De novo, nosso quase correspondente alemão para sons inesperados dá as caras por aqui. Com vocês Pedro Oliveira. Sempre um prazer. E Grüvis Malt é BEM louco.
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Eu já nem lembro mais como que as músicas do Grüvis Malt chegaram no meu HD. Provavelmente numa daquelas vezes em que eu copiava simplesmente TUDO da pasta de um grande amigo meu e depois ia “filtrando” em casa. O problema é que normalmente eu descartava automaticamente as pastas que tinham álbuns incompletos, mas sabe-se lá porque eu não fiz isso com a pastinha “Grüvis Malt”. Nela, só três músicas. E a minha cara de espanto e deleite ao ouvi-las.
A sensação que eu tive quando ouvi esse som pela primeira vez foi tipo encontrar uma jarra de água gelada no verão em BrasÃlia: era tudo que eu precisava. Tempos estranhos, vocais alternando entre hip-hop e refrão grudento, um pouco de música eletrônica, muito jazz e uma leve cobertura de pop. Só a gravação que deixava a desejar, mas juro que passei por cima da minha chatice e comecei a caçar o disco, pois achei aquilo fantástico. Acabei encontrando o “With the Spirit of a Traffic Jam” e acho que o conheço de trás pra frente.
Grüvis Malt é uma banda de Providence, Rhode Island (EUA) que obteve um sucesso moderado, talvez devido ao fato de terem aberto a turnê de 2002 do Incubus (Inclusive o DJ Kilmore participa em duas faixas do “With the Spirit”). Sente o drama:
http://www.youtube.com/watch?v=uTeMUbGOjbM
http://www.youtube.com/watch?v=5wPwPX7mGTk
Bem, o fato é que a banda acabou em 2005, depois de lançar seu último disco Maximum Unicorn. Porém, abriu caminho para que eu descobrisse que um músico sensacional estava por trás desta banda: Gavin Castleton.
No Grüvis, Gavin fazia os vocais mais “hip hop”, uma ou outra harmonização e tocava teclados. Sua carreira solo, porém, é uma verdadeira bagunça e deleite sonoro, variando entre “spoken word”, “prog-hop”, “one-man-band”, country, jazz, pop, hip-hop, rock e o que mais você quiser colocar no balaio.
Gavin é um músico absurdamente competente para compor letras que, apesar de quase sempre se tratarem de desilusão amorosa e de uma forma bem pessimista, contêm metáforas e construções de frases beirando o genial. O cara já tem nove discos lançados de maneira praticamente independente (somente um, Home, foi lançado por uma gravadora “major”) e o décimo, numa atitude corajosa, foi inteiramente financiado pelos fãs no tempo recorde de DOIS dias, e será lançado no fim deste ano.
Enfim, nada melhor do que parar de falar e conferir o som do cara. Vale a pena. Alguns álbuns não são tão fáceis de encontrar na internet, mas eu recomendo fortemente dar uma ajuda diretamente pro cara (www.integersonly.com), porque é disso que a música precisa: gente boa fazendo coisa boa e recebendo reconhecimento (moral, financeiro principalmente) por isso.
e “Are you Brave?”, um som que estará no novo disco do cara, “Won Over Frequency”.
Are You Brave by gavincastleton
– Por Pedro Oliveira
www.partidoalto.net
soundcloud.com/iburiedpaul
