
É com muita vergonha na cara que digo: só assisti o documentário we.music agora, quase fim de agosto. A vergonha acontece por vários motivos. Primeiro porque a idéia do doc foi de 3 amigas minhas. Depois, porque deixei meu ‘preoconceitinho’ com a música eletrônica (ledo engano também pensar que o doc seria muito sobre isso e menos sobre “música”) ofuscar essa colocação de idéias que é muito maior do que simplesmente definição de gêneros musicais.
A idéia do doc é unir 3 aspectos importantes da música: pensar, fazer e consumir, e como isso tudo está acontecendo agora, na presente e ambulante revolução digital. No doc, nada mais justo do que cumprir essas 3 tags. Foram chamadas 8 atrações (Killer on the Dancefloor & Thiago Pethit, Database & Holger, Xis & Chernobyl, Pristine Blusters & Firefriend) que misturadas em 4 duplas criaram 4 novos sons. O doc serve para pensar sobre tudo isso e também para te motivar a consumir esse resultado.

Antes de entrar no assunto mesmo, onde eu pretendo aqui fazer minha parte e pensar um pouco, preciso abrir os parênteses e levantar a lebre sobre a qualidade do doc (mega bem filmado, dirigido e produzido pela Galeria Experiência) e pela inteligência e consciência dos músicos – até nisso o músico de hoje precisa ser diferente e ter as rédeas comerciais do produto que cria e vende.
Há tempos venho pensando sobre o que é consumir música hoje. Sempre tive muito claro na minha cabeça que as pessoas precisam ter os Ãdolos a uma certa distância, inclusive para que as atitudes deles nunca consigam ser comparadas com as suas. Acredito mesmo que pessoas não saem de casa para ver gente exatamente como elas em cima de um palco. Precisa ser diferente. Enfim: “acreditava” e “precisava”.
Isso tudo mudou. Hoje é fácil produzir e gravar musica em casa. Hoje é fácil distribuir. Isso tudo faz com que o que era tão distante de todos se aproxime da realidade de muito mais gente. Aumenta a oportunidade, a oferta, a concorrência e principalmente a quantidade de música pra nós.
O que resta é que ainda é necessário fazer música boa, independente de estilos ou rótulos. A diversidade, que sempre foi defendida pelos artistas mas nunca pelo mercado, agora é uma realidade, seja no som, no gênero, na roupa, no sexo, na experiência, no meio ou na mensagem.
O que eu tiro como conclusão, e que felizmente não é só uma coisa da música, é que estamos numa fase ‘funcional’ como nunca. Podemos fazer, participar, gerar, criar, mudar, recortar, colar, filmar, divulgar, trocar… está tudo na nossa mão. O brasileiro, ainda mais do que o pessoal no resto do mundo, pode aproveitar a curiosidade e competência musical de sempre e misturar com os fortÃssimos hábitos digitais e sociais e fazer disso tudo, ainda mais, um celeiro criativo e exemplo pro resto do mundo.
O doc abre uma conversa enorme. Tão grande que está concorrendo a uma vaguinha nos incrÃveis e concorridos painéis do South by Southwest, um festival sobe musica, cinema e interatividade que acontece em março de 2011, e que rola desde 1987 em Austin no Texas. Importante levantar essa bola por lá, inclusive para mostrar o que é a realidade se fazer muito com muito pouco que acontece por aqui. Sem os brilhantes de P. Diddy (ainda é esse nome?), com impostos ABSURDOS pra compra de qualquer equipamento, e sem os carros e tiros dos rappers de lá.
Idéias importantes para serem discutidas e avaliadas, num momento onde ainda é possÃvel fazer a diferença nessa revolução que está em pleno progresso. Já parou pra pensar que essa turma da Remix e da Pix (idealizadoras da porra toda) podem ser vistos no futuro como a turminha do Andy Warhol era vista lá trás?
Bom. Se quiser ajudar o pessoal do we.music a levar essa opinião toda pra lá, é só se cadastrar aqui e mandar ver. Para votar, basta acessar http://panelpicker.sxsw.com/ideas/view/5543, fazer um cadastro que leva 1 minuto e depois clicar na mãozinha para cima ao lado de “your voteâ€.
Depois de falar tudo isso, se você ainda não tiver assistido o doc, veja abaixo. Tem 34 minutos de duração. Se seu chefe for comer o seu rabo por fazer isso, veja o trailer rapidinho e guarde o link do filme completo para assistir em casa.
