Thursday, 27 de May de 2010 | 19:31 - Por

Nome de banda é tão parte da banda quanto o timbre do baixo ou a distorção da guitarra. O nome tem que te convidar a conhecer a banda, te dar uma idéia do som mas sem entregar o jogo por completo.

Black Stone Cherry é um nome no mínimo intrigante, né? Te faz pensar: que tipo de som faz uma banda com um nome desses?!

Então só tem um jeito: ouvir o som pra tentar entender. Garanto que resolve.

Se eu citar as influências e referências você vai pensar que é mais uma bandinha de rock como tantas outras que surgem e somem todo dia. Então bora pro disco que é o que interessa. E já aviso é daqueles em que você dá play na primeira e quando percebe já está na última música e querendo ouvir mais. A sequência de abertura do disco é de tirar o folego.

Prepare-se, pegue um bom bourbon, dê um trago, repire fundo e aperte o play.

Rain Wizard abre o disco com o pé na porta. Batera moendo, crunch nas guitarras, um grito absurdo do vocal e já emenda num riff grudento, você vai notar que riff southern pesado é o que não falta no disco. E já na primiera musica aparece também outra caracteristica que eleva a qualidade da banda, eles são ótimos contadores de história. Rain Wizard fala da lenda, lá da região do Kentucky de onde eles vêm, de um homem que sabe fazer chover. Se na primeira veio o pé agora é soco na cara mesmo! Backwoods Gold tem um dos melhores riffs de intro do disco, pura porrada e quando chegar no refrão tenha certeza que você vai estar gritando junto!

Lonely Train, a minha preferida do disco, tem a intro mais `gorda` e mais pesada do disco, vai crescendo devagar até que vêm uma bela pancada e te deixa atordoado. Entra o verso e uma das melhores levadas rock/heavy/southern que eu já ouvi, a pegada southern fica estampada no groove da cavalgada das guitarras. Impossível você não berrar a plenos pulmões junto com o vocal.

Maybe Someday é a quarta musica do disco e depois de três pancadas você já fica esperando aquela baladinha ou a popzinha do disco mas lá vem mais porrada e mais riff matador. O refrão é uma versão country de Hellacopters com vocal gordão, é avassalador! Hell and High Water e Tired of the Rain são as baladas do disco no melhor estilo southern, pro bar todo cantar junto e com o copo cheio de preferência (ou vazio, depende do ponto de vista).

O album conta ainda com uma versão de Shape of Things, originalmente dos Yardbirds, claramente influênciada pela versão gravada por Black Crowes & Jimmy Page pra essa mesma música.

A produção do disco é impecável, muito competente e até surpreendente para um disco de estréia. A banda, que vêm de uma cidadezinha do inteiror dos US com 1,5 mil habitantes  e é formada por 4 moleques nos seus vinte e poucos anos, deixa claro que sabe o que esta fazendo.

É rock´n roll, simples e direto, sem firulas.

Acho que deu pra perceber que o disco é repleto de petardos. Os guitarristas, Ben Wells e Chris Robertson, demostram muita criatividade pra criar riffs gordos, pesados e quentes. Na cozinha da banda, John Fred Young parece marretar os tambores da batera pra acompanhar o baixo estúpidamente grave de Jon Lawhon. Nos vocais, Chris, canta como se tivesse anos de estrada pra calejar as cordas vocais, o timbre rasgadão dá vida às melodias grudentas e os refrões marcantes. É um Lynyrd Skynyrd com o pé atolado no acelerador, a metade dos integrantes e o dobro de overdrive.

Sinta a pegada da banda em Lonely Train.

 
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