quarta-feira, 28 de julho de 2010 | 3:31 - Por Cotta

28 de julho de 2010. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu realizei um dos maiores sonhos da minha vida. Hoje faz exatamente 1 mês (e dois dias) que eu vi, ao vivo, o Sir Paul McCartney.

Foi em Cardiff, País de Gales, Reino Unido que a magia aconteceu. A cidade – que deve ter mais ou menos o tamanho de um tabuleiro do Jogo da Vida e o PIB maior do que o da America Latina inteira – amanheceu radiante naquele Sábado. “Hoje tem show do Paul McCartney aqui!” dava pra ver a empolgação nos locais. E essa empolgação se refletia nos turistas, nos comerciantes, nos funcionários da estação de trem, nos quartos esgotados dos hotéis, nos avisos dos supermercados restringindo a venda de cerveja a 4 latas, no máximo, por pessoa. Afinal, tinha que ter pra todo mundo. Tinha que ser justo com todo mundo o dia mais importante do ano no Pais de Gales.

Chegando aos portões do imponente Millenium Stadium, eu ainda não conseguia me dar conta do que estava prestes a acontecer. Vi o show de abertura dos Manic Street Preachers (bem bom, por sinal) e não conseguia compreender que em poucos instantes eu estaria frente a frente com uma das lendas vivas do rock, com uma das personalidades mais emblemáticas do século XX, com um dos responsáveis pela maior banda de todos os tempos.
E, pelo visto, eu não era o único a alimentar essa ansiedade. O estádio foi enchendo pouco a pouco e, antes das 7 da noite, já tinha todos os lugares ocupados. Civilizada e irritantemente ocupados. Não dava nem pra tentar angariar um gargalo ou uma grade. Os seguranças europeus são implacáveis. Mas graças à minha querida Daniela Mochida (a quem credito esse dia inesquecível e os registros que você vai ver abaixo), meu lugar na segunda fileira do show estava garantido. E assim, mesmo com toda a rigidez galesa, eu tive a honra e o privilégio de contemplar Sir Paul a pouquíssimos metros de distancia. E testemunhar, finalmente, o espetáculo histórico de um musico lendário.

Telão. Videozinho de abertura. Burburinho ansioso toma conta do estádio. Roadies terminando de preparar o palco. Seguranças tomando suas posições. Máquinas fotográficas aquecendo seus flashes. E o coração do Cotta avançando pela garganta.

Luzes apagam. Palco acende. Público urra.

Entra a banda. Um por um. Ouvem-se os primeiros acordes das guitarras estridentes nos P.A.s gigantescos do estádio ultramoderno. Espinhas dorsais redefinem os valores da escala Richter.

Eis que então, surge no palco, ovacionado unanimemente, Sir Paul McCartney. Sorridente, acenante, simpático como todo ídolo deveria ser. Violão em riste e microfone a postos. E o show começa com Venus and Mars, clássico dos Wings, de 1975. E imediatamente depois, Jet. E o coração do Cotta já pedindo as contas no RH.

Se você pensar friamente, é só um “velhinho” de 68 anos tocando baixo. Mas de repente você olha pro palco e vê aquele cara. Aquele cara que fez parte da banda mais influente da história, que revolucionou o comportamento da geração dos seus pais, que produziu uma das obras mais sólidas e consistentes da cultura ocidental, que fez as musicas que você cresceu ouvindo e que definiram muito do seu caráter. E aí vc repensa e se toca de que está diante do cara que fez boa parte da trilha sonora da sua vida. E parece que passa um filminho na sua cabeça (aquela história clássica, só que por um bom motivo) que te faz voltar e entender de novo o porquê de aquilo ser tão importante pra você, e justamente o porquê de você estar ali onde você está, naquele momento. E aí cai a ficha: vc está vendo o Paul McCartney, porra!

E aí ele despeja aquela enxurrada de clássicos, só pra testar o quão forte seu coração é. Ou não é. Eu me segurei bem até começar Let Me Roll It, e daí em diante foi só choradeira. Soluço, mesmo. É impossível conter a emoção, e mesmo você já sabendo de cor tudo o que ele vai tocar… Poxa, é claro que você sabe que ele vai tocar Let It Be, você sabe que ele vai tocar Band On The Run, você sabe que ele vai tocar Hey Jude. E quando toca, é incontrolável.

O que você não sabe é que ele também toca I’m Looking Through You, Dance Tonight, Ram On, Obladi Oblada, Paperback Writer, A Day In The Life e Day Tripper. E o mais legal é que você olha praquela banda irretocável, aqueles músicos jovens e cheios de gás, e olha para o Paul… e vê que o Paul tem mais gás do que todos eles juntos.

O homem tem 68 anos de idade e toca com o tesao de quem tem 25. O homem faz um show de quase 3 horas de duração e não demonstra o mínimo cansaço. Ao todo, foram 37 músicas divididas em bloco principal e dois bises. E ele canta tudo, nota por nota, de Blackbird a Helter Skelter sem perder a voz. É de dar inveja.

Aqui embaixo vc vê um curto registro de I’m Looking Through You (cujo vídeo ficou meio tremido dada a empolgação!) e Let Em In (uma das minhas preferidas da carreira solo dele e uma das surpresas mais legais do show pra mim, um puta presente).

Os registros são simbólicos e importantíssimos, e capturam um pouquinho da emoção que foi estar lá vendo esse fenômeno que é o Paul McCartney. Se desse, teríamos filmado o show inteiro. Mas não tem problema, esses outros registros já estão pra sempre gravados na minha memória e no meu coração.

Obrigado, Paul.
Minha vida, minha história, minha personalidade e meu caráter agradecem.

 
15 comentários
 
  • 1. Pedro Oliveira pedroliveira_
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 7:25

    Descreveu muito bem a sensação que eu tive quando o vi em Hamburg no fim do ano passado. Acho que passei o show todo anestesiado e a ficha foi cair só uns dias depois. Foi FODA.

  • 2. Shel @shel_shel
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 10:01

    ah que experiência única!!!! Muito obrigada por dividi-la, por instantes consegui me ver lá, sentada, olhando pra ele. ah que sonho.

  • 3. Murilo Zeneddine @MZeneddine
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 10:05

    Um sommelier musical e um mago da escrita. Sem palavras pra esse post. Parabéns, Cotta.

  • 4. Zannin
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 10:21

    Caralho cara… que puta post, que puta show, que puta video…

  • 5. Pedro Guerra @guerrapedro
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 10:28

    É o cara.

  • 6. Lucas Repullo http://twitter.com/lucasrepullo
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 10:34

    Post sensacional! Nunca fui em um show dele mas imagino que a emoção será exatamente essa!

    Parabéns cara!!

  • 7. Pedro Gouveia pedro1403
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 10:45

    Caramba que emocionante, deu um frio na minha espinha só de ler esse seu post. Deve ter sido fascinante e mágico. Parabéns por ter entrado pro seleto grupo dos que tiveram a oportunidade de ver Sir Paul ao vivo e a poucos metros de distância! É história pros netos! ehehehe abraços

  • 8. Brandão brandao77
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 10:56

    Caro Cotta, sempre é muito bom ver a paixão rolando por um cara que começou a tocar bem antes de nós nascermos, certo?

    Sinto falta disso nessa galerinha de hoje. Muitas bandas modernas, muitas bandas hypadas, muitos tênis coloridos e, infelizmente, pouco rock’n'roll.

    Sinto falta de cabelos compridos, das cervejas em cima dos amplificadores e guitarristas com tatuagens feias e sem camisa.

    Os Beatles podem até não ser isso, mas incentivaram toda essa galera que eu sinto saudade de uma forma de outra. E por incrível que pareça, hoje nem os Beatles são mais comentados por aí.

    Escreva sempre com esta paixão e, se possível, fale mais dos dinossauros históricos ou então de bandas que ainda respiram, vivem e amam o Rock’n'Roll cru, sem frescura e enrolação. Existem, ainda bem, algumas ainda por aí.

  • 9. Aléx de Oliveira alex_web
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 11:24

    Cotta, cara eu costumo deixar comentários em post, mas tirei um tempinho para ler o seu, e porra, tive que deixar aqui meus parabéns!

    Muito emocionante o jeito que você descreve a sua aventura. Obrigado por compartilhar. Abraço

  • 10. Hiro Kozaka hkozaka
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 11:28

    Assisti ao show seguinte, e ultimo da turne, no Hyde Park em Londres. Nao fiquei tao perto dele mas o coracao ficou apertado do mesmo jeito. :)

  • 11. William Biagioli Twitter
     
    quarta-feira, 28 de julho d 2010 e | 15:21

    Uma salva de aplausos. Para os dois.

  • 12. julia jujubas
     
    quinta-feira, 29 de julho d 2010 e | 22:13

    Um arrepio invadiu o meu corpo lendo o texto e as lagrimas rolaram depois. Eu descreveria o show da mesma forma, mas preciso ir num show dele. Pena que do jeito que a coisa tá não vai ser em 2010, 2011… só indo pro hemisfério norte :(

    Belíssimo post. Um dia quero ter a mesma sensação. Olhar aquele show antológico dele no Rio pela TV não é a mesma coisa…

    Se eu chorei com o Brian Wilson em 2004 eu vou secar com o Paul…

  • 13. Lya twitter.com/lavaland
     
    quinta-feira, 29 de julho d 2010 e | 22:21

    meu deus, eu já tava chorando em Let Em In, haha.

  • 14. Thiago Reimão thireimao
     
    sexta-feira, 30 de julho d 2010 e | 12:23

    Here, There & Everywhere.
    Forever :-)

  • 15. jose carlos Twitter
     
    segunda-feira, 09 de agosto d 2010 e | 22:31

    estive no mesmo show, mesmo dia, mesmo estadio, posso dizer o seguinte.. estou embasbacado até agora.
    O cara não nos deu o direito de pedir mais nada. Fullfill the dream.


 
 
 
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