
Eu sou fã de Foo Fighters. Já falei um monte de coisas aqui sobre o processo desse disco, que arrisco dizer, será o melhor de 2011 em 80% das listas de melhores do ano.
Desde o lançamento do show no Wembley Stadium a banda pulou pra um nÃvel que poucas bandas até hoje alcançaram. Quando você percebe a idéia da coisa, a mistura do peso do som, com a intensidade dos gritos, a raiva contida nos refrões, mas sempre com histórias boas por trás das músicas, saca que a banda não é qualquer coisa.
Quando Dave Grohl, suado, barbudo, com um copo de cerveja na mão, para o show e fala pras 80 mil pessoas que estavam ali sobre o propósito do trabalho, sobre a felicidade de ter o privilégio de fazer aquilo da vida, e com lágrimas nos olhos saber que o trabalho que ele resolveu fazer depois do final abrupto do Nirvana, não restou mais nenhuma dúvida de que aquela banda mudou o curso da minha história com o rock. É de verdade, feita por gente de verdade, e é uma das poucas bandas de rock que te fazem gritar e se emocionar sem muito esforço.
Depois desses primeiros meses do ano, em que todo o warm up para Wasting Light aconteceu, me vi rapidamente viciado em Foo Fighters. Com maestria, soltaram riff por riff e melodia por melodia, pedacinhos do que seria a melhor surpresa que um fã pode ter: um sétimo e incrÃvel disco de estúdio da banda que você gosta.
Wasting Light é uma aula em todos os aspectos. Do ‘Fan Marketing’ a ‘School of Rock’. Uma aula de estética sonora e produção, gravado em fita numa garagem e sem o uso de computadores. É um soco no olho dos músicos chatos que insistem em culpar a internet pela decadência do mercado musical. Ta aà um exemplo claro de uma banda que grava em old-fashion e sabe usar essas ferramentas novas em seu favor.
E é por isso que o suposto disco mais pesado da carreira da banda não lhe agride os ouvidos mas te provoca como há tempos o rock não te provocava. A mistura do peso das guitarras com refrões melódicos e grudentos fazem qualquer pessoa não querer tirar o disco do carro e ouvi-lo de cabo a rabo todo dia, decorando todas as músicas em menos de uma semana.
Clique no play aà em cima e vamos na ordem, que é assim que tem que ser feito. Bridges Burning é o começo da hipnose. Riffão, bateria pesada correndo com o andamento, parada e berro: These are my famous last words! A música vai crescendo e mostrando o que o domÃnio de teoria vira na prática. Dinâmica. Muita dinâmica. Refrão incrÃvel, que conecta sua cabeça aos teasers que já rolaram e já te dão automaticamente uma sensação de já gostar daquilo há muito tempo.
Daqui pra frente meu amigo, não pare esse disco no meio.
A seqüência vai pra Rope, que pela estratégia do lançamento, te deixa em casa. Você já conhece essa, já sabe que é boa, e ouve feliz dentro do contexto. E subitamente entra Dear Rosemary, uma balada com jeito de anos 90 que reflete sobre a vida e conta com a participação de Bob Mould, vocalista do extinto Hüsker Dü. Na seqüência, sem respirar muito, vem White Limo, que apesar de adorar, acho que é a música que tem menos a ver com o produto final do disco. Houve uma ousadia que na minha opinião, não trouxe o melhor resultado. O overdrive na voz de Grohl mascara o que é a identidade do Foo Fighters, mas vale como uma bela aumentada na tensão do disco, preparando para o alivio da próxima.
Arlandria é um rock americano com refrão de balada, e que segue a receita que conduz esse disco: dinâmica. Mais cedo nesse domingo, empolgado com o discasso, eu e meus companheiros de banda resolvemos tirar 3 músicas desse novo registro, sendo Arlandria uma delas. Ao enxergar essa música com outro enfoque, ficando de olho no mapa e prestando bastante atenção para gritar com a intensidade certa na hora certa, percebi as leves mudanças que as palavras ganham a cada segundo de música que se passa, e entendi o que esse disco se propôs a fazer. É uma viagem de altos e baixos, quase que bipolarmente musical.
E ainda no assunto bipolar, chega These Days, sexta faixa e uma das minhas favoritas. Basicamente, uma melodia alegre pra um monte de merda que dá na vida da gente, sugerindo que você as aceite. Mas não. Fodam-se os otimistas. hahaha. Puta música boa, que segue com Back & Forth, que parece uma continuação do pensamento da anterior. Traduzindo, essa música podia até ser do Sérgio Malandro (algo como “to querendo um pouco de vai e vem com você”) mas é genial. Soa como o Foo Fighters bem humorado do começo da carreira, e já imagino um clipe daqueles de historinha que todo mundo vai adorar ver.
Por sinal nesse disco deu pra perceber que algumas marcas do Foo Fighters se transformam em receitas. Se pegarmos a estrutura da músicas, em quase todas o 2o verso vem grudado no refrão, o que é um modelo de produção muito usado em música moderna, que te faz ficar com a melodia grudada e nem perceber que já chegou a vez dele de novo.
Agora vamos para a oitava música, e o disco não perdeu fôlego mesmo entrando num campo menos animado. A Matter of Time e Miss the Misery funcionam como uma suite de esperança, essa segunda usando uma base fantástica de guitarra com acordes cheios e sem distorção, bem anos 90 (inspiração absoluta do álbum) mas com vocais incrivelmente atuais.
A penúltima, I Should’ve Known, é provavelmente a música que mais pegou. Pela intensidade, pelo meu momento pessoal, pelas minhas referências. É curiosamente a música mais criticada por aÃ, mas eu nem ligo. Essa teve a participação do Krist Novoselic também ex-Nirvana, num encontro que demorou bem uns 20 anos pra acontecer. Eu sou particularmente ativado por coisas viscerais, e essa traz aquele grito preso na garganta, o mesmo que Best of You enfiou na nossa cara no In Your Honor de 2005 (o “white album” do Foo Fighters).
O álbum fecha com Walk, que tem mesmo cara de fim de disco e um ar meio conclusivo sobre todas as histórias que você acabou de ouvir. Learning to walk again, I believe I’ve waited long enough… é meio isso, e é fantástico.
Então depois que você escutar ele inteiro e com o volume alto no seu fone, passe aqui e leia tudo isso de novo.
O que fica pra mim do Foo Fighters em 2011:
- Wasting Light > Fodão
- Venham pro Brasil por favor!
- Obrigado por fazerem isso pelos fãs.
- Liberem logo o Documentário pra baixar.
- Não fiquem mais 3 anos sem gravar.
Long live Foo Fighters. Long live Rock n Roll.
