
Nunca vou me esquecer da primeira vez em que ouvi Paranoid Android.
Foi com certeza um dos momentos mais hipnotizantes da minha vida. Durante 6 minutos eu me fechei numa bolha e nada do que acontecia no mundo lá fora me interessava. Estava sendo conquistado pela maior obra-prima que o Radiohead já foi capaz de conceber.
A música é tão original, mas tão original que é impossÃvel não ceder à genialidade de seu compositor, o esquisitão e depressivo Thom Yorke. Seu timbre de voz é capaz de trazer arrepios na espinha dos mais insensÃveis ouvintes de rock e algumas de suas idéias musicais são tão revolucionárias quanto à s mais ambiciosas músicas dos Beatles ou do Pink Floyd (aliás, duas influências confessas do compositor).
A já citada Paranoid Android é um mergulho no subconsciente de Yorke, e uma viagem alucinante pelos mais tortuosos caminhos da melodia.
Ouvi-la é uma experiência inenarrável. Linda de morrer, angustiante, nervosa, barulhenta quando precisa e surpreendentemente criativa, essa pequena maravilha do britpop começa despejando as lamúrias de um sujeito perturbado com o mundo, numa jornada de altos e baixos em ambientações sonoras tão ricas que fazem você se sentir o protagonista da letra.
E o final é maravilhoso. Denso, carregado e grandioso, com aquele inteligente diálogo de vocais que desenha um cenário sombrio, mas ao mesmo tempo esperançoso. “Come on rain down me, from a great height… God loves his children.†É de uma beleza lacrimejante.
E, como se não bastasse esta pérola, OK Computer tem pelo menos mais umas 6 ou 7 faixas arrebatadoras. O inconfundÃvel riff de Airbag abre as portas deste misterioso e instigante álbum, e prepara seu ouvido para a chegada de pérolas como “Let Downâ€, “No Surprises†e Karma Police. Esta última, em particular, uma das mais poderosas baladas do Radiohead, tão grandiosa quanto Fake Plastic Trees, do disco anterior (o aclamado The Bends).
Climbing Up The Walls é um raivoso protesto à maneira cega e quase escrava com a qual o homem se entrega à tecnologia, e The Tourist é o lamento final. Um manifesto emocionado e sincero, onde Thom Yorke pede para você abrir os olhos e perceber que a vida é muito mais do que a correria do dia-a-dia e o desespero contra o relógio. “Hey man, slow downâ€, ele implora com um grito incontido.
Catorze anos depois de seu lançamento, este CD ainda soa revolucionário como nunca e já se enquadra no seleto rol de “discos mais cultuados de seu tempoâ€.
Se você nunca escutou, não se preocupe. Daqui a 10, 20 ou 30 anos, as pessoas ainda vão falar muito sobre OK Computer.
