
Correndo o risco de parecer metido ou arrogante por aqui, mas não correndo risco nenhum de ser gafanhoto, troll, jornalista ou comprado vou falar como foi esse festival incrÃvel pra mim.
Não fui insider, não participei do projeto do SWU enquanto eu trabalhava na Fischer (que mudei de lá há mais de 2 meses), não estava trabalhando pro festival ou pra nenhuma das bandas, e não ganhei ingresso por causa de nenhum dos blogs que escrevo. Ganhei ingresso na amizade mesmo, de uma amigona, pista premium pros 3 dias e não vou me sentir culpado por isso.
Antes de sair de casa me informei, reuni os amigos, planejamos a viagem e não tivemos perrengues. Somos inteligentes e adultos o suficiente pra saber que um evento em outra cidade e com capacidade pra milhares de pessoas seria no mÃnimo mais turbulento do que um almoço em campinas.
Então longe de qualquer rótulo, aqui vai um relato OTIMISTA. Alguém que ganhou um presente, curtiu e resolveu compartilhar por aqui. Alguém que tem a música como primeira prioridade na vida, vai em todos os shows que pode e que fica feliz por finalmente existir um festival de grande porte e que traz tantas atrações incrÃveis pro Brasil. Acho um puta saco esse bando de gente do mal, que prefere falar sempre de tudo o que é ruim ao invés de falar do que foi bom. Acho um puta saco, misturar ideologias próprias com produção de evento, misturar problema técnico com teoria da conspiração ou mesmo comparar o primeiro grande festival do Brasil com festivais que existem há mais de 10 anos fora do paÃs, e principalmente, festivais com gente EDUCADA e CIVILIZADA.
Uma coisa: show no Brasil tem que ter área premium sim.
Vi jornalista falando que fã de verdade não vai na área premium. Vai sim. Não tenho culpa nenhuma se trabalho, ganho meu dinheiro e gasto ele todinho com os shows que eu quero ver. E não é coisa de boyzinho não até porque vocês não tem idéia dos buracos que eu já me enfiei produzindo banda, tocando ou indo ver shows. Se só esse argumento não bastasse, aqui no Brasil temos mais um problema, e talvez o principal: não há educação. Se uma pessoa mais velha quiser ver um show, como faz? E a sua namorada que está lá pro próximo show, faz o que? Entra no seu bolso? Não há respeito pelo espaço de cada um e infelizmente não temos condições como lá fora de ir a um show sem se preocupar com gente que está lá do seu lado, com ingresso pago e enfia a mão no seu bolso pra te roubar. Sejamos francos e vamos assumir que não é infundado ter algum tipo de divisão. Sem dúvida isso prejudica quem tem educação e respeito e não quer ou não pode gastar uma fortuna com ingressos, mas é impossÃvel agradar a todos (Cuba está lá pra provar isso), e obviamente nunca nos colocaremos no lugar do imbecil egoÃsta que só se preocupa com a própria diversão e empurra qualquer pessoa que passe pela frente.
Ainda sobre a divisão do premium, achei que o movimento do Rage foi irresponsável ao invés de puramente transgressor. Estimular a invasão poderia (e deve) ter ferido muito gente. Essa confusão poderia acabar com o festival e com a vida de um monte de gente. Não vamos esquecer que os “revolucionários” pagaram um dinheirinho pra ir pra Itú e não queriam sair de lá com a boca sangrando. Isso fez o estrago ser menor. Outra coisa é que os donos da revolução (que teve direito ao hino comunista) foram embora voando de primeira classe. Um beijo pra você que estourou a grade, lutou contra o poder e voltou pra casa de van. Eu adorei o show, gosto do som, mas acho essa atitude quase que adolescente. Acreditar que o Rage vai mudar alguma coisa é o mesmo que acreditar que o festival sustentável vai salvar o mundo.
Desabafo feito. Vamos ao roteiro. Eu e mais 3 pessoas fizemos bate-volta todos os dias. Cada dia no carro de um, e todos nós com ingressos cortesia. A sinalização da estrada poderia ser melhor, mas não rodamos como baratas tontas e conseguimos parar o carro 2 dias no estacionamento do fórum (o mais próximo do palco possÃvel e no ultimo dia no estacionamento premium). 50 reais divididos em 4 pessoas não é coisa de outro mundo. Vale o conforto e tenho certeza que se fosse possÃvel fazer isso pra todo mundo, eles fariam.
Como disse no meu post anterior, fui pra lá pra ver 12 atrações. Acabei vendo 6 shows inteiros lá na galera e os outros de mais longe e as vezes saindo no meio. Não vi nada de eletrônico porque não gosto, e não fui no Palco da Oi porque não quis.
Vamos a eles. 1o dia:

Chegamos quase as 18h por lá, a tempo de pegar um pedaço do empolgado show dos Mutantes. Nos posicionamos pro que se provou um dos melhores shows de todo o festival: Los Hermanos.
Vieram afiados e fizeram um show de arrancar lágrimas das pessoas em volta. Como para fã de Los Hermanos qualquer música é hit, imagine só o show que não foi. Começamos com o pé direito e fomos ali comer alguma coisa.
Mal botei a mão na pizza e corri pra pegar o Mars Volta, que acabei vendo de longe pois não ia conseguir chegar lá e depois mudar pro Rage. (Os palcos ficavam lado a lado e o acesso era por um lado só, ou seja, precisava passar pelo publico todo que esperava o Rage pra chegar no Mars Volta).
Mars Volta chuta bundas né. O show foi genial. A explosão que eu achei que fosse. Acho que foi melhor ainda pra quem estava pulando na pista. Me arrependi de ter ido comer. Fiquei ali, na frente do telão do Rage esperando a coisa começar.
Todos os shows sofreram com o rodÃzio de palcos. As pessoas que saiam do Mars Volta iam de encontro com quem tava vendo Rage e o empurra empurra era constante. Normal, coisa de show com muita gente. Nesse caso especÃfico, o show é muito instigante e você se pega pulando e agressivo sem nem perceber. Até o cair da grade tava suportável, aà quando rolou a invasão fiquei mais uma música só, me defendendo como podia (sim, dei umas porradas por lá) e quando vi que as pessoas estavam mais preocupadas em empurrar do que ouvir o som, fui pra área mais aberta e acompanhei a distancia. Logo em seguida o festival parou o show e pediu para que as pessoas se acalmassem e dessem 1 passo pra tras.
O show foi do caralho. Porrada atrás de porrada. Muito foda. Os paus no som (que todos disseram ser conspiração da transmissão do Multishow ou problemas do festival) foram problemas que os próprios equipamentos do Rage enfrentaram. De acordo com um jornalista amigo meu que estava no backstage, o Rage trouxe coisas que não estavam no programa e que acabou dando problema. Enfim. Genial, fomos pro estacionamento, pegamos o carro e menos de 2 horas depois já estávamos chegando em nossas casas em SP.
2o dia:

Chegamos ainda de dia (lindo dia) e o Jota Quest estava começando. Eles são MUITO bons de palco e me diverti com os sons do começo da carreira. Foi bem melhor do que esperava.
Em seguida, tentei fugir do Capital Inicial mas infelizmente meus ouvidos não escaparam da pior voz do roque nacional, e principalmente de suas fervorosas opiniões polÃticas, dignas de um filho de diplomata que montou uma banda em Brasilia. Esse podia ter ficado preso no transito do estacionamento comum. As pessoas cantaram junto Natasha e todas aquelas músicas que escutamos obrigados há pelo menos 10 anos. Até a famosa carona no Legião ele pegou, igualzinho como faz no Alta Horas. Que bom que tem gente gosta né.
Na seqüência teve Sublime, que ouvi de longe e relembrei os tempos de colégio. A banda levantou o povo, mas a noite chegou e trouxe Regina Spektor, linda mas deslocada na grade do festival.
Vi ali de pertinho o show dela, que além de bela é extremamente competente e entregou um show fantástico. Queria muito que rolasse um show em um lugar menor, onde fosse possÃvel sentir mais o que ela tem pra passar, e pudesse leva-la pra jantar depois. haha!
No palco do lado entrou a também belÃssima Joss Stone, que nunca tinha visto ao vivo e surpreende muito. A mulher é simpática e não desafina nem descalça e com frio. Esse é outro show que eu queria ver em lugar menor. Acredito que não vão faltar oportunidades, julgando pelo show, temos uma nova diva que vamos ver por muitos anos por aÃ.
Lá pelo meio do show da Joss, já fui me posicionando pra aguardada Dave Matthews Band. Diferente do drive da maioria – que o conhece por uma mão cheia de hits acústicos, eu conheci o trabalho dele lá pelos idos de 1996, quando a Alanis fez uma participação no fenomenal Before These Crowded Streets. Nesses quase 15 anos, não pude ver o cara ao vivo, mas esperava ansiosamente ve-lo com banda completa. O show foi espetacular mesmo. Quase 2 horas de músicas com solos esticados, clássicos em cima de clássicos e fechamento magnifico com All Along the Watchtower do Hendrix (talvez o único momento woodstockiano no festival). Nada coxinha como li por aÃ. A banda do cara é fodona, e se aquele baterista fizesse teste pro Dream Theater, passava fácil. O clima estava sensacional ali no meio, até pela enorme quantidade de mulheres incrÃveis que ficam ainda mais lindas no frio. (Mais um privilégio da área premium, vai dizer que não gosta? haha).
Já cansado, acompanhei os sensacionais Kings Of Leon do meio dos 2 palcos, onde os via pequenos no lado deles, e grandes pelo telão. Muita gente entrou nessa mesma pegada e a pista premium virou uma farra que só estando lá pra ver. Muita mulher bonita já altinhas das nossas queridas Heinekens. Uma pena que a maioria das pessoas só estivesse lá pra ouvir Use Somebody. Não queria que o KoL virasse um Killers… Fim do dia 2. Pé na estrada e novamente em menos de 2 horas estávamos são e salvos em casa.
3o dia:

Ultimo dia. Cansados, escolados e empolgados para ver os retumbantes Queens of the Stone Age. Eu basicamente não estava me preocupando com mais nada. Desde que conheci o Queens no inicio dos anos 2000 fiquei enlouquecido. É uma banda estranha a primeira ouvida, mas que vai crescendo e quando percebe já está entre as suas favoritas. Obviamente eu também queria ver Pixies e Incubus que acho bem legal, mas o foco mesmo era no QOTSA.
Chegamos na Maeda no meio do show dos irmãos Cavalera, que assustou os desavisados. Vi ali de longe e relembrei os tempos de moleque ouvindo alguns clássicos do Sepultura. Em seguida já rolou o Avenged Sevenfold, que estava mais metal melódico do que eu me lembrava. A camera mais filmava o Portnoy na bateria do que a banda mesmo. O show foi daqueles bons pra quem gosta. Passei meio batido.
Muito a contra gosto, sacrifiquei minha presença em metade do show do Incubus para ocupar um lugar bom pro show do Queens. O Incubus destruiu. Malhou hit em cima de hit e fez um showzasso, muito melhor do que o coitado do show do Palace que eu já comentei. Piração pra todo mundo que conhece a pegada dos caras. Quando começava a me arrepender de não estar mais lá perto, lembrava que tudo era por uma causa maior. QOTSA a seguir.
O show foi o único do festival com problemas técnicos de verdade. Uma hora de atraso com direito a papelões dos ridÃculos fãs do Linkin Park que puxavam cantoria pra irritar quem estava lá por outro motivo. As pessoas pegaram os moleques pra Cristo e até de eleitores do Tiririca eles foram chamados. Mas assim, de repente, acendem-se as luzes e sem nem um oi, Evil Elvis e sua banda abrem o show com a música polemica que os fez ficarem conhecidos no mundo todo. Feel Good Hit of the Summer transformou a pista premium (aquela que só tem boyzinho e não tem fã) em uma roda gigante, um espetáculo que só quem já foi em MUITOS shows de bandas pesadas sabe o que é.
A roda não fechou ate o show acabar. O show também não deu respiro. Foi Feel Good, The Lost Art of Keeping a Secret, 3′s & 7′s, Sick, Sick, Sick, Monsters in the Parasol, Burn the Witch, Long Slow Goodbye, In My Head, Little Sister, Do it Again, I Think I Lost My Headache, Go With the Flow, No One Knows e Songs for the Dead. Entendeu o drama?
A cada porrada que começava, mais um pouco do meu sonho se realizava. Nessa situação, não tem aperto, empurrão, comida cara, transito ou nenhum problema que ofusque o brilho daquilo. Talvez seja isso que alguns dos trolls precisavam saber o que é. Precisavam estar ali pra ver a banda que gostam. Faltou paixão pra muita gente. Pra mim não.
Com o corpo largado no meio da multidão, fui da grade da frente a grade de traz sem muito esforço, simplesmente levado pela onda de fãs enlouquecidos que cantavam junto comigo cada palavra de cada música. Foram 14 músicas que fizeram os 3 dias do festival. Que sem palavras de ordem, sem polÃtica, sem MST e sem sustentabilidade alguma, mostraram o melhor show que aquela porra de fazenda já recebeu. Tudo o que podia ser dito é: CHUPEM A PICA GROSSA DO ROCK N ROLL.
Saà dali meio cambaleando e vi satisfeito e de longe o Pixies encerrar a festa toda com chave de ouro. Showzasso, barulhento e genial. Quem sabe numa outra oportunidade eu não os vejo de perto. Pixies encerrou. Encerrou sim, porque deixar o fim de uma festa dessa na mão de Linkin Park ou Tiesto não estava no meu programa.
Então parabéns ao Eduardo Fischer e a todas as equipes que colocaram esse festival de pé. Aprendam com isso tudo e melhorem no próximo. Melhorem sempre. Quem gosta de rock agradece. Quem sabe daqui a dois ou três festivais tudo não saia perfeito como as pessoas que estão aà xingando estão acostumadas a encarar.
