Friday, 17 de December de 2010 | 17:49 - Por

Mais um post do Saulo, talvez um dos amigos-leitores que mais sacaram a proposta do A Day in The Life. E como sempre, portas abertas para escrever. Olha só o dessa vez:

Meu avô amava cozinhar.

Num misto de prazer por agradar a família e respeito no ritual de uma receita, ele gostava de dar dicas. Todas muito simples. “Cozinha” para ele significava azeite, sal, alho e cebola. Poucos ingredientes. Poucos temperos. Muito sabor. Ele sempre foi sinônimo de simplicidade para mim. O “menos é mais” levado ao pé da letra: na cozinha, no trabalho… e na música.

Talvez por isso, artistas como Steve Vai (Solo), Satriani (Solo), Mike Portnoy (Dream Theater) ou Les Claypool (Primus) nunca me impressionaram. Respeito a técnica e o trabalho, mas a virtuose não me diz nada. É um prato com azeite, alho, cebola, coentro, salsinha, manjericão, dedo-de-moça, sal e curry. Muito temperado para o meu gosto pessoal.

Como baterista amador, sempre me surpreendi com os artistas mais viscerais, não com os virtuosos. E esse é o caso de Brian Blade. Um baterista de 40 anos, nascido na Louisiana. Filho de pastor, cresceu respirando música na igreja. Com 18 anos, se mudou para New Orleans e começou a escutar Coltrane, Parker, Miles, Art Blakey e Monk. E aqui nasce o gênio. Sua primeira gravação em estúdio aconteceu com o Kenny Garrett e o Joshua Redman. E de lá para cá, gravou 9 discos do Redman, 3 do Wayne Shorter (uma das últimas lendas ainda vivas do Jazz), além de 6 álbuns solos.

Aí você me diz: “- Pô… disco solo de baterista é um saco!”
Às vezes é sim.

Mas Brian Blade sabe do que é capaz, e não quer mostrar isso o tempo inteiro. Só mostra alguma coisa quando é realmente necessário. Esse é o tipo de baterista que se preocupa com a música “no todo”, e não com viradas impressionantes. A prova disso é o próximo disco que você irá comprar: “MAMA ROSA”. Um trabalho com o selo da Verve, onde, além de tocar bateria, Blade também cantou. É um trabalho em homenagem a avó dele (Rosa), que me faz lembrar do meu avô: pouco tempero, muito sabor.

E em homenagem ao Cotta, o disco ainda tem um cover do Milton Nascimento, “Irmão de Fé”… ou nesse caso, “Faithful Brother”

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3 comentários
 
  • 1. Cotta
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