Archive for August, 2010

 
Monday, 30 de August de 2010 | 21:08 - Por

Depois da genial contribuição do LG e do Piccinini, e depois do leitor João (com seu texto brilhante), também recebi um email de um grande amigo falando sobre esse show que gerou tantos comentários e corações inflamados de emoção. Que dia pro A Day!

Publico aqui o email genial que recebi do grande amigo Fabio Barbanti.

“Embalado pela recente onda de posts em homenagem ao fantástico show que The Swell Season nos proporcionou na última sexta, resolvi dar a minha modesta contribuição ao seu blog musical.

Conheci a obra de Glen Hansard um pouco antes do artista estourar com o filme já mencionado. Em um de meus garimpos musicais, esbarrei em uma canção chamada Fitzcarraldo da banda The Frames, liderada pelo mesmo. Como é de costume quando me deparo com uma música que captura a minha atenção, corri atrás de tudo o que a mesma já tinha feito desde seu nascimento. E não é preciso ter aguçados poderes de dedução para concluir que, em pouco tempo, estava viciado no conjunto.

É claro que, como todos que já deram seu depoimento sobre o show de sexta, fui fisgado pela simplicidade e honestidade impressa em cada quadro de Once. Principalmente pelo carisma de Glen e a timidez comovente de Marketa. E é claro que me transformei em fã da banda que se originou desta empreitada.

Mas nada podia me preparar para o que me esperava nesta sexta. Na minha humilde experiência como espectador de espetáculos musicais, são poucos os shows que conseguem me surpreender. A grande maioria não passa de um registro ao vivo das músicas que ganharam o gosto popular. O artista entra, cumprimenta o público, faz o seu trabalho e se despede com muito profissionalismo. Não que haja algo de errado com isso, mas depois de um tempo, você anseia por algo que saia da curva da mediocridade.

Algo como o protagonista do espetáculo entrando no palco, sem dizer absolutamente nada, portando apenas um sorriso na boca e seu violão esburacado e cantando em tom de súplica uma oração rogando por um sinal divino. Tudo sem microfone, mas com uma força tão intensa que rever esta cena no vídeo postado pelo Zannin fez com que o pelos de minha nuca se arrepiassem de emoção.

Até mesmo quando se arriscavam a falar português, não se restringiam ao usuais “Obrigado” ou “boa noite” que já viraram chavões de artistas internacionais que põem os pé em terras tupiniquins. Eles se apresentavam, anunciavam o nome de suas músicas e até agradeciam ao público num nítido esforço para agradar sua platéia. “Vocês são foda”, urrou no final Glen Hansard. Mal sabe ele que, nesse exato momento, era exatamente essa a frase que passava pela minha cabeça.

E quando o assunto era a irreverência, outro fator que separa o artista de estúdio daquele que se destaca em uma apresentação ao vivo, Glen era imprevisível. Ele brincava com a platéia, elaborava sambas de improviso homenageando os motoqueiros de São Paulo, convidava o espectador para participar de um heavy metal composto pelo guitarrista quando tinha 8 anos de idade e até apresentava suas músicas de forma inusitada. Ao introduzir a canção Lies, suas palavras foram “This is a song about a person that speaks the truth about things that didn’t happen”. Brilhante.

Marketa era mais reservada, mas esbanjava meiguice. Seja na forma retraída como se dirigia ao público ou na precisão cirúrgica como interpretava cada canção, era impossível não ficar hipnotizado por sua voz impecável ou por seu olhar inocente. Sua interpretação de Cucurrucucu Paloma, de Caetano Veloso, foi estarrecedora. “We thougth it was Portuguese. It turns out it was Spanish. What do we know?”, disse Glen em mais uma demonstração de bom humor e simpatia.

Mas, no final das contas, o que mais chamou a atenção nesse espetáculo – e essa palavra nunca se encaixou tão bem para descrever um evento – foi a contagiante paixão que os integrantes dessa banda deixam vazar por seus poros enquanto estão se apresentado. Canções que costumam durar 4 ou 5 minutos ganham proporções épicas no violão incansável de Hansard, transformando-as em epopéias musicais que transbordam sentimentos. No final, notava-se que a intensidade de sua apresentação fora tamanha que uma corda não resistiu e se partiu. Mas Hansard não se importou e continuou atacando o instrumento com enorme fome. O público ignorou o ocorrido e vibrou com a entrega de seu artista que levava ao pé da letra o termo “The show must go on”. E tudo terminou com uma contagiante e divertida apresentação unplugged de toda a banda, inclusive do grupo brasileiro Os Varandistas, que abriram o espetáculo.

The Swell Season então se despede e nos deixa com uma amarga herança. Afinal, poucos serão os grupos que conseguirão igualar o que ficou para sempre marcado na história (se não na de São Paulo, pelo menos na minha). “E a corda que arrebentou”, alguns podem estar se perguntando. Parafraseando as sábias palavras do saudoso Armando Nogueira, a corda se escondeu em um canto e se corroeu de remorso.”

 
 
Monday, 30 de August de 2010 | 20:14 - Por

Volta e meia recebemos aqui no blog email de pessoas elogiando nosso trabalho (que é feito apenas por prazer). Volta e meia recebemos amigos querendo escrever alguma coisa por aqui, e com enorme satisfação publicamos seus guest posts.

Dessa vez, um desconhecido – que talvez já possamos chamar de amigo – viu a série dos 4 posts sobre o show, se empolgou e mandou o dele. E que puta post! Um relato de alguém, que assim como nós 3 aqui do “A Day”, é apaixonado pela música e por tudo que ela traz junto dela.

Abaixo o texto integral do cara. Obrigado João Zanetti, pelo carinho do email, pelo puta texto e por compartilhar desse mindset com a gente.

(Antes de mais nada, eu não estava na mesa do pessoal dos textos anteriores, e nem participei de combinado nenhum. Mas eu também estava lá, pra mim também foi incrível, e ao ficar sabendo, hoje, da proposta, não consegui me conter. Segue aqui mais uma visão de um cara que viu o Swell Season em São Paulo e quis compartilhar a emoção.)

Eu conheci Swell Season como a maioria das pessoas conheceu até agora (por “agora” leia antes do show e da inclusão de Low Rising na trilha sonora de Passione): Pelo filme irlandês independente Once, filme esse que, olha só que coisa, minha namorada alugou porque achou a capa bonita e gostou da sinopse. E isso é compreensível, tendo em vista a divulgação zero que o filme teve aqui no Brasil – inclusive, o fato de o filme estar ali na locadora do bairro já é uma vitória.

Beleza, dvd na gaveta, play. A partir daí começa uma lista de 10 surpresas que eu acredito que quase todos os fãs tiveram durante suas trajetórias com o Swell Season:
1. “Nossa, esse cara canta muito”, quando o filme começa, na rua, com Glen cantado sozinho, sem microfone (guarde essa informação);
2. “Gente, olha o violão desse cara! Todo zoado!” (essa também);
3. “Que fofinha essa moça!”;
4. “Nossa, que músicas lindas!”;
5. “Puxa, que filme incrível!”.
Mas o bicho pegou mesmo na hora em que eu fui dar uma lida na internet sobre o que tinha acabado de ver: 6. “NOSSA! O filme é independente e eles não são atores!”;
7. “MEU DEUS eles tem uma banda!!!”.

A partir desse ponto, a paixão por Swell Season já existia no meu ser, e com o tempo não fez outra coisa senão crescer e virar amor, desses grandes, que a gente já sabe que vão durar pra sempre.

No mesmo dia eu já tinha a trilha sonora do filme, e logo ouvia o Strict Joy, o segundo álbum da carreira deles (mas primeiro creditado de fato ao grupo The Swell Season – no primeiro, que leva o nome da banda como título, o registro é apenas “Glen Hansard & Marketa Irglova”). O contato com The Frames, banda original de Glen, também foi inevitável.

De qualquer maneira, Swell Season era algo que eu tinha consantemente no meu celular e no computador, que eu ouvia muito e que eu nem imaginava ir a um show a curto prazo. Quem sabe um dia, se eu for pra Irlanda, se eles ainda estiverem na ativa, né?
8. “Eles vem pro Brasil?”
9. “EM AGOSTO???”

Com ingressos da área vip comprados com boa antecedência, eu e minha namorada fomos pra São Paulo na sexta. Já imagina, né?

10. “Nããão, ele tá fazendo isso mesmo?”, quando Glen abriu o show cantando Say It To Me Now sozinho, sem microfone (lembra disso?), com aquele violão destruído (disso também?).

Sem exagero nenhum, esse show foi um dos eventos mais emocionantes que já presenciei.
Aliás, “sem exagero nenhum” é uma expressão que casa prefeitamente com a postura do grupo, como já foi dito aqui nos textos anteriores, por tocarem e agirem de forma tão natural, por terem nada mais que a música como combustível de quaisquer reações do momento do show, das quais separo duas que me tocaram particularmente:

- A reação singela de Marketa ao retirar sua postura ao piano, virando-se e cruzando as pernas, esperando primeiramente Glen terminar o que foi quase um stand up sobre o trânsito paulistano e suas Hondas (que é como ele se referia às motos), e depois o resto da banda acabar de improvisar uma música sobre as próprias Hondas, com direito a uma egraçadíssima coreografia do cantor. O legal, ao olhar para a cantora tcheca, era ver sua expressão paciente e divertida de quem diz “ah, esses meninos que não crescem nunca, viu…”;

- A reação explosiva de Glen durante uma música solo, desplugando furiosamente o violão do equipamento que estava com problemas e indo à frente do palco cantar ao melhor estilo Busking, só que pra um HSBC Brasil inteiro, a principio tomado pelo burburinho mas logo depois maravilhosamente calado em respeito a quem eu acredito que possa ser o melhor cantor da atualidade. Calado por fora, mas certamente em êxstase interno por estar vivendo aquilo, como eu fiquei. Pra coroar o momento que já era insequecível, Glen vira-se entre dois versos e solta um “Sorry” meio tímido para o desesperado membro da equipe técnica que já se empenhava em consertar seja lá o que tivesse ocorrido.

O som, falando nisso, estava ótimo. O negócio é que eu acho que ainda não há tecnologia que aguente o que Glen faz ao violão. É feeling, é intensidade, é energia demais pra cabos e caixas de som. Vai ver é por isso que ele gosta tanto de cantar na rua.

Só no fim é que aconteceu a única coisa problemática: O show acabou.

Mas foi incrível. E lendo o texto do Zannin, abri um sorriso na parte em que ele fala sobre agradecer antes mesmo de parabenizar, porque também foi o que eu falei pra eles (infelizmente por twitter, e não no camarim): “Thanks”.

E depois de tudo isso eu nem posso adicionar uma surpresa a mais pra listinha, porque o que eu pensei e comentei foi exatamente o que eu queria: “Sensacional. Um dos melhores shows da minha vida!”

 
 
Monday, 30 de August de 2010 | 15:03 - Por

Antes de começar, queria dedicar esse texto pro grande amigo e irmão Fred Heimbeck, e agradecer aos meus outros 3 irmãos Zannin, LG e Piccinini pela companhia no show e pelos posts irretocáveis.

Depois desses 3 posts fodásticos, fica difícil achar algum elogio, alguma sensação, alguma emoção que ainda não tenha sido descrita, ainda mais por pessoas como as que já escreveram: todos apaixonados pelo filme e pelas canções, como eu. Todos nós estávamos reunidos naquela mesa pelo mesmo motivo: a identificação absurda e a paixão incontrolável por cada nota composta por Glen e Marketa para as músicas desse nosso – como bem disse o Zannin – filme de cabeceira.

Sobre o show: as expectativas foram mesmo superadas. Desde a abertura inesperada – e unplugged de verdade! – com a poderosa Say It To Me Now até o ápice final com Falling Slowly, os caras mostraram a mesma humildade, o mesmo talento, a mesma paixão em tocar que se vê no filme. E isso foi uma das coisas mais legais do show. Por vezes, parecia que você estava lá participando do momento deles, você não era simplesmente um público vendo uma banda. Era mais uma cena do filme, mais um episódio da vida deles que eles – acaloradamente – convidavam você para fazer parte.

Glen e Marketa são os mesmos do filme. Sem estrelismos, sem posturas de showbizz, sem frescuras. Estavam tocando como se estivessem na sala de casa. Só faltou eles oferecerem uma cerveja e um pratinho de queijos.

Glen é um show à parte. Feliz da vida, empolgado, excitado com o que faz, elétrico, o cara parece uma criança na distribuição de presentes de natal. Muito, muito, muito contagiante a performance dele. Você sai do show cansado de ver ele gastando tanta energia. Fenomenal, mesmo. Só depois de ve-lo ao vivo é que você realmente entende porque o violao fica naquele estado de destruição. É tudo fruto de um amor e um tesão infinitos pela arte de tocar violao. E Glen a executa com uma entrega que dá gosto de ver.

Marketa é mais contida, e tudo o que Glen tem de elétrico, ela tem de precisa. Cada nota do piano sai calculadamente, com a dinâmica e a duração perfeitas, incontestáveis. E a mesma precisão se reflete em seus backing vocals. É uma musicista erudita até no jeito de se portar.

Entre uma música e outra, comentários engraçados, histórias da banda, falas em português perfeito e até um samba improvisado na hora em “homenagem” aos motoboys de São Paulo, rs. Os caras são bons de verdade.

O show deles é mais legal do que outros shows justamente porque parece que você é um amigo de longa data dos dois. Você viu o filme, você conhece a história, você sente uma intimidade que não existe em outras relações ídolo-fã. Até porque eles são tão próximos que é dificil classifica-los de ídolos. Eles são, sim, dois seres humanos como nós, que sentem e que sofrem e que amam e que se entregam aos sonhos como qualquer um de nós faz – ou tenta fazer.

Lindo show. Um espetáculo de performance e, principalmente, de humanidade. Confira Falling Slowly no registro abaixo (feito pela minha querida Dani Mochida, namorada e companheira de todas as horas, todas as músicas e melhores momentos da minha vida). Uma aula de paixão pela vida e amor pelo que se faz.

Obrigado, Glen e Marketa.

Agora vocês já sabem o caminho. É só aparecer.
(Não é isso que a gente sempre diz pros amigos mais próximos?)

: )

 
 
Monday, 30 de August de 2010 | 12:49 - Por

Mais um sobre o show do Swell Season em SP. Agora é a vez do Piccinini, ele que fez aquele post sobre o show do Franz Ferdinand em março. Agora só falta a bomba que o Cotta vai soltar no post dele.

Se você viu o filme “Once”, se você ouviu Swell Season, faça um favor: defina-os. Eu te desafio.

Eu li na Veja que era uma dupla “Folk”. Na Folha, apenas o “duo vencedor do Oscar”. Tente a sua. Não tenha medo de errar. Eles dois não têm.

A gente vai em shows por motivos que ultrapassam a razão, mesmo estando sempre à mercê dela. Isso porque vamos em busca de um momento pessoal com nossos artistas favoritos, e o que costumeiramente encontramos é algo tão bem ensaiado que beira o fordismo.

Pois na sexta, eu, Cotta, Dani, Zannin e LG entramos no magnânimo HSBC Brasil e fomos recebidos por um barbudo com um violão todo fudido, tocando sem cabos e cantando sem microfone. Acústico para 1.500 pessoas. Simples assim. E o que se seguiu foi reflexo da inquietude desse cidadão, contrastando com a competência e timidez quase ingênua de uma menina se desdobrando para falar português sem sotaque. Ele quebrando tudo (inclusive equipamentos) como se estivesse com raiva, ela sussurrando como se estivesse com vergonha. Mas nada calculado. Eram as reações deles para o que estavam fazendo. Para ela, música é singelo. Para ele, é intenso. Para ambos, é lindo.

É como se o favor de estar lá fosse deles, e não nosso. Era um show de rua. Eu paguei 200 reais para ver um show de rua, com pessoas se esforçando ao máximo para fazer valer cada centavo que nós colocamos no chapéu.

Definições são racionais demais. Mas se quiser tentar, vá em frente. Eu fico com as emoções, as mais básicas até: eles tocam para se sentirem bem. E assim, pedindo licença e desculpas, eles vão fazendo você se sentir igual. Parece correto para você?

 
 
Monday, 30 de August de 2010 | 0:35 - Por

Continuando com a série de posts sobre o show do Swell Season em SP, apresento o post de hoje, que é do amigo LG, que foi um dos primeiros a me falar desse filme, é redator e quase um músico de rua. haha.

“Make art! Make art!”

Quando – de Oscar em punho – Glen Hansard disse estas palavras, certamente não era um caso de “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Acompanhado da perfeição técnica de Markéta Irglová, o que Glen faz no Swell Season é a mais pura arte, que fui privilegiado de testemunhar ao vivo nesta sexta-feira especial.

Mas eu gostaria de começar este texto falando sobre o meu amor pelo filme “Once”, traduzido longamente para o português como “Apenas Uma Vez”.

“Once” é um dos meus dois filmes preferidos. E já era assim desde os dois primeiros minutos. Como struggling musician que sou, me emocionei e me inspirei com o roteiro. Ou melhor, os roteiros: o da ficção e o da vida real. Se era possível, com uma handycam e baixo orçamento, produzir uma jóia tão preciosa, eu podia ficar tranqüilo quanto aos meus sonhos: na arte, o que vale é o coração, a alma.

O que me leva de volta ao show.

Nunca vi tanta paixão em cima de um palco.

Glen canta com a alma, literalmente dispensando o microfone, como bom busker. Ele toca – com a alma, claro – cordas de violão que parecem feitas de adamantium. E também com a alma, faz piadas e músicas incidentais até sobre motoboys insandecidos deste país que talvez nunca imaginara visitar.

Na plateia, eu testemunhei o profundo respeito de fãs que ficaram em silêncio para escutar os músicos. Afinal, nada pior que pagar caro para ouvir milhares de pessoas em um karaokê etilicamente desafinado. Especialmente quando se tem a oportunidade de ouvir Glen e Markéta.

No bis, após a apoteose “Falling Slowly”, vi uma multidão hipnotizada chegando mais e mais perto do palco. Todos queriam ficar mais perto daquela força, todos queriam se banhar no poder da arte.

Nunca vou me esquecer daquela sexta-feira na companhia de The Swell Season. Foi quando eu presenciei a absoluta alegria de uma banda em poder exercer sua arte. A tradução mais perfeita do que é ser um músico. Strict joy.

 
 
Monday, 30 de August de 2010 | 0:18 - Por

Bom. Sexta foi o dia do show e no calor dos acontecimentos combinamos que cada um dos amigos que estavam ali na mesa conosco, escreveria um texto para cá. Para que eu não seja humilhado por três redatores, começo os trabalhos. Então tem mais. Vamos lá:

Nunca imaginei que pudesse ser tão bom. Melhor ainda que no filme ou no disco. Na última sexta-feira pude ver, ouvir e sentir ali de perto na primeira fila, algo que filme nenhum faz com a gente. Foi quase como transformar o filme em musical da broadway, só que sem atores.

Once, como já falei no post sobre o filme/trilha é um filme fantástico, mas infelizmente é daqueles filmes que pouca gente conhece. Se você não conhece, vá atrás. Insisto na dica porque quero mesmo que esse espaço aqui seja genuinamente um lugar para compartilhar o que de melhor passa pelos meus ouvidos. Mas voltando ao filme… A mistura de roteiro, música e vida real faz com que você crie múltiplos elos de ligação emocional, ora com o filme, ou com a música, com o casal, com a situação deles no filme ou na vida real.

Minha maior tolice nesse papo todo sobre filme e trilha, e sobre letra e música, foi achar que essa íntima relação era privilégio de poucos amigos que se deixaram envolver. De poucas pessoas que como eu, usaram como trilha e inspiração aquela história linda que foi vivida do jeito que dava, e principalmente com um violão em punho. Mas não. Sexta-feira eu estava acompanhado de milhares de malucos que como eu, que fizeram de Once um ‘filme de cabeceira’ e que estavam lá, felizes, ansiosos e realmente tendo um reality check sobre o que escutamos e sobre a experiência de um show verdadeiro. Fazia tempo que eu não presenciava algum evento musical com expressão tão genuína como pude ver nesse show.

A abertura já era um aviso do que estava por vir. Glen sobe ao palco sozinho, arruma o microfone e o ignora. Pega o violão, aquele mesmo surrado violão do filme, e vai pra beirinha do palco, ali na frente com todo mundo, e como se estivesse em uma rua da Irlanda, começa o show com Say it to me now. A projeção da voz do cara é assustadora, e mesmo sem microfone tenho certeza que ele foi ouvido por cada uma das pessoas ali dentro.

Markéta e banda entram no palco e sem tempo para respirar, seguiram com All the Way Down, Low Rising, In These Arms, The Rain, Feeling the Pull, Lies, If You Want Me, Fantasy Man, Leave… caramba. 21 músicas no set. Em Lies, ele no violão e Markéta no piano fazem um dos melhores momentos do show, tavez só superada por Falling Slowly (que tem um Oscar que a credencia). O som que ele tira daquele velho Takamine é inacreditável. Só vendo ao vivo para perceber como ele consegue esburacar o corpo do instrumento. É tudo tocado com tanta intensidade e que eu não me espantaria se ele quebrasse algo no palco.

A banda com 6 integrantes assumiu várias formações durante o show. Como estrutura deixava disponível: baixo, violão, voz, piano, violino, gaita, guitarra e bateria. O que mais surpreendia é que todo mundo que tava no palco passou por um workshop de humildade onde trocaram todos os créditos de pose por créditos de feeling e competência. Dependendo da música, esses seis humildes integrantes soavam como um músico de rua ou como uma orquestra.

No final do show, tive mais um privilégio: ir ao camarim.
No curto caminho pelos corredores do backstage do HSBC Brasil, fui pensando o que eu iria dizer para aqueles dois notáveis músicos que sem nem saber, tanto cuidaram de uma rachadura no meu coração, e que fizeram tantas pessoas ao redor do mundo acreditarem no amor.

Subi ali e enquanto assinava o bluray do Cotta resolvi agradecer. É, agradeci por terem feito um trabalho tão inspirador, tão verdadeiro e com enorme poder curativo. Surpreso pelo agradecimento no lugar dos parabéns, Glen só me falou: “WOW. That’s something! Thanks a lot. We are ver proud of this”.

Que bom que pude viver isso na nessa sexta-feira. Que bom que pude agradecer.

 
 
Wednesday, 25 de August de 2010 | 18:48 - Por

Você já parou para olhar sua estante de livros ou de discos? Já ficou girando o wheel do seu iPod só pra rever as bandas/artistas que você tem dentro dele?
Quando eu era menor, e as pessoas ainda carregavam Discmans na mochila ou cases de CDs nos carros, um dos meus hobbys favoritos era ficar analisando o conteúdo desses cases. E adivinhar algumas coisas sobre seus donos.

Sua coleção de CDs, ou seu case, ou seu iPod, dizem muito sobre você.

É muito legal fuçar os CDs de alguém e descobrir a personalidade dessa pessoa.

Uma vez eu lembro de ter ficado impressionado com a coleção de um amigo, que era composta basicamente de discos ao vivo. Um pouco de rock, um pouco de jazz, um pouco de música brasileira, mas só coisas ao vivo. Ele era fissurado pelos registros dos shows e não ligava muito pras gravações de estúdio. Por mais estranho que possa parecer, é uma coleção com conceito.

Outras que eu já me lembro de ter visto são aquelas que têm discografias inteiras de uma banda e só. Já vi coleções que só tinham CDs de trilhas de filmes, outras que só tinham coletâneas, todos os Best Ofs e Greatest Hits que vc pode imaginar, e nenhum album.

Eu acho isso um barato, porque vc saca um pouco da personalidade de quem carrega um case desses – ou carregava, ja que agora todo mundo tem iPod: a pessoa pode ser uma cinéfila, ou pode ser uma daquelas que adora os hits das bandas e isso já ser o suficiente pra ela. De qualquer modo, o legal é ela não precisar te dizer isso, e você concluir a partir das coisas que ela escuta.

Já “folheei” cases de CDs e listas de iPods que só tinham Axé e Funk Carioca. Tudo bem, é um direito da pessoa. E também diz muito sobre ela.

Mas fique alerta: se, num mesmo case de CDs ou no mesmo iPod, você encontrar um disco do Metallica e um da Ivete Sangalo, cuidado. Quem é eclético demais e diz que gosta de tudo, é porque não gosta de nada. Ou melhor, até gosta, mas não se importa muito e a música não passa de um mero item coadjuvante na vida desse cara.

O que, também não tem problema mas a gente lamenta por ele.

E você, o que tem na sua prateleira/no seu iPod? O que sua coleção tem a dizer sobre você?

 
 
Tuesday, 24 de August de 2010 | 19:22 - Por

Enquanto meu amigo Zannin conduz a pexeira pela mata das novidades e vai trazendo as referências do mais moderno aqui neste humilde espaço, eu hoje vou recorrer a uma pérola das antigas para mostrar que música nova se faz de música velha.

No bom sentido, é claro. O legal de bandas e artistas novos é justamente o que eles trazem no gosto musical e o que eles usam do antigo para temperar seu som novo e, assim, mostrar ao mundo do que eles são feitos.

E hoje eu vou falar um pouco sobre o meu disco preferido do The Who, o Who’s Next. Ele é tão sensacional e sempre se manteve tão atual que não seria exagero nenhum ele ser comparado a qualquer lançamento de hoje em dia, dado o frescor de suas idéias que permanence intacto mesmo 40 anos depois de lançado.

Pra mostrar como ele é atual, é só lembrar da versão de Behind Blue Eyes que a Limp Bizkit fez há alguns anos. OK, eu não sou o maior fã da versão, mas ela mostra que o Who é fonte de inspiração para músicos jovens de qualquer geração. Claro que isso não espanta a ninguém, afinal, uma banda que tem Pete Townshend e Keith Moon na sua formação clássica não podeira ter influenciado menos, mesmo, do que milhares de jovens mundo afora.

E se você acha que o legal do The Who era só a porralouquice do Keith Moon na hora de quebrar a bateria ou a do Pete Townshend na hora de esmigalhar a guitarra no palco, pegue o Who’s Next e relembre alguns dos motivos pelos quais esta banda é até hoje uma das mais importantes do cenário clássico do rock.

O Who’s Next mostrou pela primeira vez uma banda mais preocupada com detalhes em arranjos, e isso se deve à fissura de Townshend, na época, pelo aparecimento – e uso fortalecimento – dos sintetizadores. Não que isso signifique que o disco é um desfile de tapetes sonoros com timbres datados. Não, de jeito nenhum. Pelo contrário, os teclados aqui foram usados com sabedoria, e aparecem no disco inteiro como um ingrediente que completa a canção com aquele toque especial que faltava. E nunca como um intruso, um enxerido que só quer aparecer ofuscando o resto da banda (mal do qual padeciam quase todas as outras bandas dessa época).

E então, com esse refinamento em mente e com a criatividade a todo vapor, o The Who foi capaz de construir músicas do caliber de Baba O’ Riley, a já citada Behind Blue Eyes (cujos maneirismos vocais são praticamente uma declaracão de amor aos Beatles), We Won’t Get Fooled Again e The Song Is Over (uma “personal favourite”).

Daltrey estava em sua melhor forma, e aqui é possível sentir um grupo tocando em função do grupo, e não músicos tocando só para si próprios. É um espírito que todas as bandas deviam ter, em qualquer época, do tipo “Porra, olha o que a gente está fazendo!!!”, esbanjando orgulho e vontade de fazer algo realmente significante. E, mais do que só tendo vontade, realmente fazendo.

Ao mesmo tempo em que o disco é sutil, ele é poderoso e enérgico. É cheio de raiva e de paixão, é carregado com os mais extremos sentimentos, e ironicamente é um dos discos mais coesos de toda a história da banda.

Se você conhece, recomendo ouvir de novo. Se você ainda não conhece, recomendo ouvir agora. Tenho certeza que não vou precisar recomendar mais de uma vez, ele vai entrar pra sua discoteca básica assim como os mais novos, visionários e revolucionários discos que porventura possam ser feitos hoje.

O Who’s Next era tudo isso em 1971. E vai ser pra sempre.

 
 
Tuesday, 24 de August de 2010 | 9:32 - Por


É com muita vergonha na cara que digo: só assisti o documentário we.music agora, quase fim de agosto. A vergonha acontece por vários motivos. Primeiro porque a idéia do doc foi de 3 amigas minhas. Depois, porque deixei meu ‘preoconceitinho’ com a música eletrônica (ledo engano também pensar que o doc seria muito sobre isso e menos sobre “música”) ofuscar essa colocação de idéias que é muito maior do que simplesmente definição de gêneros musicais.

A idéia do doc é unir 3 aspectos importantes da música: pensar, fazer e consumir, e como isso tudo está acontecendo agora, na presente e ambulante revolução digital. No doc, nada mais justo do que cumprir essas 3 tags. Foram chamadas 8 atrações (Killer on the Dancefloor & Thiago Pethit, Database & Holger, Xis & Chernobyl, Pristine Blusters & Firefriend) que misturadas em 4 duplas criaram 4 novos sons. O doc serve para pensar sobre tudo isso e também para te motivar a consumir esse resultado.

Antes de entrar no assunto mesmo, onde eu pretendo aqui fazer minha parte e pensar um pouco, preciso abrir os parênteses e levantar a lebre sobre a qualidade do doc (mega bem filmado, dirigido e produzido pela Galeria Experiência) e pela inteligência e consciência dos músicos – até nisso o músico de hoje precisa ser diferente e ter as rédeas comerciais do produto que cria e vende.

Há tempos venho pensando sobre o que é consumir música hoje. Sempre tive muito claro na minha cabeça que as pessoas precisam ter os ídolos a uma certa distância, inclusive para que as atitudes deles nunca consigam ser comparadas com as suas. Acredito mesmo que pessoas não saem de casa para ver gente exatamente como elas em cima de um palco. Precisa ser diferente. Enfim: “acreditava” e “precisava”.

Isso tudo mudou. Hoje é fácil produzir e gravar musica em casa. Hoje é fácil distribuir. Isso tudo faz com que o que era tão distante de todos se aproxime da realidade de muito mais gente. Aumenta a oportunidade, a oferta, a concorrência e principalmente a quantidade de música pra nós.

O que resta é que ainda é necessário fazer música boa, independente de estilos ou rótulos. A diversidade, que sempre foi defendida pelos artistas mas nunca pelo mercado, agora é uma realidade, seja no som, no gênero, na roupa, no sexo, na experiência, no meio ou na mensagem.

O que eu tiro como conclusão, e que felizmente não é só uma coisa da música, é que estamos numa fase ‘funcional’ como nunca. Podemos fazer, participar, gerar, criar, mudar, recortar, colar, filmar, divulgar, trocar… está tudo na nossa mão. O brasileiro, ainda mais do que o pessoal no resto do mundo, pode aproveitar a curiosidade e competência musical de sempre e misturar com os fortíssimos hábitos digitais e sociais e fazer disso tudo, ainda mais, um celeiro criativo e exemplo pro resto do mundo.

O doc abre uma conversa enorme. Tão grande que está concorrendo a uma vaguinha nos incríveis e concorridos painéis do South by Southwest, um festival sobe musica, cinema e interatividade que acontece em março de 2011, e que rola desde 1987 em Austin no Texas. Importante levantar essa bola por lá, inclusive para mostrar o que é a realidade se fazer muito com muito pouco que acontece por aqui. Sem os brilhantes de P. Diddy (ainda é esse nome?), com impostos ABSURDOS pra compra de qualquer equipamento, e sem os carros e tiros dos rappers de lá.

Idéias importantes para serem discutidas e avaliadas, num momento onde ainda é possível fazer a diferença nessa revolução que está em pleno progresso. Já parou pra pensar que essa turma da Remix e da Pix (idealizadoras da porra toda) podem ser vistos no futuro como a turminha do Andy Warhol era vista lá trás?

Bom. Se quiser ajudar o pessoal do we.music a levar essa opinião toda pra lá, é só se cadastrar aqui e mandar ver. Para votar, basta acessar http://panelpicker.sxsw.com/ideas/view/5543, fazer um cadastro que leva 1 minuto e depois clicar na mãozinha para cima ao lado de “your vote”.

Depois de falar tudo isso, se você ainda não tiver assistido o doc, veja abaixo. Tem 34 minutos de duração. Se seu chefe for comer o seu rabo por fazer isso, veja o trailer rapidinho e guarde o link do filme completo para assistir em casa.

 
 
Monday, 23 de August de 2010 | 11:46 - Por

Post no melhor estilo ‘rapidinha’.

Mendigos são legais. Tocam com o coração.
Um bom exemplo já falado aqui é a versão fantástica de Creep que o Daniel Mustard emplacou. Vale rever: http://www.adayinthelife.com.br/2010/03/02/daniel-mustard-creep/.

A música está mesmo em todo lugar, com ou sem instrumentos.
Agora pela manhã o @peele mandou esse video do mendigão genial no metrô. Baterista é tudo igual mesmo. A arrumação é rigorosamente metódica, mesmo sem as peças para ajustar.

 
Categorias/Tags: Verdade, Video, , ,
 
 
 
Arquivo por Data

January 2012

November 2011

October 2011

September 2011

August 2011

July 2011

June 2011

May 2011

April 2011

March 2011

February 2011

January 2011

December 2010

November 2010

October 2010

September 2010

August 2010

July 2010

June 2010

May 2010

April 2010

March 2010

February 2010

December 2009

November 2009

Categorias Principais
50’s    60’s    70’s    rock    pop    blues    jazz    novidades    reviews