Monday, 01 de March de 2010 | 10:16 - Por

Como o A Day in the Life é sobre se envolver com a música, e não necessariamente falar sobre ela, uma das propostas é justamente contar histórias. Histórias que marcam por ter um significado muito grande pra alguns.

Em 2005 eu fui nesse show, experiência fantástica onde cada música que começava soava como um gol em copa do mundo. Mas história não sou eu que conto. A amiga Lígia, fanática por Pearl Jam fez seu texto com a sua visão da coisa toda e divido aqui com vocês. Aproveite a leitura e resgate seus discos do PJ ao final.

Os melhores dias do mundo, de todos os tempos e da vida.
E como as circunstâncias levaram até eles.

Em agosto de 2005, foi confirmado um dos melhores rumores de até então: o Pearl Jam incluiu algumas capitais brasileiras em sua turnê pela América Latina.
A minha reação foi uma só. Fiquei maravilhosamente chocada com a intensidade de alegria que veio na minha cabeça. “Putaquepariu, vou explodirâ€.
A melhor banda do mundo está vindo me ver. [hahaha]
Depois, claro, fiz uma sequência perguntas óbvias: “Quanto? Quando? Onde?â€.

Foi aí que o bicho pegou e fez a história toda ser ainda mais emocionante.
A melhor banda do mundo tem uma briga contra a TicketMaster para defender os interesses de seus trilhares de zilhares de fãs.
Eles queriam meter a faca, os músicos disseram não. Negociação vai, negociação vem, fãs apreensivos e… fecharam um acordo. A fodedora de preços companhia de ingressos baixou um pouco a bola e a banda topou. Tudo confirmado! Tudo confirmado, nada resolvido. Precisamente em São Paulo, faltava o “onde?â€, que diretamente comprometeria o “quando?â€.
A melhor banda do mundo não faz mais shows em estádios muito grandes, como o Morumbi por exemplo, depois que uma menina morreu esmagada contra a grade.

O lugar perfeito era obviamente o Pacaembu. A possibilidade de ser lá foi questionada porque alguma coisa como a “organização de vizinhos do estádio†reclamou que faria muita bagunça, barulho e sujeira. (Porque os filhos da puta que resolvem morar do lado de um estádio de futebol resolveram nesse dia se incomodar com esse tipo de coisa.¬¬)
A situação não se resolvia. A prefeitura não definia. Os moradores não liberavam. E eu ali, juntando dinheiro loucamente e pensando se iria pro Rio ou pra Porto Alegre de forma que não faltasse no trabalho.

Angústia.

Em setembro confirmaram, logo em seguida começaram a vender. Um amigo meu, tão fanático quanto, me liga dizendo “me espera lá embaixo com a carteirinha. Vou sair pro almoço e não volto pro trabalho hoje. Tô indo lá no Credicard comprar.†Compramos para os dois dias confirmados na cidade. E nesse mesmo dia, 3 meses antes, eu digo para a minha chefe: “Dia 2/12, sexta feira, vou ficar doente e faltar à tardeâ€.

O dia chegou. Eu não me agüentava. Meu namorado da época decidiu de última hora também ir não porque curtia a banda, mas porque tinha ciúmes do Eddie Vedder. Chegamos lá umas 15h, entrei na pista, fiquei numa diagonal PER-FEI-TA à esquerda do palco segurando a ansiedade. Nem sabia direito se estava com frio ou com calor.

Era horário de verão então não estava totalmente escuro. Eles surgiram no palco, um a um, não falaram nada. Multidão gritando. Um acorde solto como introdução e finalmente começa o show. Go! Seguida por Hail Hail. Seguida por Animal. Seguida pela voz do Eddie dizendo uma das coisas mais bonitas que já ouvi até hoje: “Alright. Oi São Paulo, oi…â€. Gelei. Não sou o tipo de fã histérica que grita, sou daquele tipo que fica calada e hipnotizada prestando atenção em todos os mínimos detalhes.
E o melhor vocalista do mundo além de tudo era simpático. Ãdolo.
No sábado eu fui também. Meio bêbado e totalmente lindo o oi do Eddinho foi um pouco diferente:

Fiquei de novo no mesmo lugar, de onde eu via tudo de perto e em detalhes.
Cheguei em casa completamente sem voz, cansada, quebrada e feliz. Nossa, como eu estava feliz. Todas as enormes expectativas que eu tinha criado foram superadas com folga. Aquela já era a minha banda preferida e não me decepcionava em absolutamente nada. Valeu cada gota de suor e de chuva que tomei. Valeu cada um dos 40 graus de febre que tive no dia 04 (a febre mais feliz da minha vida).

—–

Tomei a liberdade aqui e incluo o vídeo de “Do the Evolution” em SP, uma das minhas favoritas.
E claro. Obrigado pelo post Lígia… dia foi foda mesmo.

 
9 comentários
 
  • 1. Gustavo Patrício
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