Thursday, 02 de June de 2011 | 11:33 - Por

Dar o play neste novo disco do Strokes é como apertar os cintos de uma máquina do tempo rumo a 1984. Tudo em Angles parece querer mostrar a todo custo que a banda está imersa na estética dos anos oitenta, e que é de lá que vêm suas mais recentes influências.

Basta olhar a capa. No meio da prateleira de lançamentos de qualquer loja, olhando de longe, parece que você está vendo um relançamento de algum disco antigo do David Bowie. Desde a fonte até as formas e cores, tudo é tão oitentista e tão nostálgico que chega a ser paradoxal o fato de este ser um dos lançamentos mais esperados do ano, de uma banda assumidamente moderna e referência de rock dos anos 2000.

E assim que a primeira música começa – a quase-reggae Machu Picchu – você já recebe um primeiro choque de sonoridade. Timbres sintéticos a dar com o pau, uma leveza típica de 30 anos atrás e a sensação de ter ligado o rádio do passado. Mas vamos lá: definitivamente, isso não é uma coisa ruim.

Os garotos são espertos, e não tem problema se quiseram temperar seu disco novo com um molho totalmente new wave. As músicas são boas e são essencialmente o clássico Strokes que todo mundo gosta, só que agora trazem um pouco mais de maquiagem. E é divertido ouvir coisas como Games ou Taken For a Fool e identificar elementos e timbres que parecem estar na sua cabeça desde sempre. A caixa da bateria é um dos exemplos mais gritantes, pra mim. Estalada e ardida, e ao mesmo tempo seca. Acho que, se esse disco for lançado em vinil, ele já vai vir com a capa amassada e meio arranhado. Ele já nasceu com cara de antigo.

O bom é que nem tudo é nostalgia em Angles. E as guitarronas vira e mexe voltam ao centro da cena, e na deliciosa Under Cover Of Darkness eles fazem questão de relembrar que ainda são os mesmos de sempre. Tem todos os elementos Strokianos que a gente adora: o bom-humor, as melodias malandrinhas e aquele refrão infalível.

Outros pontos altíssimos são Gratisfaction (se você não levantar da cadeira com vontade de dançar, ou se pelo menos você não bater o pé, é bom checar seus batimentos) e Two Kinds Of Happiness, com seu instrumental arrojado e esperto.

Angles pode não ser a volta triunfal que muitos fãs do Strokes estavam esperando. Mas com certeza é um excelente aquecimento.

 
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