Monday, 30 de August de 2010 | 0:35 - Por

Continuando com a série de posts sobre o show do Swell Season em SP, apresento o post de hoje, que é do amigo LG, que foi um dos primeiros a me falar desse filme, é redator e quase um músico de rua. haha.

“Make art! Make art!â€

Quando – de Oscar em punho – Glen Hansard disse estas palavras, certamente não era um caso de “faça o que eu digo, não faça o que eu façoâ€.

Acompanhado da perfeição técnica de Markéta Irglová, o que Glen faz no Swell Season é a mais pura arte, que fui privilegiado de testemunhar ao vivo nesta sexta-feira especial.

Mas eu gostaria de começar este texto falando sobre o meu amor pelo filme “Onceâ€, traduzido longamente para o português como “Apenas Uma Vezâ€.

“Once†é um dos meus dois filmes preferidos. E já era assim desde os dois primeiros minutos. Como struggling musician que sou, me emocionei e me inspirei com o roteiro. Ou melhor, os roteiros: o da ficção e o da vida real. Se era possível, com uma handycam e baixo orçamento, produzir uma jóia tão preciosa, eu podia ficar tranqüilo quanto aos meus sonhos: na arte, o que vale é o coração, a alma.

O que me leva de volta ao show.

Nunca vi tanta paixão em cima de um palco.

Glen canta com a alma, literalmente dispensando o microfone, como bom busker. Ele toca – com a alma, claro – cordas de violão que parecem feitas de adamantium. E também com a alma, faz piadas e músicas incidentais até sobre motoboys insandecidos deste país que talvez nunca imaginara visitar.

Na plateia, eu testemunhei o profundo respeito de fãs que ficaram em silêncio para escutar os músicos. Afinal, nada pior que pagar caro para ouvir milhares de pessoas em um karaokê etilicamente desafinado. Especialmente quando se tem a oportunidade de ouvir Glen e Markéta.

No bis, após a apoteose “Falling Slowlyâ€, vi uma multidão hipnotizada chegando mais e mais perto do palco. Todos queriam ficar mais perto daquela força, todos queriam se banhar no poder da arte.

Nunca vou me esquecer daquela sexta-feira na companhia de The Swell Season. Foi quando eu presenciei a absoluta alegria de uma banda em poder exercer sua arte. A tradução mais perfeita do que é ser um músico. Strict joy.

 
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