Provavelmente você está olhando a capa desse disco e pensando: “Porra, Cotta!! Cantorinha americana, agora?!?!?!”.
Calma, calma.
A Fine Frenzy é uma banda americana, sim, e sua vocalista é uma cantorinha jovem e bonitinha, sim. Mas, nesse caso, as aparências enganam, e muito.
O nome da menina é Alison Sudol, e essa banda surgiu em 2006/2007 com um disco chamado One Cell In The Sea, que mostrava uma cantora ainda insegura e imatura diante de temas pretensiosos, e musicas bonitas mas meio sem direção.
Dois anos depois, este Bomb In A Birdcage veio provar que a menina cresceu e aprendeu a fazer musica boa. De americano, essa banda só tem o sangue, porque na boa… O som que eles fazem é um britpop tão bom ou melhor do que muitas bandas britânicas têm feito hoje em dia.
Conheci esse disco em outubro do ano passado e já vinha querendo falar sobre ele faz tempo, mas nunca tinha tido a calma e o tempo necessários para falar dessas musicas com a atenção que elas merecem.
Pode parecer exagero, mas às vezes o A Fine Frenzy soa como um Coldplay ou Travis (em alguns parcos momentos, ouso dizer até Radiohead) de saias, dada a sensibilidade e o tino para a melodia da bonitinha Alison. Do desenho da voz até os mais longínquos backing vocals, tudo é feito com muito capricho, e as peças em cada musica se encaixam com precisão como num quebra-cabeças de 5000 peças, que visto de longe parece mesmo um quadro ou uma foto impecáveis.
Aqui, cada audição é como um passo para trás na admiração do quebra-cabeças. Ouvindo pela primeira vez, as musicas de Alison e Cia. mostram a inteligência melódica que nos acostumamos a esperar de bandas consagradas, mas não chegam a emocionar. Algumas, no primeiro contato, parecem até ingênuas demais. Mas a cada nova sessão, o disco melhora, e você vai dando, sem perceber, mais passos para longe do quebra-cabeças. E o que fica na cabeça é a imagem completa, perfeita, sem remendos ou falhas.
E é essa a sensação boa de ouvir o Fine Frenzy. Cada repeat é mais satisfatório que o anterior, e de repente você se vê mergulhado no universo de Alison, enternecido com seus falsetes e suas melodias Coldplayanas, todas sustentadas por uma enxurrada de acordes menores que, por muitas vezes, fazem sua espinha arrepiar.
Se você não tem preconceito com vocais femininos, vai fundo. É pop, sim, mas é pop excelente. Aqui eu deixo de aperitivo duas das minhas preferidas do disco: New Heights e Elements. A primeira é uma aula de refrão e arranjo, com piano e baixo espertíssimos e nada previsíveis, da timbragem às ghost notes; e a segunda é um desabafo melancólico e confessional, carregado e denso, de alguém que acabou de se livrar de seu “greatest disaster”. Depois do segundo refrão, a catarse emotiva e a simples beleza da melodia afastam qualquer suspeita de superficialidade que a aparente adolescência da capa venha a sugerir.
Vai lá. Depois de ouvir umas 5 vezes, me diz o que vc achou.
