Segunda-feira eu e o Cotta falamos sobre a trilha do indescritível Once. Aqueles dois, Glen Hansard e Markéta Irglová não pararam com o filme. Em 2009 lançaram Strict Joy, segundo disco desse projeto chamado The Swell Season, que já assinava a trilha de Once.
O disco não é nada minimalista como a trilha de Once. A parceria do casal na vida e na música fica sacramentada nesse álbum e a absoluta habilidade de contar histórias com intensidade e emoção somadas aos arranjos complexos e detalhados, fazem desse disco uma continuação do furacão de sensações que a trilha do filme começou.
A química da comunicação musical do casal está lá, ainda mais forte e estabelecida. Diferente da história do filme, aqui fora, os dois parecem felizes participantes de um relacionamento maduro, revelando através das 12 músicas seus momentos provavelmente mais produtivos, e criando climas influenciados pelo frio da Irlanda e pelo calor do amor.
Acho sensacional o poder da música desses dois. Ao ouvir, repassamos as cenas de Once na cabeça, depois nos imaginamos com o violão em punho deixando aquela avalanche de sentimentos sair, daquele jeito que ao fim, misturamos a dor dos dedos com a sensação de leveza na alma. Strict Joy é uma experiência realmente verdadeira. É o resultado da união de um casal criativo, a um casal de músicos, a um casal de compositores, a um casal de atores, a um casal de complexos e verdadeiros seres humanos.
É uma caixinha de recordações. Histórias, músicas lindas e atuais, cenas de um filme, imagens de uma carreira, problemas com a antiga banda, inseguranças do casal, e principalmente exemplos de pessoas que batalharam para fazer de seus sonhos realidade. É impossível achar uma vírgula de arrogância.
Recomendar alguma faixa é injusto. Imagine só o trabalhão que eles não tiveram para escolher 12 canções do repertório (seguramente maior), e depois disso definir a ordem das músicas no disco, para que os 49 minutos passassem como um silencioso terremoto pelo seu dia. Mas vamos lá. Low Rising do fantástico vídeo abaixo, e a faixa que abre o disco, e também as 3 seguintes, Feeling the Pull, In These Arms e The Rain são imperdíveis. Paper Cup e High Horses são também fantásticas, essa última com uma pérolazinha que tenho certeza que você queria ter escrito: “At the heart in every fool is the hope you’re stupid too“.
Chega. Clique no play aqui embaixo e corre pro torrent, Amazon ou pra Irlanda.
Adoro conhecer bandas/artistas de lugares diferentes. Quando a vida me agracia com a oportunidade de viajar para um lugar distante, eu sempre trago um CD de alguma banda daquele lugar. É uma mania minha. Entro na loja e compro, na escuridão mesmo, alguma indicação do funcionário que me atende.
Às vezes dá muito certo, e a surpresa é ótima.
Caso deste artista chamado Robert Post. Um norueguês que, infelizmente, nunca conseguiu fazer muito sucesso longe dos fiordes. Fiquei conhecendo este cara absolutamente por acaso, em 2006. Estava fuçando nas prateleiras de uma loja e, de repente, fui acometido por um míssil que saía das caixas de som do lugar. Uma música que não parava de melhorar.
Quando o refrão chegou, eu fiquei absolutamente besta. O que era aquilo? Quem era aquele? Como assim? Que música era aquela???
Saí correndo em direção ao vendedor mais próximo e falei “Pelo amor de Deus, que CD é este que está tocando?”. Até que finalmente eu descobri e fui correndo até a prateleira onde estava o primeiro disco de um ilustre – porém talentosíssimo – desconhecido: Robert Post.
Esse é o nome do cara. Ele faz um pop de rara qualidade. A música que me fez querer ter o disco de qualquer jeito chama-se “Got None” e é com certeza uma das melhores coisas que eu ouvi naquele ano. Você pode assistir o clipe dela ao final desse post.
É uma pequena explosão pop cheia de inteligência, melodias sinuosas e refrão pegajoso. Viciante, mesmo. Coisa fina. Arranjo esperto, temperado com violinos e backing vocals surpreendentes.
Robert Post é um músico impressionante. Vocalista de primeira com o dom da composição, ele produziu um disco de estréia melancólico, profundo e muito – muito – bonito. As músicas são carregadas de acordes menores, instrumentos que sobressaem não pelo excesso, mas pela economia de notas, e alguns momentos de arrepiante inspiração melódica.
Vira e mexe eu dou uma fuçada na rede mundial à procura de novos singles dele. Já descobri uns 3 ou 4 depois desse primeiro disco, mas ainda não vi notícias sobre o lançamento de um segundo álbum. Se alguém descobrir, por favor me avise.
Porque, juro: vale a pena. As pérolas desse álbum são: There’s One Thing, Got None, Silence Makes Him Sick, Ocean and a Tear e Always a Reason.
Confira agora Got None, a música-petardo que deixou boquiaberto o humilde autor deste post.
Quer começar o dia bem? Tá precisando dar um up no astral? Então bota esse cara pra tocar no seu fone e se deixe levar pelo clima “festa”.
Certeza que Eli vai por você e o seu humor pra chacoalhar!
Eli mais parece um artista da Motown da década de 60 e é prato cheio pra quem gosta de soul e rhythm blues.
Já tem dois discos lançados, Sings Walkin’ and Talkin’ and Other Smash Hits e Roll With You e um terceiro disco saindo do forno , Come And Get It, que tem lançamento marcado para dia 12 de Abril.
Ouça o fantástico novo single Come And Get It e curta Reed com a sua “big band” The True Loves em Take My Love With You
Esse, depois do Passarim do Tom Jobim e do Clube da Esquina é o post mais adiado da história do A Day in the Life. Mas agora vai. Na pilha de retratar a grandiosidade da coisa, pedi arrego e o Cotta entrou no jogo. Então, lá vai o post a 4 mãos.
Primeiro siga as instruções:
- Tenha consciência que isso é a trilha de um filme, então você deve ver o filme.
- Mantenha por perto uma caixa de lenços, ou se você for durão, uma caixa de cervejas. Mesmo sendo durão, deixa a caixa de lenços aí só por desencargo.
- Se você terminou algum relacionamento em um passado recente, ver o filme e escutar a trilha pode não ser recomendável.
- Escute o disco com moderação, inclusive se sofrer de diabetes. Altos níveis de açúcar.
Tendo passado pelo disclaimer acima, vamos lá.
Once (Apenas uma Vez, em português) é um filme único. Filmado na Irlanda em mini DV, com esforço próprio do casal criador, compositor e protagonista Glen Hansard e Markéta Irglová. Uma daquelas histórias de apertar o coração, de tão real e humana. Certeza que você vai se identificar. Se for um apaixonado por música, então, vai achar que seu nome deveria estar nos créditos do roteiro. Once mostra a nossa própria história. Minha, sua, de todo mundo. Achar a pessoa certa é coisa do acaso e só acontece uma vez na vida. Todas as músicas do filme, todas mesmo, são lindas, simples, bem arranjadas. As vezes suaves, as vezes doloridas. Todas imperdíveis, todas muito genuínas e sinceras. “Falling Slowly”, a primeira música/cena do filme que mostra os dois trabalhando juntos, é carregada de magia e poesia, de troca de olhares, de sonhos em comum, de filosofias iguais, de compaixão e de admiração.
O disco contém as músicas do filme. Simples assim. E é daqueles que te fazem passar o filme na cabeça a cada música que começa. É tanta intensidade, tanta verdade que chega a ser difícil de classificar. São músicas potentes e viciantes, cheias de alma, e batem fundo em quem as ouve. “Say It To Me Now” e “When Your Mind’s Made Up” e “Lies”, por exemplo, são desabafos confessionais e rasgados de um peito em chagas, rancoroso, no auge do clamor por uma alma nova, por uma companhia que não apenas se solidarize com a dor, mas que também a cure. E, musicalmente, são petardos fulminantes que vão arrepiar sua espinha dorsal e fazer você berrar junto, trazendo uma sensação impressionante e confortante de apoio, como se nem o seu amigo mais próximo pudesse ter o dom de te entender tão bem. Cada música de Once é um abraço apertado.
As particularidades são tantas que emocionam na vida real e no filme. O casal protagonista é também um casal na vida real. O filme não é um musical mas tem toda a história em volta da música. Glen faz o papel de um músico desses de rua, pobre, fudido, castigado pela vida, portador de um coração partido, e obviamente faz músicas com uma sensibilidade invejável. A vida coloca Markéta no seu caminho e uma relação sublime aparece. Infelizmente não posso falar mais sobre o filme. Seria um desserviço fazer isso sem escapar nenhum spoiler.
Assim como Passarim e Clube da Esquina, Once provoca um furacão nos seus sentimentos e varre sua alma. Graças ao esplendoroso trabalho, Glen e Markéta levaram um Oscar em 2008 (veja o vídeo do emocionante discurso de agradecimento) com a melhor composição para trilha original, “Falling Slowly” – que você escuta abaixo. Prepare-se para entrar no mundo maravilhoso de Once. Você nunca mais vai querer sair.
Chuva. Talvez o evento natural com a melhor distribuição entre amor e ódio. Barulhinho bom pra dormir, ver um filminho, ficar em casa e aliviar o calor. Clima que combina com sofá, com Londres, com música clássica, com 60% das letras do Lobão. Combina com a tarde preguiçosa e com o cair da noite. Barulho que já conhecemos tanto e que talvez seja o parceiro ideal para o chiado do vinil.
Eu já até falei por aqui sobre músicas boas pra se ouvir em dias de chuva, e que tenho certeza que você tem suas escolhidas. Pra mim sempre vem o Diorama do Silverchair. Mas também me dou bem com qualquer disco da Fiona, Dave Matthews, Philip Glass, John Coltrane, Ella Fitzgerald e tantos outros.
Semana passada o Cauê Madeira mandou esse link no twitter, e achei que valia um post. Rainy Mood é chuva ambiente. Um loop de 30 minutos de som de chuva em alta qualidade e ideal para ligar junto com o som do seu iTunes. Uma bobagem que pode finalmente acabar com a busca pelo som ideal para os dias cinzas. Passa lá.
The Rifles é um dos mais legais e mais ignorados grupos do mundo indie. Formado em Londres, em 2003, o quarteto nunca conseguiu transcender muito o anonimato, apesar de ter feito um relativo sucesso quando lançou seu primeiro EP em 2005 – e quando finalmente conseguiu emplacar seu primeiro álbum, este No Love Lost, um ano depois.
Com uma sonoridade que varia entre The Kooks, Razorlight e Babyshambles, o Rifles é uma banda divertida que faz um rock de qualidade e despretensão. Recomendo uma passada de ouvidos pelo No Love Lost de cabo a rabo, parando para prestar atenção em She’s The Only One, She’s Got Standards, Local Boy e Peace&Quiet.
Esta última foi o hit-single que gerou à banda uma atenção do grande público na fervilhante Inglaterra de 2005, e conseguiu a proeza de colocar o Rifles nas mesmas prateleiras onde também estavam Oasis, Coldplay, Zutons, Robbie Williams e Arctic Monkeys.
Abaixo você ouve a deliciosa She’s The Only One. Espero que, assim como foi pra mim, ela também sirva de aperitivo para abrir seu apetite pelo CD inteiro. Divirta-se.
O que não é muito comum nas publicações mainstream acaba sendo recorrente por aqui. Falar de artistas com 30 e poucos anos e com bons e sólidos trabalhos na fase do 3o ou 4o disco. Ótimo saber que tem uma safra de músicos maduros que sobrevive ao terror do 2o disco e logo se estabilizam.
Comprei já faz quase 1 ano um DVD importado (que hoje já existe em edição nacional) que traz um apanhado da 1a temporada do programa Live at Abbey Road. O formato do programa é incrível né. Nomes escolhidos a dedo tocam em clima de ensaio no mais famoso estúdio do mundo. A qualidade visual e do áudio são destaques da produção do DVD, que em 2 discos vai de David Gilmour a Iron Maiden, passando por Gnarls Barkley, Primal Scream, John Mayer, Jamiroquai, Corinne Bailey Rae, Deamien Rice, Wynton Marsalis, Norah Jones, Kasabian, Ray LaMontagne, The Zutons, Dave Matthews, The Good the Bad and The Queen, e deixa lá no final uma participação surpreendente de Amos Lee.
O ex-professor primário de 31 anos te faz lembrar que sonhar é importante. Americano, formado em língua inglesa, ganhou seu primeiro violão ainda na época da universidade. Tentem perceber o timeline do cara. Em 2003 gravou seu primeiro EP e logo assinou contrato com a Blue Note Records, essa ainda responsável pelos lançamentos posteriores. Ou seja, com talento, sorte e vontade você pode comprar um violão hoje e em uns 5 anos lançar seu 3o disco.
Last Days at the Lodge é seu trabalho mais recente, lançado em 2008. Nele conseguimos realmente ouvir a atmosfera ‘into the wild’ do disco. Misturando folk, soul e jazz, faz lindos relatos da vida cotidiana, com letras dignas de um graduado na coisa. Um som íntimo, trabalhado, refinado. Timbres acústicos escolhidos com nítido cuidado, somados a uma voz aparentemente comum, mas que soa sincera e competente.
Nessa faixa do Live at Abbey Road, Lee toca Truth, 4a música do álbum. Conta uma breve história sobre perder o controle e ser preso por agredir aquele que mexeu com a sua mulher. O tema parece bobo, mas a dinâmica da música é muito bem escrita. O refrão vale como resposta para todos os versos, e o baixo dá o tom da reação em cadeia que o não falar a verdade gerou.
Além da ótima Truth que você vê abaixo, o disco ainda tem pérolas como It Started to Rain, Kid, What’s Been Going On e Better Days. Boa música para aquela madrugada no sítio, com a vela chegando ao fim e começando a 3a garrafa de vinho.
Aos poucos nossos amigos vão percebendo que há um espaço livre para falarem daquilo que mexeu com eles. Felizes aqui por receber a mensagem perguntando se “tá de pé” o papo de escrever por aqui. E sim, está. Marcos Piccinini foi ontem ao show do Franz e mandou isso pra nós. Super texto.
Franz Ferdinand é como uma raça de cachorro que ninguém conhecia. Para alguns é estranho, para outros é lindo, e se você deixar ele cruzando sempre com a mesma raça, vai dar sempre o mesmo resultado. Franz é uma banda com pedigree: facilmente reconhecível, e bem diferente de tudo que veio antes.
A prova disso é simples: ouça bastante qualquer uma de suas composições mais emblemáticas, como “Take Me Out” no primeiro disco, “Do You Want To” no segundo ou “No You Girls” no terceiro. Ouça umas 3 vezes. Pronto: você vai ser capaz de reconhecer qualquer música que esses caras fizeram.
Em várias outras bandas, isso seria mesmice. Não neles. O pedigree é o mesmo, mas cada filhote nasce com uma característica.
O 1o disco, com o nome da própria banda, é uma declaração de independência. Em todos os sentidos: uma banda escocesa lançando disco por gravadora independente, e alcançando top 3 das paradas inglesas. E com um som realmente novo: bateria forte, para fazer neguinho pular e bater cabeça, mas com baixo inteligente e guitarras com riffs e acordes hipnóticos, o ponto “destoante” do punk tradicional. Sim, punk, na falta de rótulo melhor. E uma das maiores características da banda: os vocais bem pensados, no ponto certo, e levemente debochados de Alex Kapranos.
Todas as características permaneceram no segundo disco, “You Could Have Been So Much Better”. Por sinal, uma prova de que a criatividade desses caras é realmente forte: o primeiro disco é de 2004, o segundo de 2005, ambos só com composições inéditas. O segundo tem mais nuances, além dos ritmos alucinantes e da eletrônica/eletricidade do primeiro. Minha opinião pessoal: “You Could Have Been…” é um daqueles pouquíssimos discos que não tem nenhuma música “pulável”. É animal.
E o terceiro, “Tonight”, lançado no ano passado, segue tudo. Sim, os caras descobriram seu som, e estão se dando bem em cima disso. Mas, diferente de outros artistas com suas “fórmulas de sucesso”, Franz Ferdinand não é chato, não é careta. Eles se mantém fiéis, mesmo sendo criativos. Eu curto essa raça de cachorro.
O show deles de ontem no Via Funchal foi uma prova dessa criatividade.
Punks, emos, yuppies e um monte de adolescentes, gente realmente de todos os tipos, todos pulando e se divertindo. Muito.
Para mim, o ponto alto (fora a temperatura, que estava realmente alta, por falha feia do Via Funchal) foi quando todos os quatro deixaram seus instrumentos, pegaram duas baquetas cada e foram tocar bateria. Uma única bateria. Foi um pequeno show do Stomp no final de “Outsiders”. É mais ou menos o que está neste vídeo, só que aqui teve uns 8 minutos de duração. Foi espetacular. Mal vejo a hora de eles voltarem para São Paulo, porque o show de ontem foi Rio 40º demais para mim. Mas valeu.
Se você nunca ouviu falar em Field Music, recomendo que vá atrás. É uma banda inglesa formada em 2004. Eu costumo dizer que eles são o Gentle Giant dos anos 2000. Desde os jogos vocais até o uso de instrumentos estranhos, eles fazem um som tão maluco quanto o daquela grande banda dos anos 70, só que com elementos modernos e muito – mas MUITO – bom gosto.
No começo, você vai achar estranho. Eu sei que vai.
Mas eu juro que vale a pena. Ontem eu consegui ouvir, pela primeira vez, o novo trabalho deles, chamado Measure. Já é o terceiro álbum da banda – que interrompeu suas ações em 2008 para que seus integrantes ingressassem em projetos paralelos chamados The Week That Was e School Of Language – e a primeira impressão que eu tive foi simplesmente sensacional.
A faixa título é um pop virtuosíssimo, cheio de frases complicadas de violão acompanhadas por violinos e vocais impressionantes. Difícil demais, mas agradável demais. Recomendo fortemente.
Baixe agora e depois me diz se é maluco demais pro seu gosto. É um som arriscado e diferente. E vale a pena conhecer.
Divirta-se.
Aqui, uma prévia da “Measure” numa versão ao vivo e um pouco diferente da de estúdio.
Vou tentar fazer um formato diferente aqui. Se ficou uma merda, comente dizendo que ficou uma merda.
Trabalhei no final de semana. Então acabei ficando com o iTunes inteiro ao meu dispor, com horas e horas de discos completos atrapalhando meus vizinhos.
Comecei meu sábado com Passarim, o disco fundamental de Tom Jobim, o grande gênio brasileiro. 11 músicas. 41 minutos que mudam sua vida e o jeito que você escuta música. São camadas de vozes e pianos, homenagens a mulheres, cidades e ritmos. Inclassificável se formos falar de um só genero. A mais imperdível das recomendações.
Segui o dia com a trilha do Crazy Heart, filme que deu Oscar de melhor ator para o Jeff Lebowski Bridges. Uma breve viagem ao country blues, que traz ótimas sensações para quem viu o filme (ótimo também). Vários clássicos e ótimas surpresas com as músicas do próprio Bridges. Vale ver e ouvir.
Depois, fui com o disco solo do Alex Chilton, guitarrista do fantástico Big Star, e falecido na última semana. Chilton define o rock n roll setentista. Mostra que era a alma do precoce Big Star e que ainda vai servir de influência pra muita gente. Discasso que não conhecia. Vi ali no Trabalho Sujo que inclusive postou muita coisa do Alex Chilton e do Big Star na última semana.
Continuei o sábado com She & Him, que é bonitinho mas não completou o momento, mudei pra Primal Scream e vi que precisava do feeling de volta. Fui de Susan Tedeschi – Hope And Desire, de 2005. Ela que é a esposa do Derek Trucks, já blogado por aqui, e é uma linda guitarrista ruiva, detentora de uma poderosa voz e que toca southern gospel blues com a intensidade que o estilo pede. Música de verdade.
Aí o shuffle por álbums me levou para Dear Catastrophe Waitress, com os inconfundíveis Belle and Sebastian em 2003. Disco alegre, curto e sonhador. E ainda não eram nem 22.30. As próximas 2 horas foram também crédito do shuffle, que curiosamente me trouxeram o Dream Theater, justo no dia seguinte ao absolutamente fantástico show no Credicard Hall. Em casa rolou Six Degrees Of Inner Turbulence – um dos discos mais importantes da carreira do DT e um dos meus super favoritos, em seguida pulei para o meio do Awake de 1996 – disco que me fez descobrir a banda. Ao final, a própria ordem alfabética colocou Black Clouds and Silver Linnings, disco mais recente (também já falado aqui) e que foi tocado quase inteiro no show da noite anterior. O show, mesmo com uma certa demora para começar e outra demora para acertar o som, foi fantástico. Além das esperadas do Black Clouds e de algumas mais recentes, rolou a sequência mais matadora que os fãs da banda podiam receber: Dance of Eternity / One Last Time / Spirit Carries On / Pull Me Under X Metropolis. Acho que só teria explodido mais cabeças se tocassem A Change of Seasons. Fodão o show.
Na manhã de domingo comecei com o Pulse do Pink Floyd. Apesar de ser um relato de um show, tudo aquilo que o Cotta falou com maestria em seu post também está lá. Floyd é sempre uma viagem, sempre uma aula de rock n roll inteligente e sempre te coloca no lugar que você preferiria estar ao invés de continuar em frente ao computador.
Ontem e hoje meu fone está tomado por Jeff Buckley. Um daqueles artistas fabulosos que você não deu importância quando lhe foram apresentados e agora se arrepende de não saber tudo de cor a mais tempo. Jeff morreu afogado aos 31 anos em 1997. As letras e climas dos 2 únicos discos de estúdio, e as interpretações doloridas dos vários registros ao vivo, pareciam preceder um fim antecipado do cara. Todas as músicas tem tanto feeling, tanta dor ou tanto amor que uma morte comum não seria justa a um cara que viveu tão intensamente. Para conhecer, baixe o disco Grace, escute inteiro. Mas se precisa de indicações, fique com Grace, Lover, You Should’ve Come Over e Hallelujah. /tks Ju.
Aqui no fim, deixo então essa Lover, You Should’ve Come Over. Obrigado pela paciência
Rodrigo Zannin
Escuta discos inteiros e na ordem, mesmo sem tempo pra ouvir tudo o que quer. Nerd que canta, escreve, aprende a tocar guitarra e faz belos 'leiautes'.
Felipe Cotta
Pseudo-baterista, pseudo-redator, apaixonado por música. De Mozart a Massive Attack, ouço tudo que é feito com a alma.
Otávio ‘Palmito’ Rodrigues
Não é vegetal e se adapta em diversos habitats: shows, estudios, luais... Mantém relação simbiótica com a música e um apetite insaciável por qualquer tipo de som.
The Kooks
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TIM MAIA
minha pequena homenagem
Eu amo os anos 70.
Foi uma década muito foda (desculpe o palavrão). Tanto na Inglaterra como nos EUA como aqui na Brasil, a produtividade musica... Continue lendo
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