O legal do Death Cab For Cutie é que eles têm o dom de soar sempre a mesma banda e se manter fiéis à sua própria identidade SEM ser repetitivos.
Neste recém-lançado Codes And Keys, há um frescor muito gratificante em todas as canções, embora você comece aouvir cada uma e, 5 segundos depois, chegue à quela conclusão de que “isso só podia ser Death Cab For Cutie†ou “nossa, isso é mesmo a cara delesâ€. E isso sem que essa reação seja ruim ou reflita alguma previsibilidade.
Não dá pra ser previsÃvel. Mas dá pra ser autêntico. E isso o Death Cab é, e muito. É engraçado você ouvir as novas (e excelentes!!!) Some Boys, Stay Young Go Dancing, You Are a Tourist e perceber que elas teriam tudo pra ser do Transatlanticism ou do Narrow Stairs, mas que ao mesmo tempo elas só poderiam ser do disco novo, só porque (e que bom!) elas trazem um tempero novo para um prato que já foi servido antes. E é essa diferença que faz de cada álbum deles uma experiência nova, e não a repetição da mesma receita. E é por isso que eles são uma grande banda.
Portable Television, por exemplo, à primeira audição, não soa em nada como uma música que teria a cara deles, mas à medida que você vai cavando as camadas da faixa, você percebe que todos os maneirismos deles estão lá presentes. Como acontece em I Will Possess Your Heart, do fantástico Narrow Stairs, os instrumentos trabalham em função da melodia, e de uma forma diferente do que geralmente acontece em música pop. Aqui, o piano é uma extensão da melodia, e não um tapete harmônico para que ela desfile em cima. O mesmo acontece com quase todo o trabalho de guitarras do disco. Ao invés de riffs marcantes, elas vêm para traduzir a melodia em outras linguagens, e então faz-se um diálogo voz/guitarra delicioso de se escutar. E de entender.
Ben Gibbard e Nick Harmer, os principais autores da banda, poderiam muito bem deitar-se nos louros das glórias passadas e aproveitar o respaldo que têm de seus fãs para embarcar em mais um disco de releituras de si próprios. Mas se eles tivessem esse tipo de atitude, provavelmente não teriam chegado a este sétimo disco.
E – para uma banda tão criteriosamente elegante como essa – isto não é pouca coisa.
