
Lá pelos idos de 1971, David Bowie ainda não era o camaleão do rock como o conhecemos hoje. Mas já tinha feito o primeiro disco de uma safra que virou clássica e já era respeitado como uma das grandes revelações do pop/rock britânico.
Ele já tinha feito The Man Who Sold The World e já tinha feito Space Oddity. Duas poderosas composições que, por si só, já lhe valeriam adoração eterna pela maioria de seus fãs. O próximo passo de Bowie, naquele ano, viria a se tornar o álbum Hunky Dory: um dos melhores discos de rock dos anos 70 e, pra mim, o melhor de sua carreira.
Em um mesmo disco, o cara teve a pachorra de lançar Life On Mars, Changes e Oh You Pretty Things. É muita covardia. E isso só pra citar algumas. O disco é inteiro focado, é conceitual, é experimental sem ser bizarro, é inovador em termos de melodia e timbragem dos instrumentos, é hipnotizante em termos de arranjos e é emocionante em termos de tudo junto.
Bowie começava a ousar um pouco mais a cada single que escrevia, e Hunky Dory é o disco que consagrava esta ousadia e transformava qualquer estranheza em estilo. É um dos mutos momentos mágicos na carreira deste explosivo inventor, que ainda viria a se tornar um dos grandes visionários da nossa cultura.
Falando assim, parece até que eu sou o maior fã de David Bowie que existe na Terra. Não sou, e estou até meio longe disso. Mas quando um cara consegue fazer o que ele fez – e continua fazendo – a gente tem que baixar a cabeça e respeitar.
E qualquer ser humano que compusesse Life On Mars já mereceria meu respeito. Coincidentemente, foi o Bowie. E é por essas e por outras que o chamam de gênio.
Relembre a maravilhosa Life On Mars e seu arranjo soberbamente estupendo. É uma música que pode aparecer no meu fone trezentas vezes por dia. Vou me emocionar em todas.
