Se você não conhece, no final desse post vai escutar uma das versões mais lindas de uma das músicas mais interessantes já feitas.
Brad Mehldau é dos maiores expoentes do jazz moderno. Aos 39 anos tem 14 discos lançados e mais uma quantidade enorme de co-autorias, participações e trilhas sonoras. Já tocou com grandes nomes do jazz, gente como Joshua Redman e Jimmy Cobb. Tive o prazer de vê-lo duas das três vezes que veio ao Brasil, a primeira delas em 2004 com o trio no extinto TIM Festival (na edição que trouxe entre outros PJ Harvey e Libertines – esses destruÃdos por 35 minutos de Mars Volta) e em 2009 com seu show solo Piano Forte no Sesc Santana.
Na ocasião do TIM Festival, já conhecia um pouco do trabalho do cara, mas só depois do show é que fui atrás de mergulhar no universo de composições absurdas e versões emocionantes que constam em seu repertório. Ele realmente leva covers a um outro nÃvel quando faz versões jazz para músicas dos Beatles, Black Sabbath, Frank Sinatra, Beach Boys, várias do Radiohead, Soundgarden, entre outras. Lembro até hoje do momento em que percebi que ele estava tocando ‘She’s Leaving Home‘ no TIM. De chorar e aplaudir de pé.
O som dele não é fácil de entender. Ele usa e abusa de intervalos dissonantes e aproveita a tensão do piano de calda e a dinâmica impecável das canções para surpreender a audiência, quase como um objeto estético do show.
Nas duas apresentações que vi, não tive o prazer de escutar Paranoid Android, mas saà de alma lavada e com a cabeça tentando digerir todos os sons que aquele piano jogou em mim.
Tire 9 minutos da sua tarde para contemplar (em volume máximo de preferência) a releitura provavelmente mais emocionante que o Radiohead já recebeu.
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