Bom. Sexta foi o dia do show e no calor dos acontecimentos combinamos que cada um dos amigos que estavam ali na mesa conosco, escreveria um texto para cá. Para que eu não seja humilhado por três redatores, começo os trabalhos. Então tem mais. Vamos lá:
Nunca imaginei que pudesse ser tão bom. Melhor ainda que no filme ou no disco. Na última sexta-feira pude ver, ouvir e sentir ali de perto na primeira fila, algo que filme nenhum faz com a gente. Foi quase como transformar o filme em musical da broadway, só que sem atores.
Once, como já falei no post sobre o filme/trilha é um filme fantástico, mas infelizmente é daqueles filmes que pouca gente conhece. Se você não conhece, vá atrás. Insisto na dica porque quero mesmo que esse espaço aqui seja genuinamente um lugar para compartilhar o que de melhor passa pelos meus ouvidos. Mas voltando ao filme… A mistura de roteiro, música e vida real faz com que você crie múltiplos elos de ligação emocional, ora com o filme, ou com a música, com o casal, com a situação deles no filme ou na vida real.
Minha maior tolice nesse papo todo sobre filme e trilha, e sobre letra e música, foi achar que essa Ãntima relação era privilégio de poucos amigos que se deixaram envolver. De poucas pessoas que como eu, usaram como trilha e inspiração aquela história linda que foi vivida do jeito que dava, e principalmente com um violão em punho. Mas não. Sexta-feira eu estava acompanhado de milhares de malucos que como eu, que fizeram de Once um ‘filme de cabeceira’ e que estavam lá, felizes, ansiosos e realmente tendo um reality check sobre o que escutamos e sobre a experiência de um show verdadeiro. Fazia tempo que eu não presenciava algum evento musical com expressão tão genuÃna como pude ver nesse show.
A abertura já era um aviso do que estava por vir. Glen sobe ao palco sozinho, arruma o microfone e o ignora. Pega o violão, aquele mesmo surrado violão do filme, e vai pra beirinha do palco, ali na frente com todo mundo, e como se estivesse em uma rua da Irlanda, começa o show com Say it to me now. A projeção da voz do cara é assustadora, e mesmo sem microfone tenho certeza que ele foi ouvido por cada uma das pessoas ali dentro.
Markéta e banda entram no palco e sem tempo para respirar, seguiram com All the Way Down, Low Rising, In These Arms, The Rain, Feeling the Pull, Lies, If You Want Me, Fantasy Man, Leave… caramba. 21 músicas no set. Em Lies, ele no violão e Markéta no piano fazem um dos melhores momentos do show, tavez só superada por Falling Slowly (que tem um Oscar que a credencia). O som que ele tira daquele velho Takamine é inacreditável. Só vendo ao vivo para perceber como ele consegue esburacar o corpo do instrumento. É tudo tocado com tanta intensidade e que eu não me espantaria se ele quebrasse algo no palco.
A banda com 6 integrantes assumiu várias formações durante o show. Como estrutura deixava disponÃvel: baixo, violão, voz, piano, violino, gaita, guitarra e bateria. O que mais surpreendia é que todo mundo que tava no palco passou por um workshop de humildade onde trocaram todos os créditos de pose por créditos de feeling e competência. Dependendo da música, esses seis humildes integrantes soavam como um músico de rua ou como uma orquestra.
No final do show, tive mais um privilégio: ir ao camarim.
No curto caminho pelos corredores do backstage do HSBC Brasil, fui pensando o que eu iria dizer para aqueles dois notáveis músicos que sem nem saber, tanto cuidaram de uma rachadura no meu coração, e que fizeram tantas pessoas ao redor do mundo acreditarem no amor.
Subi ali e enquanto assinava o bluray do Cotta resolvi agradecer. É, agradeci por terem feito um trabalho tão inspirador, tão verdadeiro e com enorme poder curativo. Surpreso pelo agradecimento no lugar dos parabéns, Glen só me falou: “WOW. That’s something! Thanks a lot. We are ver proud of this”.
Que bom que pude viver isso na nessa sexta-feira. Que bom que pude agradecer.













