Thursday, 20 de May de 2010 | 19:39 - Por

Em meio à explosão do grunge e a volta do rock à moda antiga nasce o Incubus tentando traçar um caminho menos óbvio e mais autêntico. Com referências a funk, soul, hip-hop, junto da rebeldia e da pegada rock, da distorção e do peso do metal, definitivamente já chamava a atenção e era trazia uma proposta diferentes de fato.

Mas é só em 99, com o lançamento de Make Yourself, terceiro disco, que eles conseguiriam acertar a mão. Nos primeiros discos ainda pareciam ser uma banda em busca de identidade, as referências pareciam não se encaixar com naturalidade. É nesse terceiro disco que a aparece a maturidade musical pra absorver essas referências. O peso e a agressividade, talvez exageradas nos primeiros trabalhos, dão lugar a melodias e levadas mais agradáveis e mais interessantes. É um disco com uma produção mais cuidadosa e mais trabalhada mas sem perder as referências e elementos determinantes do início da carreira, é um só um Incubus mais lapidado e polido.

Make Yourself
revela uma banda mais madura não só musicalmente mas nas letras também. O disco te dá um tapa na cara e te bota pra refletir e repensar a vida. Vale definitivamente uma audição completa, de caba a rabo.

The Warmth, em que aparece o talento do guitarrista Mike Eizinger pra pilotar e brincar com efeitos de sua guitarra e criar vibes envolventes, te lembra de aproveitar a vida enquanto é tempo, de aproveitar o calor humano e não se isolar.

No meio do disco a sequência Stellar, Make Yourself e Drive é matadora! Stellar, é aquela balada romântica nada piegas, pesada na medida, com refrão chiclete e bridge calminho, se tornou presença garantida em quase todos os shows da banda desde então. Na sequência vem a faixa título, uma pancada com uma letra densa que te desafia: por que não construir-se você mesmo? Logo depois vêm o hit Drive, a baladassa do disco que talvez seja uma das responsáveis pela projeção da banda na época, e que de novo vem te questionar: não deveria ser você pilotando a sua própria vida?  É ao final dessa sequência que fica clara a evolução de Brandon Boyd como vocalista. Mais maduro e preparado ele parece mais confortável passeando por diferentes estilos vocais, o que revela pra nossa sorte um baita vocalista.

Em Battlestar Scralatchtica, a única instrumental do disco, DJ Killmore, apesar de ser estar em seu primeiro trabalho com a banda, parece se sentir em casa pra operar as turn-tables e completa esse quinteto representando muito bem a porção hip-hop da banda.

E pra fechar o disco a dobradinha cheia de pegada, Pardon Me e Out From Under. Mais duas musicas repletas de efeitos e barulhinhos criando vibes que servem de pano de fundo para as levadas quebradas e viradas cirúrgicas de batera José Pasillas formando um casamento perfeito com a parede de graves e os grooves funkeados do baixo de Dirk Lance. Pardon Me sintetiza perfeitamente a mistura que é o Incubus e fala de como é difícil aguentar as pressões e hipocrisias do mundo e já antecipa no primeiro verso: “Desculpe-me enquanto eu explodo”. Interessante que Pardon Me, hoje um dos maiores hits da banda e que é pedida em coro nos shows, só estourou de fato depois que Mike e Brandon fizeram uma apresentação de uma versão acústica da música em alguns programas de rádio na época.

Make Yourself é ótimo pras horas de crise em que você precisa de um empurraõzinho amigo pra explodir e se reinventar.

Curta Drive e Pardon Me em versões ao vivo:

 
Categorias/Tags: 90s, Album Reviews, Reviews, Rock,
2 comentários
 
  • 1. Pedro Oliveira
    Fatal error: Call to undefined function get_twitter_link() in /home/adayinth/public_html/wp-content/themes/zannin/comments.php on line 57