Monday, 09 de May de 2011 | 16:30 - Por

Imagine que você é o Freddie Mercury, e que hoje é um dia como qualquer outro, só que em 1976. Você e sua banda foram responsáveis pelo single mais bem sucedido do ano passado e pelo disco que transformou sua banda nA banda mais comentada do planeta. Você foi capa de todas as grandes revistas e jornais de música do ano passado (e de muitas deste ano) por conta do fenômeno em que sua música Bohemian Rhapsody se transformou. Você conseguiu fazer de um pequeno épico de 6 minutos o terceiro single mais vendido da história da Inglaterra. E agora você tem que começar a preparar material para o álbum seguinte ao estrondo mundial que foi seu álbum anterior.

Você tem um problema.

Você se junta com Brian May, Roger Taylor e John Deacon e debate com eles. Vocês percebem que têm nas mãos a quase impossível tarefa de fazer um álbum que supere o A Night At The Opera, tanto em termos de qualidade como de expectativa de seu público.

E então, o que você faz?

Transforma o novo disco numa espécie de continuação do primeiro e repete o sucesso estrondoso. Desde o conceito do batismo do álbum (A Day At The Races também é o título de um filme dos irmãos Marx, assim como em A Night At The Opera) até a mistura de heavy metal com poderosas e emocionais baladas, você e sua banda fazem um discaço que por pouco não supera o anterior. E, assim, deixa seus milhares de fãs respirarem aliviados, deixa sua gravadora respirar aliviada, e você também respira aliviado, porque conseguiu provar para o mundo inteiro que sua banda manteve o alto nível das expectativas. E aí você olha para o disco que acabou de fazer, se espanta e diz: “Meu Deus, olha o disco que eu acabei de fazer!!”.

E você realmente pode se gabar disso, pois apelou pracaralho e conseguiu humilhar as outras bandas mais uma vez. Você e seu coleguinha Brian May fizeram duas das mais impressionantes tapeçarias vocais que músicas de rock já tiveram a honra de ganhar, com You Take My Breath Away e Millionaire Waltz (uma valsa deliciosamente rock n roll). Você, mais uma vez, se atreveu a fazer uma das músicas mais simples e ao mesmo tempo mais icônicas do século XX com sua Somebody To Love. Sua música vai virar um hino, espero que você saiba disso.

Seu amigo John Deacon botou as asinhas de fora outra vez (como se não tivesse ficado satisfeito com You´re My Best Friend) e colocou You And I nesse disco novo de vocês. Covardia.

Você e seus amigos vão ouvir muita gente falando bem do disco novo, pode ficar tranqüilo. Claro, sempre vai ter aquele chato criticando, fingindo que entendeu e que sabe tudo, mas que na verdade falou qualquer coisa só pra não dar o braço a torcer. Relaxa. Quem gostou do disco novo de vocês hoje já sabe do que está falando. Parabéns.

 
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