Archive for May, 2010

 
Friday, 28 de May de 2010 | 0:27 - Por

Se você conhece o Flaming Moe, já sabe que meu texto vai ser quase que uma roubada no jogo. Se não conhece, na seqüência entenderá porque.
Flaming Moe é uma das minhas bandas do coração. Acompanho desde seu inicio em 2003 e seguramente foi a contato e admiração que me fizeram querer subir num palco e ter um gostinho do que é aquilo tudo.

A banda é isso. 5 amigos de escola que enlouqueceram ao escutar Hellacopters antes da maioria das pessoas ter a mínima idéia do que era isso. O gênero, definido como stoner rock, é uma mistura endiabrada de riffs vindos do hard rock, devil girls, peso do metal, litros de cerveja, preguiça e larica vindos você imagina de onde, tudo isso jogado dentro de um velho conversível em alta velocidade pelo deserto de nevada. É pesado, é melodico, é rápido e bem trabalhado. É um chute no saco.

Flaming Moe é pura gasolina, e as apresentações ao vivo valem qualquer ressaca. É tudo tão surpreendente, tão competente que se você não percebeu ainda que é uma banda de amigos meus, poderia imaginar que são gringos loucos da california. Quem já viu sabe do que estou falando.

Mas essa banda é do coração por incontáveis motivos além do som. Peruche, Gui, Vitor, Caio e Hugo estudaram comigo na escola. Participei de praticamente tudo o que aconteceu com eles, de todas as brigas, shows, gravações, viagens, festivais, composições, canjas, bebedeiras, ensaios e acontecimentos que mudaram a trajetória da banda e de nossas vidas. São todos amigos/irmãos que sempre fizeram tudo no máximo, da vontade ao volume.

Soul Hunter é o primeiro álbum, conclusão de um trabalho que começou com EPzinho e participações em coletâneas. Onze músicas minuciosamente trabalhadas – produzidas e gravadas pelo amigo Tomas Thornhart. Meses de trabalho, cigarros e bebedeiras que tive o prazer de participar, tanto na autoria de uma das musicas como na gravação de backing vocals para 2 delas. São onze porradas na orelha, ora na esquerda, ora na direita e as vezes o telefone completo com as duas mãos.

É um disco sem descanso, sem baladinha de “baby come back”, sem economia de volume, riffs e gritos. Muitos gritos. Oh Yeah, o provável grande hit da banda inicia o disco, abrindo caminho para Nitro Z entrar acelerando e trazendo todos os clichês automotivos que eu possa escrever. Bail Out, essa do vídeo aí de baixo eu não vou nem falar, vá ver. Vasalube é uma homenagem ao lubrificante anal que aparece no Kill Bill haha. Lovebringer é o momento mais doce do Peruche, mereceria cascudos se não tivesse feito uma puta música. Wrong Side é um petardo que termina com um grito daqueles que você não aguentaria nem tentar fazer e que dura mais tempo do que você imagina. O Gui é um caso a parte. Um dos melhores vocalistas de rock que eu já vi. Um doente mental no palco. Só vendo pra entender. In My Mind tem 3:20 mas deveria ter 4:20, é aquela pausa pra você relaxar os ouvidos e continuar com a sequencia: Red Woman, The Outsider e The Journey, essa com meus suaves ‘lá lá lás” ao fundo. O disco termina com Explode My Life Again, a mais longa e psicodélica da banda.

Inútil falar de destaques. Inútil falar mais sobre o som ou sobre o que eles representam pra mim e pra minha historia com a musica. Tá pensando que Flaming Moe é bagunça? É. Então vamos aos fatos:

Você acaba de ganhar a oportunidade de vivenciar esse blog de um outro jeito. Ao invés de clicar no videozinho do youtube como sempre, você vai poder fazer duas coisas, sendo que uma delas só é possível ser feita hoje e em São Paulo.

1) O Flaming Moe caga e anda pro mercado fonografico e disponibiliza todo seu album para download gratuito. Download it all, just fucking click: http://www.flamingmoe.com.br/soul_hunter/

2) Hoje o Flaming Moe toca no CB, com sua nova formação (o Hugo, baterista virou neuro-cirurgião e agora o FM conta com o Pinho ogrando nas baquetas).

Para endereço, preço e bla bla bla, passa lá no Facebook que tem tudo: http://www.facebook.com/event.php?eid=127594083921109. E mais, excepcionalmente nesse show, vão rolar 5 músicas novas e nunca tocadas ao vivo \m/ Se for, vá cedo. Lota e ficam uns 500 pra fora (não é exagero).

E para sentir o drama, veja o trecho do episódio 7 de Alice (série da HBO) com o Flaming Moe tocando Bail Out e com épico mosh da gostosinha da série no fim do video.

E sim. O nome Flaming Moe vem daquele episódio dos Simpsons, o mesmo que o Aerosmith toca na Taverna do Moe.

 
 
Thursday, 27 de May de 2010 | 19:31 - Por

Nome de banda é tão parte da banda quanto o timbre do baixo ou a distorção da guitarra. O nome tem que te convidar a conhecer a banda, te dar uma idéia do som mas sem entregar o jogo por completo.

Black Stone Cherry é um nome no mínimo intrigante, né? Te faz pensar: que tipo de som faz uma banda com um nome desses?!

Então só tem um jeito: ouvir o som pra tentar entender. Garanto que resolve.

Se eu citar as influências e referências você vai pensar que é mais uma bandinha de rock como tantas outras que surgem e somem todo dia. Então bora pro disco que é o que interessa. E já aviso é daqueles em que você dá play na primeira e quando percebe já está na última música e querendo ouvir mais. A sequência de abertura do disco é de tirar o folego.

Prepare-se, pegue um bom bourbon, dê um trago, repire fundo e aperte o play.

Rain Wizard abre o disco com o pé na porta. Batera moendo, crunch nas guitarras, um grito absurdo do vocal e já emenda num riff grudento, você vai notar que riff southern pesado é o que não falta no disco. E já na primiera musica aparece também outra caracteristica que eleva a qualidade da banda, eles são ótimos contadores de história. Rain Wizard fala da lenda, lá da região do Kentucky de onde eles vêm, de um homem que sabe fazer chover. Se na primeira veio o pé agora é soco na cara mesmo! Backwoods Gold tem um dos melhores riffs de intro do disco, pura porrada e quando chegar no refrão tenha certeza que você vai estar gritando junto!

Lonely Train, a minha preferida do disco, tem a intro mais `gorda` e mais pesada do disco, vai crescendo devagar até que vêm uma bela pancada e te deixa atordoado. Entra o verso e uma das melhores levadas rock/heavy/southern que eu já ouvi, a pegada southern fica estampada no groove da cavalgada das guitarras. Impossível você não berrar a plenos pulmões junto com o vocal.

Maybe Someday é a quarta musica do disco e depois de três pancadas você já fica esperando aquela baladinha ou a popzinha do disco mas lá vem mais porrada e mais riff matador. O refrão é uma versão country de Hellacopters com vocal gordão, é avassalador! Hell and High Water e Tired of the Rain são as baladas do disco no melhor estilo southern, pro bar todo cantar junto e com o copo cheio de preferência (ou vazio, depende do ponto de vista).

O album conta ainda com uma versão de Shape of Things, originalmente dos Yardbirds, claramente influênciada pela versão gravada por Black Crowes & Jimmy Page pra essa mesma música.

A produção do disco é impecável, muito competente e até surpreendente para um disco de estréia. A banda, que vêm de uma cidadezinha do inteiror dos US com 1,5 mil habitantes  e é formada por 4 moleques nos seus vinte e poucos anos, deixa claro que sabe o que esta fazendo.

É rock´n roll, simples e direto, sem firulas.

Acho que deu pra perceber que o disco é repleto de petardos. Os guitarristas, Ben Wells e Chris Robertson, demostram muita criatividade pra criar riffs gordos, pesados e quentes. Na cozinha da banda, John Fred Young parece marretar os tambores da batera pra acompanhar o baixo estúpidamente grave de Jon Lawhon. Nos vocais, Chris, canta como se tivesse anos de estrada pra calejar as cordas vocais, o timbre rasgadão dá vida às melodias grudentas e os refrões marcantes. É um Lynyrd Skynyrd com o pé atolado no acelerador, a metade dos integrantes e o dobro de overdrive.

Sinta a pegada da banda em Lonely Train.

 
 
Wednesday, 26 de May de 2010 | 12:28 - Por

No ano passado, Stuart Murdoch (vocalista e líder do grande Belle & Sebastian) lançou o seu projeto paralelo e multimídia God Help The Girl. É um disco + filme (ainda não lançado e com previsão para o final deste ano) que conta a história de algumas mulheres através de músicas belíssimas.

É uma história escrita para ser contada através da música. São idéias surgidas no final da última turnê do B&S, e Stuart declarou que elas não tinham espaço dentro da banda. Para funcionar, precisavam ser cantadas por mulheres diferentes, dentro de um novo contexto.

Agora, ele lança um novo single da “banda”, que não está no álbum original do projeto e que você pode conferir aqui. A vocalista da vez é Linnea Jonnson.

 
 
Monday, 24 de May de 2010 | 0:43 - Por


Desde que conheci o duo em 2008, Attack & Release o 5o disco que acabara de ser lançado, virou um daqueles recorrentes no iTunes. Sempre passava por ali, até por estar perto de outros ‘Blacks’ que sempre escuto, como Black Stone Cherry, Black Crowes e Black Sabbath (só os 8 discos com o Ozzy).

As 3 primeiras músicas de Attack & Release já valem o disco, All You Ever Wanted, I Got Mine e Strange Times fizeram de 2008 um ano mais legal, mesmo esse sendo o ano de Viva La Vida do Coldplay, Warpaint do Black Crowes, e de Only by the Night do Kings of Leon (que também merece um post especial por aqui).

Justamente por isso, sempre fiquei meio ligado procurando de tempos em tempos alguma coisa nova deles. Me cocei pra não emplacar o vinil por uma mini fortuna num dia qualquer.

Eu tenho um lance definido com música. Não importa muito se é novo ou velho, mas tenho uma certa implicância com sons moderninhos e basicamente tenho predileção por bandas que falam com propriedade do que quererm falar. A interpretação é mandatória e tudo precisa de soul (não exatamente no gênero, se é que me entendem).

O que me fez gostar de Black Keys é que eles são criativos e reinventam o bules a cada nova empreitada. Mas o som é atual, os efeitos são pertinentes, as melodias são fodas. E por ser um duo, imagino que eles são tudo o que eu queria que White Stripes fosse.

Na última 2a feira, acompanhado do meu personal devil – o mesmo que chama o Blues pra ser companheiro, cai no clipe do primeiro single de Brothers e subitamente fui pego pelas primeiras frases de Tighten Up, logo após as pandeirolas e assovios da intro: I wanted love, I needed love, most of all, most of all.

O clipe é genial, e é um claro retrato de como nós homens somos idiotas. Ao primeiro gracejo de uma qualquer, ficamos todos pimpões, jogamos nossas prioridades de lado, erramos tudo e acabamos com nada – e as vezes até um olho roxo.

Brothers é mais pop que o anterior, vai estourar certeza e você vai escutar até nas baladinhas por aí. E confesso que acho isso bem legal. Os caras conseguem fazer um som que tem uma porrada de guitarras entupidas, vocais distorcidos e ingredientes admirados por roqueiros, músicos e por gente que tem bastante referência do estilo. Mas o som deles também tem melodias grudentas e fáceis, timbres modernosos, batidas contagiantes e trazem o pacote todo pra cair no gosto do povo mais indie-pop-balada-hippster-cabelo-seboso-calça-colorida. haha.

Além de Tighten Up que vc vê abaixo, escute o disco com calma e dê atenção as faixas: Everlasting Light (que lembra um pouco as brincadeiras do Eagles of Death Metal), Black Mud (2:12 de piração instrumental), She’s Long Gone (um blusão 2010 de primeira qualidade), a linda Too Afraid To Love You e Ten Cent Pistol, uma viagem no tempo.

Não podia deixar de colocar I Got Mine do disco anterior aqui também:

E passem lá na página deles do Facebook, tem musica extra pra download grátis e um clipe live da bela Too Afraid to Love You.

 
 
Thursday, 20 de May de 2010 | 19:39 - Por

Em meio à explosão do grunge e a volta do rock à moda antiga nasce o Incubus tentando traçar um caminho menos óbvio e mais autêntico. Com referências a funk, soul, hip-hop, junto da rebeldia e da pegada rock, da distorção e do peso do metal, definitivamente já chamava a atenção e era trazia uma proposta diferentes de fato.

Mas é só em 99, com o lançamento de Make Yourself, terceiro disco, que eles conseguiriam acertar a mão. Nos primeiros discos ainda pareciam ser uma banda em busca de identidade, as referências pareciam não se encaixar com naturalidade. É nesse terceiro disco que a aparece a maturidade musical pra absorver essas referências. O peso e a agressividade, talvez exageradas nos primeiros trabalhos, dão lugar a melodias e levadas mais agradáveis e mais interessantes. É um disco com uma produção mais cuidadosa e mais trabalhada mas sem perder as referências e elementos determinantes do início da carreira, é um só um Incubus mais lapidado e polido.

Make Yourself
revela uma banda mais madura não só musicalmente mas nas letras também. O disco te dá um tapa na cara e te bota pra refletir e repensar a vida. Vale definitivamente uma audição completa, de caba a rabo.

The Warmth, em que aparece o talento do guitarrista Mike Eizinger pra pilotar e brincar com efeitos de sua guitarra e criar vibes envolventes, te lembra de aproveitar a vida enquanto é tempo, de aproveitar o calor humano e não se isolar.

No meio do disco a sequência Stellar, Make Yourself e Drive é matadora! Stellar, é aquela balada romântica nada piegas, pesada na medida, com refrão chiclete e bridge calminho, se tornou presença garantida em quase todos os shows da banda desde então. Na sequência vem a faixa título, uma pancada com uma letra densa que te desafia: por que não construir-se você mesmo? Logo depois vêm o hit Drive, a baladassa do disco que talvez seja uma das responsáveis pela projeção da banda na época, e que de novo vem te questionar: não deveria ser você pilotando a sua própria vida?  É ao final dessa sequência que fica clara a evolução de Brandon Boyd como vocalista. Mais maduro e preparado ele parece mais confortável passeando por diferentes estilos vocais, o que revela pra nossa sorte um baita vocalista.

Em Battlestar Scralatchtica, a única instrumental do disco, DJ Killmore, apesar de ser estar em seu primeiro trabalho com a banda, parece se sentir em casa pra operar as turn-tables e completa esse quinteto representando muito bem a porção hip-hop da banda.

E pra fechar o disco a dobradinha cheia de pegada, Pardon Me e Out From Under. Mais duas musicas repletas de efeitos e barulhinhos criando vibes que servem de pano de fundo para as levadas quebradas e viradas cirúrgicas de batera José Pasillas formando um casamento perfeito com a parede de graves e os grooves funkeados do baixo de Dirk Lance. Pardon Me sintetiza perfeitamente a mistura que é o Incubus e fala de como é difícil aguentar as pressões e hipocrisias do mundo e já antecipa no primeiro verso: “Desculpe-me enquanto eu explodo”. Interessante que Pardon Me, hoje um dos maiores hits da banda e que é pedida em coro nos shows, só estourou de fato depois que Mike e Brandon fizeram uma apresentação de uma versão acústica da música em alguns programas de rádio na época.

Make Yourself é ótimo pras horas de crise em que você precisa de um empurraõzinho amigo pra explodir e se reinventar.

Curta Drive e Pardon Me em versões ao vivo:

 
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Monday, 17 de May de 2010 | 23:25 - Por

Em 2001, a banda que conquistara o Brasil dois anos antes com o hit teen “Anna Julia” dava sua principal guinada na identidade e lançava um disco experimental, circense, criativo, divertido, melancólico, extremamente arriscado e ousado, e excepcional. Um disco chamado “O Bloco do Eu Sozinho”.

O “Bloco” é genial por muitos motivos. Primeiro porque foi um disco que mostrou os caras dando nenhuma – ou quase nenhuma – importância para o que a gravadora exigia e fazendo o que eles queriam. E eles queriam muito. E conseguiram. O disco já nasceu atemporal. Era uma explosão criativa. Idéia em cima de idéia, pérola atrás de pérola. Foi a válvula de escape que a vazão inventiva dos hermanos precisava para que eles se firmassem como A grande banda nova do cenário pop/rock brazuca.

Eles precisavam extravazar o acúmulo de invenções, de idéias novas, de rumos a seguir. E, assim, o Bloco é um grande repositório de pequenas genialidades (Cadê Teu Suin, Cher Antoine, Adeus Você, A Flor, etc). Tenso, efusivo, pulsante, revoltado e introspectivo ao mesmo tempo. Tudo acontecendo junto.

E o maior mérito do “Bloco”, além, claro, das próprias músicas, é ser o disco que abrigou toda a efervescência contida e deixou a mente dos caras novamente pronta para que novas idéias entrassem no lugar daquelas. Mas agora, sem a necessidade de provar nada pra ninguém e com a liberdade e o tempo que cada nova idéia genial precisa para tomar forma e amadurecer.

E então, Camelo, Amarante, Bruno e Barba realizaram seu maior feito com “Ventura”. Um disco que trazia toda a genialidade que eles já mostravam no Bloco, só que com mais foco, mais calma, mais definição e menos porralouquice. Não me entenda mal, eu adoro a porralouquice do Bloco, mas eu também adoro como a falta dela fez do Ventura um álbum extremamente coeso. O disco tem uma identidade mais forte, tanto no som quanto no visual.

Se o Bloco já nasceu atemporal, Ventura já nasceu com cara de consagrado. A própria capa já dava a idéia de disco clássico do rock, transmitia a sensação de um disco lançado 20 anos antes e que você estava ouvindo até hoje porque ele sempre foi uma obra à frente de seu tempo.

E as músicas… bom, falar do quanto elas são incríveis é chover no molhado. Mas vamos lá. Samba a Dois, O Vencedor e Tá Bom fazem, provavelmente, a melhor trilogia de abertura que um disco brasileiro já teve em pelo menos 20 anos. “Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?” é o verso inicial de uma obra que, de fato, desafia os protocolos e esclarece a posição da banda. A gente sabe o que está fazendo, e sabe muito bem, obrigado.

Neste disco, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante ganham um aspecto Lennon/McCartneyano de ser no que diz respeito à identidade das músicas. Agora é extremamente nítido quem compõe o quê. As facetas de cada um ficam mais expostas, e os temas também. De coração partido à filosofia, cada um traça a seu modo e à sua beleza as crenças e convicções espertas que geram letras lindas como O Velho e o Moço e Conversa de Botas Batidas. Pra mim, duas das canções mais bonitas e emocionantes da história não só da banda mas do pop nacional. Camelo arrisca um eu-lírico feminino na ChicoBuarquiana “A Outra” e Amarante se revela um cronista em “Ultimo Romance”.

O disco tem uma força imponente. Cada faixa é um atestado de autoconfiança, de orgulho do novo material, da certeza de que algo brilhante foi produzido. É a banda se deixando levar pelo caminho natural da própria evolução e refinando seus talentos, se embrenhando à própria sorte, ao próprio acaso. À própria Ventura.

Disco fundamental.

 
 
Thursday, 13 de May de 2010 | 15:57 - Por

Sabe aquele amigo pra quem você liga quando está triste? Sabe aquele amigo pra quem você liga quando está feliz e quer comemorar alguma coisa? Sabe aquele amigo pra quem você liga quando sabe que ninguém mais no mundo vai te entender?

O “Passarim” é um desses companheiros, para mim.

É um disco que faz parte da minha vida assim como fazem meus melhores amigos. Convivo com ele desde bem pequeno, e ele me acompanhou – e acompanha – em todos os momentos importantes da minha vida. Nos bons e nos ruins, ele sempre está lá pronto pra me acudir quando eu preciso. E, principalmente, para me inspirar quando eu preciso.

Pra mim, é a obra fundamental do Tom Jobim, nosso maior mestre, nosso maior gênio musical. É o momento da vida dele onde as composições ganham uma dimensão muito mais profunda e ampla do que a bossa nova, e onde as idéias são mais maduras, mais consistentes, mais emocionantes, mais desafiadoras, mais ricas.

O disco é uma passarela de pequenas obras-primas. São 11 músicas nobres e minuciosamente lapidadas. Cada nota tem uma razão de ser, e Tom se supera minuto após minuto. Aqui, ele faz letra e música se completarem com maestria, em inteligentes jogos de palavras (“Deixa o índio vivo no sertão, deixa o índio vivo nu, deixa o índio vivo”), em irônicos desabafos intercontinentais (“My life is such a mess, let´s have a Brahma”) ou em requintadas declarações de amor (“Bebel que me olha de lado e me encara com olhos de inesperado azul”).

O cara era um monstro. Um gigante. E esse disco é coisa séria. É pérola atrás de pérola. É aula atrás de aula. É um dos maiores gênios brasileiros num de seus momentos mais criativos, mais maduros, mais sinceros e elegantes.

Tom estava em paz consigo mesmo, e transmite o clima bom e o alto astral em todas as músicas. A banda exala empolgação e orgulho. Com certeza eles sabiam que estavam gravando um dos mais impressionantes discos da história da MPB. “Passarim” é um álbum refinado, lindo, emocionante e irretocável. E registra uma época mágica na vida de Tom Jobim.

Não tenho idéia de quantas vezes já escutei esse primor na minha vida. Só sei que é um disco que faz parte da minha formação, da minha educação. Influenciou minha personalidade e meu caráter. Assim como os discos dos Beatles, ele está impregnado na minha alma, é intrínseco à minha pessoa. Não tem jeito, está no sangue.

Nasci e cresci ouvindo “Passarim”. Vou ouvir pra sempre.

No link abaixo, um vídeo lindo feito para um especial da TV Globo, em 1987. (Não era permitido emebedar, por isso o link)
http://zecalouro.com/vid/borzeguimfull.htm

 
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Wednesday, 12 de May de 2010 | 20:03 - Por

Você conhece o Danko Jones? Então pule direto pro clipe e cut all the crap.
Não conhece o Danko Jones? Então vamo lá.

Essa puta banda é um trio canadense que apareceu no final dos anos 90 e antes de lançar o primeiro trabalho já abria shows de uma porrada de gente e já se consolidava na cena americana.

É um trio de Hard Rock, mas eu até incluiria um Power Blues nesse lance. É uma banda meio doritos sweet chili. haha Um treco seco, com pimenta mas ao mesmo tempo um lance com amor (referências do blues). Eu sou meio louco nessas definições, não liga não, mas vá lá escutar. É porrada, com vocal porrada, com atitude porrada.

Full of Regret é o primeiro single de Bellow the Belt, quinto disco de estúdio dos caras.
O clipe abaixo é quase um curta, com participações especiais do Lemmy do Motorhead, Selma Blair e Elijah Wood.

A música é mais um dos petardos desses três animais. Muito me fez lembrar do show deles que vi no passado no Maquinaria.

Por sinal, historia boa: a banda tava puta da cara por tocar no palquinho MySpace que não era o principal do festival. Ficou comentando durante todo o show que eles é que deveriam estar lá no palcão, no lugar do Evanescence.

O show, mesmo embaixo de garoa foi fantástico. Eu e o Palmito (esse que tá na foto do lado direito e que nessa época não trabalhava feito um fioduma) estávamos lá fazendo parte dos poucos gatos pingados que conhecem a banda. Dá até pra achar a gente nessa foto.

Dá pra ter mais um gostinho com esses outros clipes aqui: Play The Blues (ao vivo tosco em 2004), Sound of Love, Dance, I Want You, Cadillac, e Code of the Road.

Veja o clipe e se interessar, não seja preguiçoso e vá atrás. Vale a pena.

 
 
Tuesday, 11 de May de 2010 | 16:46 - Por

Post rapidinho porque tá corrido aqui.
STP é uma das bandas mais sensacionais e provavelmente mais subestimadas do rock.
Desde os anos 90 a banda soa nova, empolgante e autêntica.

Scott tá mais velho, mais ainda preserva todos os movimentos de minhoca mole.
Fiquei feliz com a volta da banda.
Gostava muito do Velvet Revolver, gostei muito do show do Morumbi, mas só de pensar em ver um show do STP já agradeço pelo retorno.

Between the Lines é o single do disco que está por vir.
FODASSO. Tomara que seja só um aperitivo do que vem por aí.
Clipe bem fotografado e rock n roll como deve ser. Assiste aí.
E desculpem pela pressa.

 
 
Friday, 07 de May de 2010 | 14:24 - Por


No final do ano passado, Backspacer, o nono disco de estúdio foi lançado.

Uma surpresa que há tempos não tinha com uma banda. Pearl Jam dispensa apresentações né. São praticamente 20 anos de estrada. Isso tira qualquer pecha de rebeldia e qualquer referência datada da explosão do grunge. É seguramente uma das bandas mais sólidas e competentes que escutamos por aí.

Eddie Vedder parece só melhorar com o tempo. O arrasa-corações das meninas que hoje já são marmanjas, soa cada vez melhor, talvez pelo rasgar da voz vir junto com experiência e calma. Sem dúvidas uma das melhores vozes do rock.

Mas se acha que vai ser um disco calminho, não rasgue seus cupons. Backspacer é uma grandiosa demonstração das facetas da voz de Vedder e principalmente do amadurecimento musical do PJ. Pearl Jam é uma banda de rock e mostra isso com clareza na impressionante sequência de abertura. São 4 músicas rápidas, tanto na velocidade como na duração, cheias de energia e peso. Gonna See My Friend abre a brincadeira como um rápido soco no estômago. Got Some segue na mesma toada e abre o caminho pra The Fixer. Aí a primeira das diferenças desse disco. É uma música cheia de distorção, mas com inusitados e super bem inseridos teclados, o refrão é grudento e deve ser o maior gerador de momentos coletivos nos shows – que precisam passar por aqui. O clipe de The Fixer é foda e você vê aqui embaixo.

Depois de Johnny Guitar, pare um pouco e prepare-se. Acho que justamente por ser algo que não se espera do PJ, esse vira o ponto mais alto desse disco. Just Breathe, com o perdão do trocadilho, é de tirar o fôlego. Ainda bem que te lembra de respirar.

É uma música simples e até clichê. Tudo sobre o amor eterno e blá blá blá. Mas isso não é desdém. Ela se encaixa provavelmente em histórias de todo mundo. É daquelas músicas que parecem ter sido feitas pra você. E talvez tenha sido, não sei.

Calma e sutil, serve como um constante lembrete pra os donos de corações errantes. Temos que lembrar de dizer que queremos, que gostamos, sem o medo de parecer tolos.

Dizer sem medo. Que coisa dificil. Por mais durão, durona, cafa, resolvido ou resolvida que você seja, chega aquela hora que tudo aquilo que seus amigos acham coisa de bunda mole vai ser exatamente o que conduzirá suas vidas. Com a correria perdemos o hábito de dizer pra quem está perto de nós que são importantes. Também para aquela pessoa que pode ir ao céu por escutar que sim, que você a quer. Ou ouvir que é querido.

Depois de Just Breathe, você já está pego pelo Backspacer, mas não faltam razões para chegar ao final. Unthought Known, a paulada Supersonic, Speed of Sound – outro ponto alto (linda melodia), a linda Force of Nature e por fim, The End. O final do disco é isso, outro momento de acalento e de valorização dos little moments da nossa vida. Uma declaração de amor enquanto ainda há tempo.

Fique com a linda Just Breathe, lembre das coisas boas e pense no que vem de melhor por aí.
Bom final de semana.

 
 
 
 
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