Um dos maiores fenômenos da música americana (e da música popular do século XX) é, sem sombra de dúvidas, o Frank Sinatra. Conhecido e aclamado mundialmente como “The Voiceâ€, o homem não era brincadeira.
Não vou nem entrar no mérito da vida pessoal de Francis A., pois todo mundo sabe que ela foi bastante turbulenta. Me restrinjo mesmo ao talento vocal do homem, o que já serviria de assunto para escrever um post do tamanho do Novo Testamento.
Em 1966, Sinatra já era mais do que consagrado. Na ativa desde os anos 40, ele já tinha lançado alguns de seus discos mais importantes e já tinha gravado com todos os principais arranjadores e músicos de jazz do cenário americano (Nelson Riddle, Billy May, Quincy Jones, Count Basie, Duke Ellington, só para citar alguns). Cenário americano que vinha sendo cada vez mais ocupado pelo rock n roll. O rock estava invadindo tudo: Bob Dylan acabara de lançar Highway 61 Revisited e Blonde On Blonde (dois de seus maiores e revolucionários discos), e os Beatles desafiavam tudo de novo com Rubber Soul e Revolver. A competição estava acirrada.
Mas Frank Sinatra era uma entidade e não precisava se preocupar com explosões de novos movimentos ou Ãdolos. Era uma “briga†boa, no bom sentido. E em plenos anos 60 ele sabia como ninguém conduzir sua carreira e continuar reinando no território que sempre reinou. E, assim, That’s Life trazia – além dos tradicionais recheios de metais, cordas e coros – pesos pesados em blues (como a faixa-tÃtulo) e em performaces vocais invejáveis (sua marca registrada) como a perolaça You’re Gonna Hear From Me.
Não importa se você não é fã de jazz ou se você não conhece muito a obra dele. Em That’s Life, o cara simplesmente humilha.
E é isso que importa.
Música boa é música boa em qualquer época.
