Archive for April, 2010

 
Thursday, 29 de April de 2010 | 11:49 - Por

Quando os ingleses do Keane divulgaram a Stop For a Minute em seu site, há quase 2 meses, já deu pra perceber que a banda estava indo pelo mesmo caminho das experimentações de Perfect Symmetry, e não estava disposta a ceder.

Pois bem. Night Train já vazou e agora dá pra ver que o Keane incorporou de vez as batidas eletrónicas, a sonoridade electro-pop que já dava as caras no último disco e os timbres plásticos e coloridos em detrimento ao piano clássico e melancólico que identificava a banda quando de seu surgimento, em 2004.

Isso não é, necessariamente, uma coisa ruim. Stop For a Minute é uma bela canção, e tem momentos de beleza característica da banda (mesmo quando o maldito rap entra atrapalhando tudo). O resto do EP abusa dos mesmos trejeitos, e mostra um Keane alegre, saltitante, e flertando com o hip hop em mais de 2 faixas. Clear Skies e Back In Time merecem atenção, e as outras músicas demoram um pouco para descer.

Pra mim, o destaque maior fica para My Shadow. Uma música que finalmente resgata um pouco do velho Keane e traz de volta a inteligência melódica e o clima melancólico pelo qual aprendemos a adorar esta banda. A música é linda.

De resto, o EP é um grande tubo de ensaio. Experiências malucas, algumas dão certo, outras ainda soam muito esquisitas.

Confira a bela My Shadow:

 
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Wednesday, 28 de April de 2010 | 12:11 - Por

1970, 1 ano após os 3 dias de Woodstock que mudaram o mundo e a história da música, Joe Cocker, um dos mais doidos daquela época e dono de uma das minhas vozes preferidas do rock n soul, lança Mad Dogs & Englishmen, um disco duplo, ao vivo quase que integralmente de covers, e provavelmente um retrato definitivo sobre a mistura de rock n roll e soul que virou assinatura do cara.

O disco é recheado de pérolas, hoje chamadas de clássicos. Acompanhado por uma banda incrível, um enorme coral e prrovavelmente por uma quantidade incalculável de substâncias ilegais, Cocker entrega um daqueles shows que te fazem ter vontade de viajar no tempo e tomar uma breja com o cara. Essa época inclusive é marcada pela lenda dos 2 anos de blackout, onde diz-se por aí que Joe não lembra de absolutamente nada do que viveu ou fez. Hahaha. Great times!

São ínumeros os sucessos: Honky Tonk Women dos Stones, Cry Me a River, Feelin’ Alright, Let’s Go Get Stoned, O Blue Medley, com I’ll Drown in My Own Tears, When Something is Wrong With Me Baby de Isaac Hayes e I’ve Been Loving You Too Long de Otis Redding. Ainda temos Girl from the North Country de Bob Dylan, Give Peace a Chance (imortalizada pelos Beatles) e She Came in Trough the Bathroom Window de Lennon e McCartney.

Por sinal, esse é um tema que eu preciso pesquisar qualquer hora. Cocker e Beatles. São tantas versões e parcerias que provavelmente tem alguma história boa escondida por ali. A última delas em 2007, foi no Across the Universe, filme/musical que usa Beatles como guia para retratar o turbulento final dos anos 60. Cocker aparece e canta no filme em algumas ocasiões, a mais marcante delas como um mendigão maluco que canta Come Together, essa que parece ter sido feita pra voz dele.

Enfim, esse e qualquer outro disco do Cocker até o final dos anos 80 são viagens sensacionais. Bom pra deixar rolando a tarde e principalmente música boa pra esquentar o clima nuns amassos no carro. Te salva de qualquer situação onde a moça que te acompanha não esteja cedendo aos seus encantos.

Uma pena que Marjorine não esteja nesse disco, uma das minhas favoritas. Bom, fora do clima de romance e sedução, fique com Feelin’ Alright, música fodassa que já foi gravada por um monte de gente, inclusive pro fabuloso Grand Funk Railroad.

 
 
Tuesday, 27 de April de 2010 | 14:24 - Por

Eu já falei da Regina Spektor aqui.
Desde que ouvi essa menina russa esquisita pela primeira vez, eu fiquei abismado com o seu talento e sua criatividade. Ela gosta de ir por caminhos que a gente não espera. E eu adoro isso.

Agora, ela supreende mais uma vez mostrando-se ao mundo como uma fã confessa de Radiohead, e dando de presente uma releitura de “No Surprises†que chega a ser tão ou mais emocionante que a versão original.

Thom Yorke deve estar morrendo de orgulho. Eu estaria, se alguém fizesse uma versão dessas para uma música minha.

Antes de ouvir, pegue uma caixa de lenços. Você vai precisar. E prepare-se para deixar a faixa em loop o resto do dia.

É de arrepiar até o último fio de cabelo. O piano sempre imponente e erudito de Regina está timbrado com a finalidade de rasgar sua alma e trazer abaixo todo e qualquer resquício de resistência que você possa ter no que diz respeito a lacrimejar os olhos.

Dessa vez não vai ter jeito. Regina captou com a maturidade e a sensibilidade de um gênio toda a essência da música, e a traduziu com emoção e elegância.

De chorar. Mesmo. Repare na delicadeza do piano, na tristeza do violoncelo, na emoção das cordas e na progressão que faz a música explodir calma e melancolicamente quando chega ao seu final.

Regina, obrigado por nos emocionar.

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Confira aqui.

 
 
Tuesday, 27 de April de 2010 | 10:21 - Por

Eu sou um fã de country e southern rock. Fui imediatamente pego pela palavra Cash em um tweet por aí. Falecido em 2003, o “Man in Black” parece se manter vivo e presente. Sua família e fãs seguem em uma batalha incansável para preservar a memória de um dos músicos mais influentes do século 20.

Então temos esse projeto colaborativo onde você pode fazer parte de um clipe, desenhando pelo site um dos frames para a música Ain’t No Grave, a última gravada pelo cara.

O resultado é ótimo. Você desenha em cima de uma imagem guia, e não precisa ser especialista para fazer o seu. Como cada frame pode ser desenhado mais de uma vez, o clipe que você assiste sempre é único. Depois de desenhar, seu nome é incluído nos créditos do clipe.

Visite o site, veja o clipe e só para relembrar, abaixo você fica com Hurt, versão de Cash para a música do Nine Inch Nails, gravado para a coleção American Recordings de 2002. Incrível como essa versão é mais pertinente do que a do meu adorado NIN. A letra foi feita para uma voz cansada, potente e vivida. Cash pegou a música pra ele.

Vida longa ao Cash.

 
 
Monday, 26 de April de 2010 | 11:14 - Por

Mais um guest post. O Pedro, aquele que falou de sua conversão ao Radiohead agora fala sobre o Tears for Fears. Eu, particularmente não suporto os teclados dos anos 80, mas vamos ver se até o final do texto dele eu mudo de idéia. haha.

Tias Fofinhas e porque todos amam um final feliz.

Falar sobre qualquer banda dos anos 80 é – sempre – um assunto perigoso. Delicado, talvez. Ainda mais se tratando de uma banda “pop”, por assim dizer.

Eu sei que você provavelmente não gosta de Tears for Fears, mas eu acho que talvez você devesse dar mais uma chance. Sim, eu sei que você não aguenta mais ouvir Woman in Chains de madrugada no rádio (quem escuta rádio ainda?), e que a semelhança do Roland Orzabal com o Sidney Magal é o suficiente para acabar com a credibilidade da banda; mas falando sério, você deveria dar mais uma chance.

O Tears for Fears é uma banda capaz de criar músicas incríveis, com um apelo pop absurdo, mas ao mesmo tempo com melodias incríveis e arranjos idem. Dentro de toda aura de timbres feios dos anos 80, o TFF possuía um certo requinte ao escolher os seus (ok, Woman in Chains é exceção). Pra mim, a música deles ultrapassa o status de “ruim porém cult” que os anos 80 adquiriram – pra mim a música deles é boa, de verdade.

Vamos lá, give it a try: já assistiu Donnie Darko? Se não, vá assistir ontem. Se sim, provavelmente se lembra da bela versão de Michael Andrews & Gary Jules para uma música do TFF, Mad World e da versão original, igualmente boa (a direita):

Porém o que me leva a escrever este texto é, na verdade, o último disco da banda, lançado em 2005 após a volta de Curt Smith: Everybody Loves a Happy Ending.

Talvez este disco seja uma ótima definição da expressão “acertar a mão”. Ao invés de se valer dos clichês oitentistas e saudosistas que fizeram famosa toda a estética da banda, a dupla Orzabal & Smith resolveu simplesmente compor um disco – um ótimo disco. As vozes características, os arranjos e timbres certeiros ainda estão lá. O disco soa como uma continuação natural do último álbum da “formação original”, The Seeds of Love, cuja faixa quase-título Sowing the Seeds of Love carregava uma forte influência de Beatles. E o que encontramos em Everybody Loves a Happy Ending é exatamente esta influência, seja de forma implícita – como na faixa título – ou já bem mais “na cara” como em Who Killed Tangerine?, minha favorita do disco, que propositadamente “imita” a bateria de Come Together, sampleia A Day in the Life (fato este que ocorre novamente em Who You Are?) e finaliza com todo um clima Hey Jude.

Ouça Who Killed Tangerine:

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E talvez a música que mais traz o Tears for Fears oitentista seja a igualmente ótima Secret World.

Pra mim o Tears for Fears é a banda pop mais legal que apareceu na década de 80, e que surpreendentemente se manteve num nível de qualidade acima da média em toda sua discografia. Não digo que todos os discos são 100% sensacionais, mas isso é praticamente impossível se tratando de uma banda pop. Portanto, recomendo mais uma vez que você “limpe seus ouvidos” de qualquer pré-conceito sobre a banda e escute feliz este disco. Se gostar, parta para os outros, não vai se arrepender. Se não gostar, bem, os comentários estão aí para isso.

 
 
Friday, 23 de April de 2010 | 1:53 - Por

Certo. Esse não seria o título ideal pra falar do Foo Fighters, mas eu precisava cutucar o PG depois daquele fucking post sobre o Oasis (que eu adoro, mas que não é a melhor banda nem a pau. haha). Então, foda-se se é melhor que o Oasis (que é) e vamos então simplesmente falar sobre por que o Foo Fighters é fodaralhasso. Nessa pilha dos trabalhos do Taylor Hawkins, e também pela ReBokel que anda viciada e só fala comigo sobre isso, cabei entrando na mesma onda. E já alerto, até porque é inevitável: vou confundir várias vezes o que é o Dave Grohl e o que é o Foo Fighters.

Imagine só que você está em 1994. Aquele genial loiro ceboso, líder de um movimento que mudou a história do rock tinha acabado de estourar os miolos. Imagine que você é aquele esquisito cabeludo, sentado lá no fundo, e então decide montar uma banda. Essa seria, 15 anos depois, a salvação do rock. Calma, guardem suas pedras. Sim, Foo Fighters é provavelmente a última banda de rock de arena, daquelas viscerais e sem artifícios eletrônicos (não que eles sejam ruins). OK. Joguem as pedras agora.

Dave Grohl é um caso a parte.

1) O cara era o baterista da banda mais expressiva e transgressora dos anos 90.

2) O cara é fundador, frontman e multi-instrumentista do Foo Fighters.

3) O cara gravou a bateria de Songs For the Deaf, talvez o primeiro grande álbum dos anos 2000, e merecedor de um extenso post só pra ele.

4) Ele foi o baterista das músicas do filme AND o Diabo em Tenacious D – The Pick of Destiny, fantástico filme pra loucos viciados em rock, estrelado por Jack Black – que faz o papel de… Jack Black mesmo. haha

5) Foi baterista convidado por uma série de artistas, dentre eles: Tenacious D, QOTSA, Juliette and The Licks, Cat Power, David Bowie, Nine Inch Nails e por fim, o mais recente disco do Slash.

6) No show de gravação do DVD Live at Wembley Stadium em 2008, esses 4 putos convidaram Jimmy Page e John Paul Jones pra uma jam, e tocaram Rock n Roll e Rumble On do Led pra 80 mil pessoas, criando um clássico instantaneo pra história dos shows de rock.

7) Them Crooked MOTHERFUCKING Vultures. A união suprema de três baluartes da estragação, dos três maiores causadores de ressacas e flashbacks, da tríade da libertinagem: Dave Grohl – o animal, Josh Homme – O Evil Elvis e John Paul Jones – A freaking Zeppelin.

Se não bastasse a onipotência de Grohl, o FF é composto por mais 3 talentos, que depois de algumas mudanças no começo da banda, ficaram fixos desde 1999. Nate Mendel no baixo, Chris Shiflett na guitarra e o já super citado aqui Taylor Hawkins que além de suas peripécias com os Coattail Riders, foi o cara que gravou outro grande disco, o Jagged Little Pill da Alanis Morissette em 96. Adoro pensar na grande turma de músicos lá de fora. Se fizermos os cruzamentos de toda a cena do rock dos anos 90 e 00 vamos ver muita gente amiga por lá.

Esse disposto quarteto, conseguiu nesses 15 anos 6 ótimos álbuns de inéditas, sendo um deles duplo e incrível. Alguns registros ao vivo e uma respeitável notoriedade, já que em todo esse tempo foram raras as notícias não relacionadas a musica dos integrantes. Realmente um exemplo para esse mundo corrompido por franjas, topetes, calças coloridas, escândalos, instrumentos quebrados, hotéis destruídos, reabilitações e adultério – obviamente importantes e igualmente respeitados pra história desse gênero tão amado por esse diretor de arte boca suja que insiste em escrever. Foo Fighters é rock n roll, gelado, servido em copo de plástico. Atitude sem pose, sem excesso e com ótimos exemplos tatuados para a tradicional família americana.

Certo. Foo Fighters nesse momento já mijou na cabeça dos dois irmãos britânicos, mas agora é que vem a parte legal e mais difícil. Destacar aqui algumas das músicas fodas que eles colocaram na rua. Muito difícil mesmo. Nem vou encanar na ordem, e como escrever depende de ordem, conto com a sua abstração em não pensar na porra da ordem enquanto estiver lendo. Grato. haha. Tá. Se você for um pouquinho neurótico como eu, não vai conseguir esquecer da porra da ordem, então vamos de cronológica mesmo:

Foo Fighters (1995)
O cara mete I’ll Stick Around, que te faz pensar que os tempos de Nirvana iriam continuar, mas logo em seguida manda Big Me. Lembra aquele clipe do Mentos/Footos? Então era esse. Música bonitinha. haha.

The Colour and the Shape (1997)
Nesse momento do mundo, eu bombando o primeiro colegial e pirando em Monkey Wrench, My Hero, Everlong e Walking After You. Lembro claramente da época que a MTV passava clipes e que assistia várias vezes o cara salvar as pessoas do incêndio. Algo me diz que fiz bem em não ficar estudando. Curiosamente eu aqui procurando no Youtube pelas músicas pra linkar acabei descobrindo que os quatro destaques viraram clipes. Awesome.

There’s Nothing Left to Loose (1999)
O tempo vai passando e o número de músicas pra se falar vai aumentando. Esse disco, vá se foder né? Quantas noites fritando o Winamp do Pentiumzinho escutando Stacked Actors, Breakout, Learn to Fly, Generator, MIA… Ridiculo esse disco. A redefinição dos gritos no rock radiofônico.

One by One (2002)
Puta que pariu. Me lembro de ir na loja comprar a edição especial com DVD tosquinho de extras. Esse cd morou no meu carro boa parte daquele 2o ano da faculdade. All My Life abrindo o disco. Ainda uma das músicas mais fantásticas do FF. Grito com vontade nos ensaios do Lazy Dog, só de farra. Mas o disco é muito feliz. Times Like These, Tired of You, Halo, Lonely as You com aquele climinha de fim de filme, Overdrive – talvez o efeito que mais defina o som do FF.

In Your Honor (2005)
O duplo que dividiu as águas em 3 partes. Esse é foda de eleger. Ao invés de linkar todas, vou só embedar Best of You, que é um absurdo. Mas o disco é recheado de pérolas. In Your Honor, No Way Back, DOA, The Last Song, Free, The Deepest Blues Are Black, End Over End, Razor… foda. É tudo muito foda. Pare de ler isso aqui e vá escutar.

Echoes, Silence, Patience And Grace (2007)
Nesse gap de 2 anos eu tinha meio esquecido do FF. Tava ouvindo outras coisas. Aí um dia, um redator que trabalhava comigo me passou o link do clipe de The Pretender, naquela divulga pré-álbum. Explodiu minha cabeça. Viciei no single e aguardei muito o lançamento do disco. ESPG é o maior passo que o FF já deu. Talvez por trazer Long Road to Ruin, uma das prováveis melhores músicas da história da banda. O disco é fantástico. Let it Die, Come Alive, But Honestly e que fecha com Home, uma coisa linda.

Se teve saco de chegar até aqui, e ainda lembra do que é Oasis depois disso, vai lá escutar I Am The Walrus (essa sim da melhor banda de todos os tempos). Mas, se chegou até aqui querendo escutar Foo Fighters, fique com Long Road to Ruin e The Pretender – que o youtube fdp não deixa embedar:

Long Road to Ruin – link

The Pretender – link

E que venha o disco novo até o final desse ano, já declarado como o mais pesado da carreira. \m/

 
 
Thursday, 22 de April de 2010 | 12:01 - Por


Poucas sensações são tão legais quanto o final da espera pelo lançamento de um disco. Falei aqui há 10 dias sobre o lançamento de Red Light Fever, o 2o disco da banda de Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters.

Pois bem. No final dessa quarta feira o @dumenegozzo, me manda o link desse player estiloso que a banda lançou para divulgar o disco. Po, há 5 anos atrás isso era idéia fantástica pra site de banda, mas hoje fica só um cacareco divertido pra servir de player. Que bom. haha.

Mas o lance não para por aí. Ligando os pontos, conclui que o disco finalmente devia estar disponível em algum lugar da rede mundial dos computadores, clica aqui, digita ali, e 15 minutos depois comecei a primeira audição de Red Light Fever.

Fácil perceber que 4 anos fazem diferença pro som de uma banda. Com a devida atenção e um bom fone – coisa que faço nesse exato momento – os detalhes aparecem, um a um e resultam em um puta disco de rock.

Bem equilibrado na pegada, volumes e intensidade, o disco inteiro tem poucos momentos calmos. Mas isso não quer dizer que ele tenha raiva. A banda, tanto no disco anterior como nesse, tem um estilo muito marcado, de um som cheio de overdrive, muita pegada, mas com melodias e riffs alegres. Uma banda de rock pra se ouvir no sol, na estrada. Total essa onda da capa, com céu azul e climão outdoor.

O disco começa com duas PUTA músicas, Not Bad Luck e Your Shoes. Imperdíveis. Mais pro meio do cd, a trinca Hell To Pay, Sunshine e Never Enough dão uma acalmada nos animos. Já quase no final, James Gang nos relembra do começo do Foo Fighters, só que com dobras de guitarras e referências mais modernas. O lance todo acaba com chave de ouro com a corrida I Don’t Think I Trust You Anymore, que tem uma pegada meio Queens of The Stone Age e me surpreendeu estar no final do disco. Taylor é um ótimo cantor, nitidamente melhor em Red Light Fever do que no anterior. Curioso perceber como uma banda cujo baterista é também cantor, traz diferentes insights na estrutura das músicas. Paradas, quebras de tempo e trechos que fogem da estrutura verso-verso-refrão-verso-verso-refrão-solo-refrão-refrão são presentes em todo o disco, talvez a principal razão em merecer um textinho por aqui, mesmo na segunda ouvida do disco.

Abaixo, escute Your Shoes, mas não esqueça de passar no 8track pra ouvir o resto.

 
 
Tuesday, 20 de April de 2010 | 17:35 - Por

O tesão em fazer música. Algo que o genial Beck não cansa em nos mostrar.
Inquieto, sempre aparece com algo que nos surpreenda, sendo na estética do som, no visual ou na interpretação.

Hoje, Re Bokel me mandou um vídeo. Como sempre, o link veio com algum comentário do tipo: “ridiculamente foda”. O clique é inevitável. Ela sabe tudo de “música dançante” seja lá de quando ou de onde for. Por sinal, ReTunes – se você ainda não conhece – é passagem obrigatória, tá nos links da barra aqui do lado direito.

O projeto Record Club é mais um desses produtos fodas do Beck. A premissa é reunir músicos amigos, gente como Feist e Devendra Banhart, e gravar um disco cover em um só dia e documentá-lo.

Sem arranjos ou ensaios previamente pensados, sem a pretensão de revivier o poder que a gravação tinha e sem a missão de acrescentar ou reinventar o disco de sucesso escolhido. A idéia é tocar e documentar. Pronto, só isso.

A escolha foi tocar o Kick, de 1987, do INXS. Eu aqui tentando lembrar que hits eu conhecia do INXS – pensando que no lançamento desse disco eu tinha míseros 5 anos de idade – obviamente encontrei vários deles. Ótimas músicas que eu já tinha reforçadas na memória. As versões de New Sensation e Need You Tonight são imperdíveis. Os vídeos, além de ótimos registros dessas seções, são um desaforo de bonitos, bem dirigidos e fotografados. Passe no canal do Vimeo do Beck que lá tem muita coisa.

Deixa carregar e divirta-se.

 
 
Tuesday, 20 de April de 2010 | 15:26 - Por

A dobradinha 1968/1969 foi turbulenta para o mundo inteiro. O planeta ainda via a poeira do “ano que nunca acabou†completamente densa e custando a abaixar. Guerra do Vietnã, álbum branco dos Beatles, Woodstock, lançamento da Apollo 8, homem na lua, Kubrick fez sua Odisséia no Espaço, Martin Luther King e Kennedy foram assassinados e, aqui no Brasil, o AI-5 entrava em ação com toda a fúria e censura que viria a marcar todo o período militar do nosso país. No campo da música, os artistas repeliam a “inquisição†e faziam nascer alguns dos movimentos mais sólidos da história da MPB. A Tropicália, capitaneada por Caetano e Gil, ganhava força e impacto, e emplacava alguns dos hits que se tornariam clássicos eternos da nossa música.

E, no meio de toda a intelectualidade intrínseca às raízes do movimento tropicalista, começava a despontar em outra direção um nome que já tinha ficado conhecido no meio musical mas que ainda não tinha conseguido galgar seu lugar de respeito entre os bambambans da nata de compositores emepebistas.

Jorge Ben surgira em 63/64, entoando suas canções singelas e seu “esquema novo†de fazer samba com Mas Que Nada, Por Causa de Você e Chove Chuva, e se transformara em fenômeno popular, vendendo discos adoidadamente e garantindo sua presença nos bailinhos da juventude daquela época.

Mas como é que podia alguém fazer sucesso sem ser politizado? Sem cutucar a ditadura? Sem mostrar que tinha background político/artístico europeu ou americano? Como é que podia alguém vender mais discos do que os tropicalistas usando temas ingênuos do dia-a-dia, pedindo pra chuva não molhar seu amor, pedindo para você sair da frente porque ele queria passar, comemorando que “oba, lá vem ela†ao ver sua menina se aproximar?

Jorge Ben podia. Só ele.

E simplesmente porque ele estava provando por A + B que música boa não precisava ser “cabeçaâ€. A intelectualidade dele estava na mão direita do violão, com ritmos inimitáveis até hoje, se tornando ele o grande pai/fundador do que hoje chamamos de “samba-rockâ€. A intelectualidade dele estava na própria simplicidade das letras, e até na ousadia de ser tão simples. Cada música é como se fosse um desabafo na mesa do bar, um bate-papo informal sobre as sensações e amores nossos de cada dia.

E, em 1969, Jorge Ben fez um disco que amadureceu e marcou profundamente seu estilo. Uma pérola em termos de arranjo, de produção e de composição. Um disco que, no meio do furacão tropicalista e do torpor hippie que regia o comportamento universal, relembrava os pequenos valores do cotidiano brasileiro. Jorge exaltava as pequenas coisas da vida, como sua “Criola†(uma das maiores pérolas de toda a sua carreira, uma das mais imaginativas e criativas melodias da MPB, tanto vocal quanto dos metais), seu Flamengo (estampado até na capa), suas musas (Barbarela, Tereza) e, principalmente, amenizava o clima pesado do militarismo relembrando a todos que a melhor maneira de valorizar um país é ajudar seu povo a lembrar das suas qualidades, mesmo quando a nuvem cinzenta da censura não deixava mais ninguém ver a luz.

E, assim, Jorge Ben fez, nesse disco, uma das maiores alegorias e hinos da história da música popular deste país. “País Tropical†é, até hoje, um dos maiores símbolos brasileiros e traduz como poucas outras musicas a essência do nosso povo e da nossa cultura.

É suingue como nunca havia sido feito antes por um violonista brasileiro. São arranjos feitos pelo mestre Rogerio Duprat – o guru da Tropicália – e são composições tão versáteis que permanecem vivas e atuais até hoje.

Jorge Ben provou, com esse disco, que merecia seu lugar entre os nomes mais respeitados da MPB. E, mais de 40 anos depois, a história mostra que ele merecia. O disco é um petardo. Uma pérola incontestável de um estilo que nascia para crescer e ficar para sempre.

Salve, Jorge.

 
 
Monday, 19 de April de 2010 | 10:25 - Por

Começando a semana com mais um guest post. Dessa vez Carol Stevens, MayerManiac em último grau, fala sobre David Ryan Harris, o surpreendente guitarrista da banda de apoio do John Mayer. Eu mesmo acabei ouvindo o cara pela primeira vez na semana passada. A voz, as letras, e a competência para tocar guitarra… o cara é muito fera. Bora lá.

David Ryan Harris WHO?

Guitarrista, compositor, produtor e cantor, já trabalhou com Dave Matthews Band, Santana, Guy Sebastian e desde de 2005, acompanha o músico americano John Mayer.

David Ryan Harris é um daqueles músicos incríveis que trabalham para outros músicos incríveis, mas que ninguém nunca ouviu falar. E isso faria muito sentido se David fosse “apenas” um músico contratado, mas esse não é bem o caso.

A história desse cara começa em 2001, quando ele se uniu ao baterista Kenny Creswell e ao ex-baixista da banda Black Crowes, Johnny Colt para formar o trio Brand New Immortals. O som passeava de forma afinadíssima entre o rock, o funk e pop. Mas a banda infelizmente durou muito pouco, cerca de um ano, o suficiente para lançarem um EP de 6 faixas e o album “Tragic Show” pela gravadora Elektra Records. Encontrar material da banda online é um desafio, mas na loja da iTunes você pode comprar as faixas do Tragic Show.

Mas o mais interessante dessa história começa justamente com o fim da banda Brand New Immortals. Ainda em 2002, David começou sua carreira solo e é com essa carreira solo que ele tem, merecidamente, recebido um pouco mais de atenção. Harris costuma se apresentar (sozinho ou com banda) em bares e pubs dos EUA nos intervalos das turnês do John Mayer e o público é, esmagadoramente, de fãs de John Mayer que assim como quem vos escreve, descobriu o talento de David totalmente por acaso em algum video no Youtube ou apresentação. No meu canal do youtube tem muita coisa dele. Passa lá.

O setlist dos shows solo vem dos discos Soulstice de 2004 e o mais recente, Bittersweet de 2006. O que você vai encontrar nesses albuns e principlamente no Bittersweet, são faixas muito bem produzidas, hora mais intimistas com arranjos acústicos, hora mais Rock & Soul com levadas cheias de groove. É difícil dar destaque para apenas uma música de “Bittersweet”, mas o talento e o bom gosto de David nos arranjos ficam muito claros na faixa 4, uma releitura, um pouco mais pesada da incrível So Real de Jeff Buckley.

Escute abaixo a primeira música de cada disco. Used to This, do Soulstice e For You do Bittersweet:

E também 2 ao vivo. Get Your Way e King for a Day.

Se você ainda tem alguma dúvida sobre escutar ou não escutar David Ryan Harris, saiba que entre as várias influências que ele cita estão Stevie Wonder, Paul McCartney e Prince. No final das contas você pode até não gostar do som que escutar, mas com certeza há de concordar que as influências e o currículo do cara são respeitáveis.

 
 
 
 
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