Mais um guest post. O Pedro, aquele que falou de sua conversão ao Radiohead agora fala sobre o Tears for Fears. Eu, particularmente não suporto os teclados dos anos 80, mas vamos ver se até o final do texto dele eu mudo de idéia. haha.
Tias Fofinhas e porque todos amam um final feliz.
Falar sobre qualquer banda dos anos 80 é – sempre – um assunto perigoso. Delicado, talvez. Ainda mais se tratando de uma banda “pop”, por assim dizer.
Eu sei que você provavelmente não gosta de Tears for Fears, mas eu acho que talvez você devesse dar mais uma chance. Sim, eu sei que você não aguenta mais ouvir Woman in Chains de madrugada no rádio (quem escuta rádio ainda?), e que a semelhança do Roland Orzabal com o Sidney Magal é o suficiente para acabar com a credibilidade da banda; mas falando sério, você deveria dar mais uma chance.
O Tears for Fears é uma banda capaz de criar músicas incrÃveis, com um apelo pop absurdo, mas ao mesmo tempo com melodias incrÃveis e arranjos idem. Dentro de toda aura de timbres feios dos anos 80, o TFF possuÃa um certo requinte ao escolher os seus (ok, Woman in Chains é exceção). Pra mim, a música deles ultrapassa o status de “ruim porém cult” que os anos 80 adquiriram – pra mim a música deles é boa, de verdade.
Vamos lá, give it a try: já assistiu Donnie Darko? Se não, vá assistir ontem. Se sim, provavelmente se lembra da bela versão de Michael Andrews & Gary Jules para uma música do TFF, Mad World e da versão original, igualmente boa (a direita):
Porém o que me leva a escrever este texto é, na verdade, o último disco da banda, lançado em 2005 após a volta de Curt Smith: Everybody Loves a Happy Ending.
Talvez este disco seja uma ótima definição da expressão “acertar a mão”. Ao invés de se valer dos clichês oitentistas e saudosistas que fizeram famosa toda a estética da banda, a dupla Orzabal & Smith resolveu simplesmente compor um disco – um ótimo disco. As vozes caracterÃsticas, os arranjos e timbres certeiros ainda estão lá. O disco soa como uma continuação natural do último álbum da “formação original”, The Seeds of Love, cuja faixa quase-tÃtulo Sowing the Seeds of Love carregava uma forte influência de Beatles. E o que encontramos em Everybody Loves a Happy Ending é exatamente esta influência, seja de forma implÃcita – como na faixa tÃtulo – ou já bem mais “na cara” como em Who Killed Tangerine?, minha favorita do disco, que propositadamente “imita” a bateria de Come Together, sampleia A Day in the Life (fato este que ocorre novamente em Who You Are?) e finaliza com todo um clima Hey Jude.
Ouça Who Killed Tangerine:
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E talvez a música que mais traz o Tears for Fears oitentista seja a igualmente ótima Secret World.
Pra mim o Tears for Fears é a banda pop mais legal que apareceu na década de 80, e que surpreendentemente se manteve num nÃvel de qualidade acima da média em toda sua discografia. Não digo que todos os discos são 100% sensacionais, mas isso é praticamente impossÃvel se tratando de uma banda pop. Portanto, recomendo mais uma vez que você “limpe seus ouvidos” de qualquer pré-conceito sobre a banda e escute feliz este disco. Se gostar, parta para os outros, não vai se arrepender. Se não gostar, bem, os comentários estão aà para isso.
