
Em 1991 eu era moleque e estava começando a me interessar e a me dedicar mais profundamente ao rock n roll. Comecei a fuçar bandas antigas, a vasculhar o catálogo dos anos 70 e a descobrir todos aqueles discos fundamentais do rock, que então viriam a fazer parte da trilha sonora da minha vida.
Os anos 70, para mim (que estava nos anos 90) pareciam muito distantes. Imaginar que o disco que eu estava descobrindo hoje tinha sido feito 20 anos antes era estranho. E era legal a sensação de ouvir algo feito muito antes de eu nascer.
Hoje, em 2011, re-ouvindo coisas feitas em 1991, eu penso que “20 anos atrás” parece ontem. Impressionante como a impressão muda, mesmo sendo o mesmo intervalo de tempo. Esquisito demais lembrar com precisão e riqueza de detalhes algo feito há duas décadas. Estou mesmo envelhecendo.
Em 91, o Nirvana lançou o Nevermind. O Pearl Jam lançou o Ten. O Alice in Chains se consagrava com o Facelift, que trazia Man In The Box. Juntas, essas bandas (e mais o Soundgarden, Mother Love Bone e Mudhoney, só pra citar algumas) colocavam Seattle no mapa do rock e dominavam o mundo (jovem, pelo menos) com seu então novo movimento grunge. Depois, membros de todas elas se juntaram para fazer o Temple Of The Dog, um projeto paralelo que caiu nas graças das paradas com seu hit Hunger Strike.
Em 91, o Live apareceu como uma das grandes revelações do ano, com seu Mental Jewelry rendendo pelo menos 3 hits bombásticos (e que tambĂ©m nĂŁo saĂam do Disk MTV): Pain Lies on The Riverside, Mirror Song e Operation Spirit. O Mr. Big conquistava os corações adolescentes com To Be With You, que fez o álbum Lean Into It disparar para o topo das charts pop/rock do mundo todo. Surgia o Spin Doctors, com seu vocalista esquisito e seu refrĂŁo pegajoso de Two Princes. E o bonitĂŁo Sebastian Bach tirava o fĂ´lego das menininhas quando aparecia Ă frente de seu Skid Row, berrando e fazendo caretas em Slave To The Grind.
Em 91, o Blur começava a aparecer no cenário inglês e antecipava o ressurgimento da glória do pop britânico. Só faltariam mais 2 anos para que o Oasis também surgisse e as duas bandas protagonizassem a rivalidade mais legal da década, gerando discos e singles absolutamente primorosos e, já, clássicos.
Em 91, o Metallica e o Red Hot Chilli Peppers – duas bandas de longa estrada – conquistavam uma então inédita glória internacional. O álbum preto do Metallica praticamente botou em primeiro lugar quase todas as suas faixas (Enter Sandman, Sad But True, The Unforgiven, Nothing Else Matters, Wherever I May Roam e por aà vai), e o Blood Sugar Sex Magik apresentava para o resto do mundo aqueles jovens californianos engraçados e funkeiros de dar inveja. Give It Away e Suck My Kiss eram explosivas, e Under The Bridge virou um clássico imediato, e estampou sua introdução na cabeça e no sangue de todo o planeta.
Em 91, perdĂamos o grande Freddie Mercury, um dos maiores vocalistas de todos os tempos. E entĂŁo o Queen lançava seu Ăşltimo disco de material inĂ©dito: o instigante Innuendo.
Em 91, o U2 se transformava em uma das maiores bandas de seu tempo com o lançamento de Achtung Baby, que ecoou mundo afora com suas incrĂveis e inspiradas Even Better Than The Real Thing, One, Zoo Station e Misterious Ways.
Em 91, a ainda respeitável Guns N Roses estremecia o mercado fonográfico realizando um feito inédito: o lançamento simultâneo de DOIS álbuns DUPLOS. Use Your Illusion volumes 1 e 2 viraram um fenômeno mundial e emplacaram hit atrás de hit: Don’t Cry, November Rain, Civil War, You Could Be Mine, Yesterdays, Knocking On Heaves Door, Garden Of Eden, Live & Let Die… Ufa. Axl Rose e Slash eram os maiores rockstars daquela época, e o Guns era a banda preferida de 10 entre 10 jovens.

Em 91, aqui no Brasil, o TitĂŁs lançava seu Ăşltimo disco com Arnaldo Antunes: o inquieto e escatolĂłgico Tudo Ao Mesmo Tempo Agora. Os Paralamas lançaram Os GrĂŁos e tiveram dois grandes hits: Trac Trac e Tendo a Lua. Rita Lee, nossa tia roqueira, flertava com a bossa nova em seu aclamado Bossa N Roll, que lotou casas de shows no PaĂs inteiro. Um dos maiores sucessos dela nessa Ă©poca foi Perto do Fogo, parceria com Cazuza, que morrera um ano antes. E no lado mais heavy metal do nosso mercado, o Sepultura fazia bonito aqui e na gringa com seu Arise, disco de Dead Embyonic Cells, cujo clipe batia cartĂŁo na MTV Brasil em horário nobre.
Tudo isso aconteceu há 20 anos. Hoje, pra mim, parece que foi ontem. E você, do que lembra dessa época?
