São Paulo, 2 de março de 2010.
Morumbi com 60 mil pessoas. Tempo feio. Nublado.
Fãs do Coldplay em massa aguardando, perplexos, o show de verdade começar enquanto Bat For Lashes se apresenta. A moça tem um estilo Bjorkiano de cantar e uma anatomia IveteSangaliana de ser.
Mas não é dela que eu quero falar. Eu quero falar é do espetáculo de cores, luzes e performance que tomou conta daquele palco depois que a inglesa esquisita saiu de cena.
Entre dois telões gigantes de alta definição e em cima de um palco com passarelas e bolas gigantes penduradas no teto, o Coldplay entrou imponente no Morumbi, ao som de Life In Technicolor, com sua aura de batalha servindo de tapete sonoro para o urro empolgado da multidão.
Logo em seguida, e emendada, já veio Violet Hill, como um projétil em cima do público que berrava “If you loooooove me…†em unÃssono e cobria o som dos P.A.s gigantes e pouco eficientes do Morumbi. Uma violência. Arrepiante.
Em sua terceira visita ao Brasil, o Coldplay parecia se sentir muito em casa. Chris convidou a todo mundo, antes de tocar Yellow, a fazer “o maior barulho que São Paulo já ouviu numa terça-feiraâ€.
Violão em riste, e lá estava o hit-mor do Coldplay. Foi um dos grandes e mais emocionantes momentos da noite. 60 mil gargantas entoavam Yellow como se aquela fosse a última música de suas vidas. A banda agradeceu a comoção e retribuiu o carinho do público durante a própria música, fazendo do palco uma verdadeira explosão de luzes e cores. As bolas gigantes se acenderam e “invadiram†a platéia, e o telão jorrava feixes de luz por todos os lados.
A cada música que começava, o público respondia com empolgação. Vieram Politik, Lost, 42, Glass Of Water, e até Talk e God Put A Smile Upon Your Face em novas versões. Nitidamente feliz e empolgado, Chris Martin cantava sorrindo e agradecia o calor do público brasileiro. No dia de seu aniversário, ganhou até “parabéns pra você†da galera.
Em Fix You – o segundo momento mais emocionante da noite, pra mim – uma chuva de fogos de artifÃcio tomou conta do palco e deixou o emocionante trecho final da música ainda mais apoteótico.
E por falar em apoteose, a música Viva La Vida foi a própria redefinição do verbete “catarseâ€. Estou rouco de tanto berrar o indefectÃvel “Óóó Ô Ô…†do meio da canção. Eu e os outros 59.999 fãs que estavam ali ontem, boquiabertos.
Depois eles sumiram do palco e apareceram praticamente no meio da multidão, num mini-palco onde fizeram um set acústico. E então chegou o momento mais emocionante da noite pra mim: Shiver. Pra mim, sempre vai ser a melhor música deles, não importa quantos discos eles venham a lançar. Representa tudo o que há de melhor na banda, representa uma nostalgia mágica na minha cabeça, representa a concisão que toda boa banda de pop/rock deveria ter. É uma pérola que vai transcender a prova do tempo e vai mostrar, em qualquer época, a essência do Coldplay. Linda, emocionante, violentamente sutil.
Pérolas finais: The Scientist, Death And All His Friends e Life In Technicolor II. Esta, um final inesperado e surpreendente. Fechou o concerto com fúria e energia, e todo mundo ainda ganhou um CD de brinde na saÃda: um residual delicioso pra todo mundo dormir melhor e de alma lavada quando chegasse em casa.
Peço desculpas pelo meu post excessivamente passional, mas não tem jeito. Eu gosto pracaral… desta banda. Pra mim, é o grande sangue novo do pop dos anos 2000. E, quase 10 anos depois de eu ter comprado meu primeiro CD deles, eu ainda me surpreendo e fico empolgado da mesma maneira a cada lançamento, a cada vinda deles ao Brasil. Um espetáculo de banda. Um p… show.
No mais, estou arrepiado até agora.
Obrigado, Coldplay. Volte sempre.
Uma palinha:
