
Todo gênio tem uma obra-chave no portfólio: Michelangelo tem a capela Sistina; Van Gogh tem a “Noite Estrelada”; Salinger tem “O Apanhador no Campo de Centeio”. E Sonny Rollins tem o álbum “The Bridge”.
E para entender o significado e a importância desse trabalho, é preciso conhecer a história por trás da concepção. Sonny Rollins, saxofonista (tenor e soprano), é um dos poucos músicos da história do Jazz que teve uma ascensão imediata: começou com 23 anos de idade e apenas 5 anos depois já havia gravado 20 álbuns!
Muita fama, muito glamour e muito stress para um sujeito tão novo.
E, em 1958, por conta de toda a pressão, ele desapareceu. Ninguém entendia a razão. Ninguém sabia onde ele estava. Ninguém o encontrava em casa.
Até que, para surpresa de todos, três anos depois ele retorna com esse trabalho: sendo apontado até hoje pelos maiores criticos, como uma obra fundamental para a história e desenvolvimento do Jazz. Mas fica a pergunta: o que Sonny Rollins fez durante esse hiato?
A resposta: cansado da fama, ele decidiu dar uma oportunidade para si mesmo e se concentrar na música, deixando o sucesso de lado. A idéia era estudar e aperfeiçoar sua técnica as últimas consequências. Mas o pequeno apartamento em Lower East Side não dava conforto e espaço suficiente para isso. Além de uma vizinha grávida, que sempre reclamava quando escutava o som do instrumento. Tudo isso obrigou Sonny a sair de casa e procurar um local sigiloso, com boa acústica e longe de espectadores. E ele encontrou: a Williamsburg Bridge.
E durante todo esse tempo, Rollins ia diariamente até a ponte, tirava o sax do case e buscava a inspiração necessária para encontrar seu caminho. E funcionou. O álbum “The Bridge” é a prova disso. Aliás, o nome do disco é uma homenagem a esse lugar tão especial, que acolheu um dos maiores gênios da música. A Inkblot Magazine rotulou esse trabalho como “um dos maiores discos de um dos maiores músicos do Jazz”. E eu assino em baixo.
Então, agora você já sabe: quando for a New York e passar pela Williamsburg, jogue flores e grite em voz alta: obrigado, sua linda!
