesma já tinha feito desde seu nascimento. E não é preciso ter aguçados poderes de dedução para concluir que, em pouco tempo, estava viciado no conjunto.
É claro que, como todos que já deram seu depoimento sobre o show de sexta, fui fisgado pela simplicidade e honestidade impressa em cada quadro de Once. Principalmente pelo carisma de Glen e a timidez comovente de Marketa. E é claro que me transformei em fã da banda que se originou desta empreitada.
Mas nada podia me preparar para o que me esperava nesta sexta. Na minha humilde experiência como espectador de espetáculos musicais, são poucos os shows que conseguem me surpreender. A grande maioria não passa de um registro ao vivo das músicas que ganharam o gosto popular. O artista entra, cumprimenta o público, faz o seu trabalho e se despede com muito profissionalismo. Não que haja algo de errado com isso, mas depois de um tempo, você anseia por algo que saia da curva da mediocridade.
Algo como o protagonista do espetáculo entrando no palco, sem dizer absolutamente nada, portando apenas um sorriso na boca e seu violão esburacado e cantando em tom de súplica uma oração rogando por um sinal divino. Tudo sem microfone, mas com uma força tão intensa que rever esta cena no vídeo postado pelo Zannin fez com que o pelos de minha nuca se arrepiassem de emoção.
Até mesmo quando se arriscavam a falar português, não se restringiam ao usuais “Obrigado” ou “boa noite” que já viraram chavões de artistas internacionais que põem os pé em terras tupiniquins. Eles se apresentavam, anunciavam o nome de suas músicas e até agradeciam ao público num nítido esforço para agradar sua platéia. “Vocês são foda”, urrou no final Glen Hansard. Mal sabe ele que, nesse exato momento, era exatamente essa a frase que passava pela minha cabeça.
E quando o assunto era a irreverência, outro fator que separa o artista de estúdio daquele que se destaca em uma apresentação ao vivo, Glen era imprevisível. Ele brincava com a platéia, elaborava sambas de improviso homenageando os motoqueiros de São Paulo, convidava o espectador para participar de um heavy metal composto pelo guitarrista quando tinha 8 anos de idade e até apresentava suas músicas de forma inusitada. Ao introduzir a canção Lies, suas palavras foram “This is a song about a person that speaks the truth about things that didn’t happen”. Brilhante.
Marketa era mais reservada, mas esbanjava meiguice. Seja na forma retraída como se dirigia ao público ou na precisão cirúrgica como interpretava cada canção, era impossível não ficar hipnotizado por sua voz impecável ou por seu olhar inocente. Sua interpretação de Cucurrucucu Paloma, de Caetano Veloso, foi estarrecedora. “We thougth it was Portuguese. It turns out it was Spanish. What do we know?”, disse Glen em mais uma demonstração de bom humor e simpatia.
Mas, no final das contas, o que mais chamou a atenção nesse espetáculo – e essa palavra nunca se encaixou tão bem para descrever um evento – foi a contagiante paixão que os integrantes dessa banda deixam vazar por seus poros enquanto estão se apresentado. Canções que costumam durar 4 ou 5 minutos ganham proporções épicas no violão incansável de Hansard, transformando-as em epopéias musicais que transbordam sentimentos. No final, notava-se que a intensidade de sua apresentação fora tamanha que uma corda não resistiu e se partiu. Mas Hansard não se importou e continuou atacando o instrumento com enorme fome. O público ignorou o ocorrido e vibrou com a entrega de seu artista que levava ao pé da letra o termo “The show must go on”. E tudo terminou com uma contagiante e divertida apresentação unplugged de toda a banda, inclusive do grupo brasileiro Os Varandistas, que abriram o espetáculo.
The Swell Season então se despede e nos deixa com uma amarga herança. Afinal, poucos serão os grupos que conseguirão igualar o que ficou para sempre marcado na história (se não na de São Paulo, pelo menos na minha). “E a corda que arrebentou”, alguns podem estar se perguntando. Parafraseando as sábias palavras do saudoso Armando Nogueira, a corda se escondeu em um canto e se corroeu de remorso.”
Antes de começar, queria dedicar esse texto pro grande amigo e irmão Fred Heimbeck, e agradecer aos meus outros 3 irmãos Zannin, LG e Piccinini pela companhia no show e pelos posts irretocáveis.
Depois desses 3 posts fodásticos, fica difícil achar algum elogio, alguma sensação, alguma emoção que ainda não tenha sido descrita, ainda mais por pessoas como as que já escreveram: todos apaixonados pelo filme e pelas canções, como eu. Todos nós estávamos reunidos naquela mesa pelo mesmo motivo: a identificação absurda e a paixão incontrolável por cada nota composta por Glen e Marketa para as músicas desse nosso – como bem disse o Zannin – filme de cabeceira.
Sobre o show: as expectativas foram mesmo superadas. Desde a abertura inesperada – e unplugged de verdade! – com a poderosa Say It To Me Now até o ápice final com Falling Slowly, os caras mostraram a mesma humildade, o mesmo talento, a mesma paixão em tocar que se vê no filme. E isso foi uma das coisas mais legais do show. Por vezes, parecia que você estava lá participando do momento deles, você não era simplesmente um público vendo uma banda. Era mais uma cena do filme, mais um episódio da vida deles que eles – acaloradamente – convidavam você para fazer parte.
Glen e Marketa são os mesmos do filme. Sem estrelismos, sem posturas de showbizz, sem frescuras. Estavam tocando como se estivessem na sala de casa. Só faltou eles oferecerem uma cerveja e um pratinho de queijos.
Glen é um show à parte. Feliz da vida, empolgado, excitado com o que faz, elétrico, o cara parece uma criança na distribuição de presentes de natal. Muito, muito, muito contagiante a performance dele. Você sai do show cansado de ver ele gastando tanta energia. Fenomenal, mesmo. Só depois de ve-lo ao vivo é que você realmente entende porque o violao fica naquele estado de destruição. É tudo fruto de um amor e um tesão infinitos pela arte de tocar violao. E Glen a executa com uma entrega que dá gosto de ver.
Marketa é mais contida, e tudo o que Glen tem de elétrico, ela tem de precisa. Cada nota do piano sai calculadamente, com a dinâmica e a duração perfeitas, incontestáveis. E a mesma precisão se reflete em seus backing vocals. É uma musicista erudita até no jeito de se portar.
Entre uma música e outra, comentários engraçados, histórias da banda, falas em português perfeito e até um samba improvisado na hora em “homenagem” aos motoboys de São Paulo, rs. Os caras são bons de verdade.
O show deles é mais legal do que outros shows justamente porque parece que você é um amigo de longa data dos dois. Você viu o filme, você conhece a história, você sente uma intimidade que não existe em outras relações ídolo-fã. Até porque eles são tão próximos que é dificil classifica-los de ídolos. Eles são, sim, dois seres humanos como nós, que sentem e que sofrem e que amam e que se entregam aos sonhos como qualquer um de nós faz – ou tenta fazer.
Lindo show. Um espetáculo de performance e, principalmente, de humanidade. Confira Falling Slowly no registro abaixo (feito pela minha querida Dani Mochida, namorada e companheira de todas as horas, todas as músicas e melhores momentos da minha vida). Uma aula de paixão pela vida e amor pelo que se faz.
Obrigado, Glen e Marketa.
Agora vocês já sabem o caminho. É só aparecer.
(Não é isso que a gente sempre diz pros amigos mais próximos?)
Você já parou para olhar sua estante de livros ou de discos? Já ficou girando o wheel do seu iPod só pra rever as bandas/artistas que você tem dentro dele?
Quando eu era menor, e as pessoas ainda carregavam Discmans na mochila ou cases de CDs nos carros, um dos meus hobbys favoritos era ficar analisando o conteúdo desses cases. E adivinhar algumas coisas sobre seus donos.
Sua coleção de CDs, ou seu case, ou seu iPod, dizem muito sobre você.
É muito legal fuçar os CDs de alguém e descobrir a personalidade dessa pessoa.
Uma vez eu lembro de ter ficado impressionado com a coleção de um amigo, que era composta basicamente de discos ao vivo. Um pouco de rock, um pouco de jazz, um pouco de música brasileira, mas só coisas ao vivo. Ele era fissurado pelos registros dos shows e não ligava muito pras gravações de estúdio. Por mais estranho que possa parecer, é uma coleção com conceito.
Outras que eu já me lembro de ter visto são aquelas que têm discografias inteiras de uma banda e só. Já vi coleções que só tinham CDs de trilhas de filmes, outras que só tinham coletâneas, todos os Best Ofs e Greatest Hits que vc pode imaginar, e nenhum album.
Eu acho isso um barato, porque vc saca um pouco da personalidade de quem carrega um case desses – ou carregava, ja que agora todo mundo tem iPod: a pessoa pode ser uma cinéfila, ou pode ser uma daquelas que adora os hits das bandas e isso já ser o suficiente pra ela. De qualquer modo, o legal é ela não precisar te dizer isso, e você concluir a partir das coisas que ela escuta.
Já “folheei” cases de CDs e listas de iPods que só tinham Axé e Funk Carioca. Tudo bem, é um direito da pessoa. E também diz muito sobre ela.
Mas fique alerta: se, num mesmo case de CDs ou no mesmo iPod, você encontrar um disco do Metallica e um da Ivete Sangalo, cuidado. Quem é eclético demais e diz que gosta de tudo, é porque não gosta de nada. Ou melhor, até gosta, mas não se importa muito e a música não passa de um mero item coadjuvante na vida desse cara.
O que, também não tem problema mas a gente lamenta por ele.
E você, o que tem na sua prateleira/no seu iPod? O que sua coleção tem a dizer sobre você?
Enquanto meu amigo Zannin conduz a pexeira pela mata das novidades e vai trazendo as referências do mais moderno aqui neste humilde espaço, eu hoje vou recorrer a uma pérola das antigas para mostrar que música nova se faz de música velha.
No bom sentido, é claro. O legal de bandas e artistas novos é justamente o que eles trazem no gosto musical e o que eles usam do antigo para temperar seu som novo e, assim, mostrar ao mundo do que eles são feitos.
E hoje eu vou falar um pouco sobre o meu disco preferido do The Who, o Who’s Next. Ele é tão sensacional e sempre se manteve tão atual que não seria exagero nenhum ele ser comparado a qualquer lançamento de hoje em dia, dado o frescor de suas idéias que permanence intacto mesmo 40 anos depois de lançado.
Pra mostrar como ele é atual, é só lembrar da versão de Behind Blue Eyes que a Limp Bizkit fez há alguns anos. OK, eu não sou o maior fã da versão, mas ela mostra que o Who é fonte de inspiração para músicos jovens de qualquer geração. Claro que isso não espanta a ninguém, afinal, uma banda que tem Pete Townshend e Keith Moon na sua formação clássica não podeira ter influenciado menos, mesmo, do que milhares de jovens mundo afora.
E se você acha que o legal do The Who era só a porralouquice do Keith Moon na hora de quebrar a bateria ou a do Pete Townshend na hora de esmigalhar a guitarra no palco, pegue o Who’s Next e relembre alguns dos motivos pelos quais esta banda é até hoje uma das mais importantes do cenário clássico do rock.
O Who’s Next mostrou pela primeira vez uma banda mais preocupada com detalhes em arranjos, e isso se deve à fissura de Townshend, na época, pelo aparecimento – e uso fortalecimento – dos sintetizadores. Não que isso signifique que o disco é um desfile de tapetes sonoros com timbres datados. Não, de jeito nenhum. Pelo contrário, os teclados aqui foram usados com sabedoria, e aparecem no disco inteiro como um ingrediente que completa a canção com aquele toque especial que faltava. E nunca como um intruso, um enxerido que só quer aparecer ofuscando o resto da banda (mal do qual padeciam quase todas as outras bandas dessa época).
E então, com esse refinamento em mente e com a criatividade a todo vapor, o The Who foi capaz de construir músicas do caliber de Baba O’ Riley, a já citada Behind Blue Eyes (cujos maneirismos vocais são praticamente uma declaracão de amor aos Beatles), We Won’t Get Fooled Again e The Song Is Over (uma “personal favourite”).
Daltrey estava em sua melhor forma, e aqui é possível sentir um grupo tocando em função do grupo, e não músicos tocando só para si próprios. É um espírito que todas as bandas deviam ter, em qualquer época, do tipo “Porra, olha o que a gente está fazendo!!!”, esbanjando orgulho e vontade de fazer algo realmente significante. E, mais do que só tendo vontade, realmente fazendo.
Ao mesmo tempo em que o disco é sutil, ele é poderoso e enérgico. É cheio de raiva e de paixão, é carregado com os mais extremos sentimentos, e ironicamente é um dos discos mais coesos de toda a história da banda.
Se você conhece, recomendo ouvir de novo. Se você ainda não conhece, recomendo ouvir agora. Tenho certeza que não vou precisar recomendar mais de uma vez, ele vai entrar pra sua discoteca básica assim como os mais novos, visionários e revolucionários discos que porventura possam ser feitos hoje.
O Who’s Next era tudo isso em 1971. E vai ser pra sempre.
Às vezes coloco o iPod no shuffle geral e ele me traz algumas surpresas boas. Sabe aqueles CDs que vc baixou e esqueceu de ouvir? Pois hoje o shuffle me lembrou dessa banda, a Scouting For Girls, que é ultrapop mas que tem um som bem bacana.
A música que o DJ shuffle colocou no meu dia é esta This Ain’t A Love Song. Popzaça mas com toques e idéias diferentosas e criativas – e um arranjo de cordas certeiro – ela tem de tudo pra entrar pro seu repeat. QUanto ao resto do álbum, ainda não sei dizer ao certo. Mas por enquanto vou ficando nessa faixa, e gostando.
Para aquecer a alma nesse dia gelado, uma das músicas menos conhecidas do REM, mas que para mim tem um significado especialíssimo. Half A World Away foi lançada no álbum Out Of Time, de 1991 (o disco que fez o REM estourar no mundo inteiro com Losing My Religion e Shiny Happy People) e é daquelas canções que sempre fizeram meu pensamento parar quando tocava.
Na época, eu tinha 13 anos de idade e esse vinil. Era viciado nesse disco, e não tinha a menor idéia de que ele iria me acompanhar por tanto tempo. Hoje, quando o escuto, volto praquela época e para muitas outras que vieram depois e que me fazem encher o pensamento de nostalgia e saudade.
Half A World Away – e o REM como um todo – têm um papel importante na minha juventude e na minha convivência com meu irmão (que hoje está “half a world away”). Ela me enche os olhos de lágrimas, e aquecem meu coração – especialmente em dias frios como esse, que fazem a gente sentir um pouco de saudade de nós mesmos. E hoje fico com ela no repeat, relembrando do seu arranjo singelo e emocional, suas cordas arrepiantes, suas vozes confortantes e sua letra melancolicamente confortante.
28 de julho de 2010. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu realizei um dos maiores sonhos da minha vida. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu vi, ao vivo, o Sir Paul McCartney.
Foi em Cardiff, País de Gales, Reino Unido que a magia aconteceu. A cidade – que deve ter mais ou menos o tamanho de um tabuleiro do Jogo da Vida e o PIB maior do que o da America Latina inteira – amanheceu radiante naquele Sábado. “Hoje tem show do Paul McCartney aqui!” dava pra ver a empolgação nos locais. E essa empolgação se refletia nos turistas, nos comerciantes, nos funcionários da estação de trem, nos quartos esgotados dos hotéis, nos avisos dos supermercados restringindo a venda de cerveja a 4 latas, no máximo, por pessoa. Afinal, tinha que ter pra todo mundo. Tinha que ser justo com todo mundo o dia mais importante do ano no Pais de Gales.
Chegando aos portões do imponente Millenium Stadium, eu ainda não conseguia me dar conta do que estava prestes a acontecer. Vi o show de abertura dos Manic Street Preachers (bem bom, por sinal) e não conseguia compreender que em poucos instantes eu estaria frente a frente com uma das lendas vivas do rock, com uma das personalidades mais emblemáticas do século XX, com um dos responsáveis pela maior banda de todos os tempos.
E, pelo visto, eu não era o único a alimentar essa ansiedade. O estádio foi enchendo pouco a pouco e, antes das 7 da noite, já tinha todos os lugares ocupados. Civilizada e irritantemente ocupados. Não dava nem pra tentar angariar um gargalo ou uma grade. Os seguranças europeus são implacáveis. Mas graças à minha querida Daniela Mochida (a quem credito esse dia inesquecível e os registros que você vai ver abaixo), meu lugar na segunda fileira do show estava garantido. E assim, mesmo com toda a rigidez galesa, eu tive a honra e o privilégio de contemplar Sir Paul a pouquíssimos metros de distancia. E testemunhar, finalmente, o espetáculo histórico de um musico lendário.
Telão. Videozinho de abertura. Burburinho ansioso toma conta do estádio. Roadies terminando de preparar o palco. Seguranças tomando suas posições. Máquinas fotográficas aquecendo seus flashes. E o coração do Cotta avançando pela garganta.
Luzes apagam. Palco acende. Público urra.
Entra a banda. Um por um. Ouvem-se os primeiros acordes das guitarras estridentes nos P.A.s gigantescos do estádio ultramoderno. Espinhas dorsais redefinem os valores da escala Richter.
Eis que então, surge no palco, ovacionado unanimemente, Sir Paul McCartney. Sorridente, acenante, simpático como todo ídolo deveria ser. Violão em riste e microfone a postos. E o show começa com Venus and Mars, clássico dos Wings, de 1975. E imediatamente depois, Jet. E o coração do Cotta já pedindo as contas no RH.
Se você pensar friamente, é só um “velhinho” de 68 anos tocando baixo. Mas de repente você olha pro palco e vê aquele cara. Aquele cara que fez parte da banda mais influente da história, que revolucionou o comportamento da geração dos seus pais, que produziu uma das obras mais sólidas e consistentes da cultura ocidental, que fez as musicas que você cresceu ouvindo e que definiram muito do seu caráter. E aí vc repensa e se toca de que está diante do cara que fez boa parte da trilha sonora da sua vida. E parece que passa um filminho na sua cabeça (aquela história clássica, só que por um bom motivo) que te faz voltar e entender de novo o porquê de aquilo ser tão importante pra você, e justamente o porquê de você estar ali onde você está, naquele momento. E aí cai a ficha: vc está vendo o Paul McCartney, porra!
E aí ele despeja aquela enxurrada de clássicos, só pra testar o quão forte seu coração é. Ou não é. Eu me segurei bem até começar Let Me Roll It, e daí em diante foi só choradeira. Soluço, mesmo. É impossível conter a emoção, e mesmo você já sabendo de cor tudo o que ele vai tocar… Poxa, é claro que você sabe que ele vai tocar Let It Be, você sabe que ele vai tocar Band On The Run, você sabe que ele vai tocar Hey Jude. E quando toca, é incontrolável.
O que você não sabe é que ele também toca I’m Looking Through You, Dance Tonight, Ram On, Obladi Oblada, Paperback Writer, A Day In The Life e Day Tripper. E o mais legal é que você olha praquela banda irretocável, aqueles músicos jovens e cheios de gás, e olha para o Paul… e vê que o Paul tem mais gás do que todos eles juntos.
O homem tem 68 anos de idade e toca com o tesao de quem tem 25. O homem faz um show de quase 3 horas de duração e não demonstra o mínimo cansaço. Ao todo, foram 37 músicas divididas em bloco principal e dois bises. E ele canta tudo, nota por nota, de Blackbird a Helter Skelter sem perder a voz. É de dar inveja.
Aqui embaixo vc vê um curto registro de I’m Looking Through You (cujo vídeo ficou meio tremido dada a empolgação!) e Let Em In (uma das minhas preferidas da carreira solo dele e uma das surpresas mais legais do show pra mim, um puta presente).
Os registros são simbólicos e importantíssimos, e capturam um pouquinho da emoção que foi estar lá vendo esse fenômeno que é o Paul McCartney. Se desse, teríamos filmado o show inteiro. Mas não tem problema, esses outros registros já estão pra sempre gravados na minha memória e no meu coração.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que a trilha sonora do The Social Network, o filme sobre o Facebook, tem essa versão absurdamente acachapante de Creep, do Radiohead? E qual não foi minha surpresa maior ao descobrir que essa banda é belga e é formada por meninas que cantam angelicalmente? E qual não foi minha surpresa ao descobrir que elas têm vários discos e estão juntas há mais de 10 anos?
Em 1954, Bill Halley e seus Cometas gravaram “Rock Around The Clock” e registraram o primeiro rock n roll da história, dando início a um movimento que se tornaria um dos mais fortes da humanidade até hoje.
Parabéns, Bill Halley, Little Richard, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Elvis Presley, Buddy Holly, Fats Domino, The Platters, Johnny Cash, The Beatles, Rolling Stones, The Who, Beach Boys, Moody Blues, Jefferson Airplane, Bob Dylan, Creedence Clearwater Revival, The Byrds, The Animals, The Doors, Led Zeppelin, Pink Floyd, Frank Zappa, Fleetwood Mac, The Kinks, The Mamas & The Papas, Mothers Of Invention, Simon & Garfunkel, Cream, Yardbirds, Blind Faith, Buffalo Springfield, Velvet Underground, Lou Reed, Jimi Hendrix, Aretha Franklin, Janis Joplin, Jim Morrison, Joe Cocker, Blue Cheer, MC5, Uriah Heep, Iron Butterfly, Small Faces, Nick Drake, Sly & The Family Stone, Jethro Tull, Jeff Beck, Fairport Convention, King Crimson, Stooges, Crosby Stills Nash, Peter Paul Mary, Derek & The Dominos, Yes, Emerson Lake & Palmer, Alan Parsons, Soft Machine, Van Der Graaf Generator, Aerosmith, ZZ Top, Bee Gees, Carole King, Joni Mitchel, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ron Wood, Allman Brothers, Rod Stewart, David Bowie, T Rex, Neil Young, Steely Dan, Stevie Wonder, Eagles, Alice Cooper, Roxy Music, Bryan Ferry, Genesis, Rick Wakeman, Mott The Hopple, Wings, Brian Eno, Supertramp, Queen, Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor, John Deacon, Bruce Springsteen, Kiss, Black Sabbath, Deep Purple, Ramones, Tom Petty, Peter Frampton, Peter Gabriel, Elvis Costello, Iggy Pop, Sex Pistols, The Clash, Thin Lizzy, Van Halen, AC/DC, Devo, Joy Division, Cheap Trick, Dead Kennedys, Echo & The Bunnymen, The Cure, Judas Priest, Talking Heads, Killing Joke, Motorhead, Red Hot Chilli Peppers, Bauhaus, Iron Maiden, Rush, REM, The The, U2, Dire Straits, The Police, The Smiths, Metallica, Beastie Boys, Sonic Youth, Megadeth, Slayer, Joe Satriani, Steve Vai, Yngwe Malmsteen, Depeche Mode, Sisters Of Mercy, Jesus & Mary Chain, Living Colour, Mudhoney, Faith No More, Public Enemy, Lenny Kravitz, Black Crowes, Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Screaming Trees, Alice In Chains, Pantera, Rage Against The Machine, Smashing Pumpkins, Blur, Travis, Manic Street Preachers, Stone Roses, The Verve, OffSpring, SmashMouth, Green Day, Foo Fighters, Garbage, Radiohead, System Of a Down, Incubus, Stereophonics, Coldplay, Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs, Kings Of Leon, Jet, Franz Ferdinand, The Killers, White Stripes, Raconteurs, Codeine Velvet Club, The Libertines, Them Crooked Vultures…
Não consigo evitar em postar mais uma pérola do fantástico Codeine Velvet Club aqui. O disco dos caras (e da mina) é absolutamente viciante e já faz algumas semanas que eu não consigo ouvir – muito – outras coisas. Fiz uma pausa para um show histórico na minha vida (post que publicarei em breve) mas acabei voltando pro Codeine como um dependente químico.
A bola da vez no meu repeat é Vanity Kills, uma pequena pérola pop-retrô que mostra uma banda exalando tesão em tocar e em fazer um som de qualidade. Desde os timbres das guitarras até a própria melodia, e passando por cordas e metais meticulosamente encaixados, a música tem um gosto vintage que gruda no seu cérebro e não sai mais.
Genialmente bem resolvida, a harmonia (e principalmente a ponte pro refrão) são as coisas mais bem feitas dessa musicaça. Vê aí, e aumenta o volume.
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