Volta e meia recebemos aqui no blog email de pessoas elogiando nosso trabalho (que é feito apenas por prazer). Volta e meia recebemos amigos querendo escrever alguma coisa por aqui, e com enorme satisfação publicamos seus guest posts.
Dessa vez, um desconhecido – que talvez já possamos chamar de amigo – viu a série dos 4 posts sobre o show, se empolgou e mandou o dele. E que puta post! Um relato de alguém, que assim como nós 3 aqui do “A Day”, é apaixonado pela música e por tudo que ela traz junto dela.
Abaixo o texto integral do cara. Obrigado João Zanetti, pelo carinho do email, pelo puta texto e por compartilhar desse mindset com a gente.

(Antes de mais nada, eu não estava na mesa do pessoal dos textos anteriores, e nem participei de combinado nenhum. Mas eu também estava lá, pra mim também foi incrível, e ao ficar sabendo, hoje, da proposta, não consegui me conter. Segue aqui mais uma visão de um cara que viu o Swell Season em São Paulo e quis compartilhar a emoção.)
Eu conheci Swell Season como a maioria das pessoas conheceu até agora (por “agora” leia antes do show e da inclusão de Low Rising na trilha sonora de Passione): Pelo filme irlandês independente Once, filme esse que, olha só que coisa, minha namorada alugou porque achou a capa bonita e gostou da sinopse. E isso é compreensível, tendo em vista a divulgação zero que o filme teve aqui no Brasil – inclusive, o fato de o filme estar ali na locadora do bairro já é uma vitória.
Beleza, dvd na gaveta, play. A partir daí começa uma lista de 10 surpresas que eu acredito que quase todos os fãs tiveram durante suas trajetórias com o Swell Season:
1. “Nossa, esse cara canta muito”, quando o filme começa, na rua, com Glen cantado sozinho, sem microfone (guarde essa informação);
2. “Gente, olha o violão desse cara! Todo zoado!” (essa também);
3. “Que fofinha essa moça!”;
4. “Nossa, que músicas lindas!”;
5. “Puxa, que filme incrível!”.
Mas o bicho pegou mesmo na hora em que eu fui dar uma lida na internet sobre o que tinha acabado de ver: 6. “NOSSA! O filme é independente e eles não são atores!”;
7. “MEU DEUS eles tem uma banda!!!”.
A partir desse ponto, a paixão por Swell Season já existia no meu ser, e com o tempo não fez outra coisa senão crescer e virar amor, desses grandes, que a gente já sabe que vão durar pra sempre.
No mesmo dia eu já tinha a trilha sonora do filme, e logo ouvia o Strict Joy, o segundo álbum da carreira deles (mas primeiro creditado de fato ao grupo The Swell Season – no primeiro, que leva o nome da banda como título, o registro é apenas “Glen Hansard & Marketa Irglova”). O contato com The Frames, banda original de Glen, também foi inevitável.
De qualquer maneira, Swell Season era algo que eu tinha consantemente no meu celular e no computador, que eu ouvia muito e que eu nem imaginava ir a um show a curto prazo. Quem sabe um dia, se eu for pra Irlanda, se eles ainda estiverem na ativa, né?
8. “Eles vem pro Brasil?”
9. “EM AGOSTO???”
Com ingressos da área vip comprados com boa antecedência, eu e minha namorada fomos pra São Paulo na sexta. Já imagina, né?
10. “Nããão, ele tá fazendo isso mesmo?”, quando Glen abriu o show cantando Say It To Me Now sozinho, sem microfone (lembra disso?), com aquele violão destruído (disso também?).
Sem exagero nenhum, esse show foi um dos eventos mais emocionantes que já presenciei.
Aliás, “sem exagero nenhum” é uma expressão que casa prefeitamente com a postura do grupo, como já foi dito aqui nos textos anteriores, por tocarem e agirem de forma tão natural, por terem nada mais que a música como combustível de quaisquer reações do momento do show, das quais separo duas que me tocaram particularmente:
- A reação singela de Marketa ao retirar sua postura ao piano, virando-se e cruzando as pernas, esperando primeiramente Glen terminar o que foi quase um stand up sobre o trânsito paulistano e suas Hondas (que é como ele se referia às motos), e depois o resto da banda acabar de improvisar uma música sobre as próprias Hondas, com direito a uma egraçadíssima coreografia do cantor. O legal, ao olhar para a cantora tcheca, era ver sua expressão paciente e divertida de quem diz “ah, esses meninos que não crescem nunca, viu…”;
- A reação explosiva de Glen durante uma música solo, desplugando furiosamente o violão do equipamento que estava com problemas e indo à frente do palco cantar ao melhor estilo Busking, só que pra um HSBC Brasil inteiro, a principio tomado pelo burburinho mas logo depois maravilhosamente calado em respeito a quem eu acredito que possa ser o melhor cantor da atualidade. Calado por fora, mas certamente em êxstase interno por estar vivendo aquilo, como eu fiquei. Pra coroar o momento que já era insequecível, Glen vira-se entre dois versos e solta um “Sorry” meio tímido para o desesperado membro da equipe técnica que já se empenhava em consertar seja lá o que tivesse ocorrido.
O som, falando nisso, estava ótimo. O negócio é que eu acho que ainda não há tecnologia que aguente o que Glen faz ao violão. É feeling, é intensidade, é energia demais pra cabos e caixas de som. Vai ver é por isso que ele gosta tanto de cantar na rua.
Só no fim é que aconteceu a única coisa problemática: O show acabou.
Mas foi incrível. E lendo o texto do Zannin, abri um sorriso na parte em que ele fala sobre agradecer antes mesmo de parabenizar, porque também foi o que eu falei pra eles (infelizmente por twitter, e não no camarim): “Thanks”.
E depois de tudo isso eu nem posso adicionar uma surpresa a mais pra listinha, porque o que eu pensei e comentei foi exatamente o que eu queria: “Sensacional. Um dos melhores shows da minha vida!”
