Bom esse é um post já quase que lenda sobre o espetáculo LOVE em Las Vegas. Quem foi e resolveu contar pra nós é o Marcos Piccinini, que já falou aqui também sobre o show do Franz Ferdinand em março de 2010.
Leia o texto, escute o Love e entre no site de viagens de sua preferência.
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Se você não está construindo um hospital para crianças, pare o que está fazendo, vá para Las Vegas e veja Love do Cirque Du Soleil. É mais importante. Aliás, dependendo das crianças, o hospital também pode esperar.
Eu fui. Tenho o ingresso para provar. Guardei direitinho, caso São Pedro peça para ver antes de abrir o portão.
Antes de mais nada, algumas premissas.
Quem lê este blog sabe que aqui são todos fanáticos por Beatles. Claro que quando eu digo todos eu posso não estar falando de você. Mas, se não estiver, eu nem queria falar com você mesmo. Você não gosta de Beatles, você tem problemas. Cuide-se.
Brincadeiras à parte, eu consigo imaginar alguns possÃveis nÃveis de relacionamento com o quarteto de Liverpool. Digamos:
1 – “adoro”
2 – “gosto, gosto muito”
3 – “até que curto”
4 – “não gosto de ouvir / enjoei, mas respeito”
Existem as pessoas que falam que Beatles eram ruins. Vou falar o mais racionalmente possÃvel: essas pessoas não sabem do que estão falando. Os caras que mais odiavam os Beatles nunca deixaram de respeitá-los. Se alguém lhes falta com respeito, se alguém deixa de admitir sua importância e sua magnitude no mundo da música, então esse alguém é quem não merece o menor respeito. Já escrevi até demais sobre estes.
Se você é inteligente, minimamente culto, sabe ler e se encaixa em qualquer descrição das enumeradas, vamos falar mais sobre você. Você merece.
O Love não é feito só para quem é adorador do Fab Four. Eu iria até um pouco além: o Love *não* foi feito para quem é fanático por Beatles. Para estes, há um problema fisiológico: com 30 segundos de show, eu, no controle total de meus 28 anos, comecei a chorar. Muito. E eram só 30 segundos. Ao final, contadas, foram 7 crises desesperadoras de lágrimas. Minha esposa (sim, eu ainda sou casado) tentava ajudar falando coisas. Não me lembro de nenhuma delas.
Não vou aqui nem tentar ser pontual, fazendo análises faixa-a-faixa, instrumento-por-instrumento, mood-after-mood, como meus queridos anfitriões. E não faço porque não consigo. Eu sai de lá com uma nova perspectiva sobre o que os Beatles podem fazer, o que a música pode construir. Isso porque não era só Beatles, e não era só Cirque Du Soleil, e também não era só os dois juntos. Aquilo era algo. Eu passei 28 anos ouvindo as músicas, e achei que lá eu as *veria*.
Foi mais. Eu vivi cada uma delas.
Se querem menos abstração e um pouco mais de ceticismo, eu me lembro de “Fools” on the hill, lembro da Rainha, lembro das sombras e vozes dos quatro. Lembro do menino de Liverpool sonhando, sua diva morrendo e A Day in The Life. Lembro do Bombeiro e a Menina, e imediatamente lembrei de Bêbado e Equilibrista. Lembro de bolhas de sabão, de velas, de bandeirões de estádio, de rosas, de pétalas. Lembro que um dos turbilhões de lágrimas foi com Back In The U.S.S.R., para se ter uma idéia como eu estava facinho.
Nada faz sentido? Bem, o trailer está aÃ. Mais para provar que o que eu estou escrevendo faz sentido e menos para assimilar qualquer coisa.
Dois resumos desta zorra:
(o curto)
Quando eu era pequeno, eu perguntei para o meu pai o que levava milhares de pessoas a construÃrem algo como uma igreja, um lugar vazio, em busca de algo que eles não SABIAM se valia a pena. Ele só me respondeu que isso era a fé, essa é a parte inexplicável.
Pois assim como orações, as músicas que eu ouvi são repetidas e entoadas no mundo inteiro há décadas. Tudo o que fizeram foi construir um templo, criar o rito. O que eu vi foi uma missa. E agora eu acredito ainda mais.
(o curtÃssimo)
… in the end, the love you take is equal to the love you make.
