Monday, 29 de March de 2010 | 18:06 - Por

Esse, depois do Passarim do Tom Jobim e do Clube da Esquina é o post mais adiado da história do A Day in the Life. Mas agora vai. Na pilha de retratar a grandiosidade da coisa, pedi arrego e o Cotta entrou no jogo. Então, lá vai o post a 4 mãos.

Primeiro siga as instruções:
- Tenha consciência que isso é a trilha de um filme, então você deve ver o filme.
- Mantenha por perto uma caixa de lenços, ou se você for durão, uma caixa de cervejas. Mesmo sendo durão, deixa a caixa de lenços aí só por desencargo.
- Se você terminou algum relacionamento em um passado recente, ver o filme e escutar a trilha pode não ser recomendável.
- Escute o disco com moderação, inclusive se sofrer de diabetes. Altos níveis de açúcar.

Tendo passado pelo disclaimer acima, vamos lá.

Once (Apenas uma Vez, em português) é um filme único. Filmado na Irlanda em mini DV, com esforço próprio do casal criador, compositor e protagonista Glen Hansard e Markéta Irglová. Uma daquelas histórias de apertar o coração, de tão real e humana. Certeza que você vai se identificar. Se for um apaixonado por música, então, vai achar que seu nome deveria estar nos créditos do roteiro. Once mostra a nossa própria história. Minha, sua, de todo mundo. Achar a pessoa certa é coisa do acaso e só acontece uma vez na vida. Todas as músicas do filme, todas mesmo, são lindas, simples, bem arranjadas. As vezes suaves, as vezes doloridas. Todas imperdíveis, todas muito genuínas e sinceras. “Falling Slowlyâ€, a primeira música/cena do filme que mostra os dois trabalhando juntos, é carregada de magia e poesia, de troca de olhares, de sonhos em comum, de filosofias iguais, de compaixão e de admiração.

O disco contém as músicas do filme. Simples assim. E é daqueles que te fazem passar o filme na cabeça a cada música que começa. É tanta intensidade, tanta verdade que chega a ser difícil de classificar. São músicas potentes e viciantes, cheias de alma, e batem fundo em quem as ouve. “Say It To Me Now†e “When Your Mind’s Made Up†e “Liesâ€, por exemplo, são desabafos confessionais e rasgados de um peito em chagas, rancoroso, no auge do clamor por uma alma nova, por uma companhia que não apenas se solidarize com a dor, mas que também a cure. E, musicalmente, são petardos fulminantes que vão arrepiar sua espinha dorsal e fazer você berrar junto, trazendo uma sensação impressionante e confortante de apoio, como se nem o seu amigo mais próximo pudesse ter o dom de te entender tão bem. Cada música de Once é um abraço apertado.


As particularidades são tantas que emocionam na vida real e no filme. O casal protagonista é também um casal na vida real. O filme não é um musical mas tem toda a história em volta da música. Glen faz o papel de um músico desses de rua, pobre, fudido, castigado pela vida, portador de um coração partido, e obviamente faz músicas com uma sensibilidade invejável. A vida coloca Markéta no seu caminho e uma relação sublime aparece. Infelizmente não posso falar mais sobre o filme. Seria um desserviço fazer isso sem escapar nenhum spoiler.

Assim como Passarim e Clube da Esquina, Once provoca um furacão nos seus sentimentos e varre sua alma. Graças ao esplendoroso trabalho, Glen e Markéta levaram um Oscar em 2008 (veja o vídeo do emocionante discurso de agradecimento) com a melhor composição para trilha original, “Falling Slowly” – que você escuta abaixo. Prepare-se para entrar no mundo maravilhoso de Once. Você nunca mais vai querer sair.

 
9 comentários
 
  • 1. Cotta
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