Friday, 19 de February de 2010 | 1:18 - Por

John Mayer - Battle StudiesNo meu antigo blog e no Brainstorm já dediquei espaços para falar desse disco.
Nos textos anteriores falei muito das notáveis iniciativas tecnológicas que antecederam esse lançamento, e também sobre quem é o John Mayer e porque ele deve ser levado a sério.

Não vou entrar nos méritos sobre levar ou não o cara a sério, até porque na real ele mesmo faz questão de dizer a agir como quem não se leva.

O que quero falar aqui dessa vez, é sobre o álbum. Battle Studies não me parece um disco de entrada para quem não conhece os trabalhos anteriores e nem a história de John Mayer. Pra começar é um disco de conflito, mas sem ilustrar. Ele fala de crises pessoais e solidão, talvez situações impensáveis para um cara que vive nas revistas rodeado de beldades, sem trazer o peso dessas emoções pro som da sua guitarra. Perfeito para esse blog que se propõe a falar sobre a música e sua relação com a emoção. A idéia dele é sempre achar uma forma mais suave ou animada para colocar suas dores para fora. Esse por sinal tem sido um dos inúmeros artifícios que ele usa para falar o que quer e não perder os fãs que conquistou no meio do caminho pop que o fez chegar onde está.

Não se esquecendo das estruturas trabalhadas e da guitarra cautelosamente complexa, o disco abre com Heartbreak Warfare, algo como ‘táticas de guerra para um coração partido’, onde a verdade da guerra prevalece e ninguém realmente sai vencedor, e segue com All We Ever Do Is Say Goodbye, sobre as prováveis indas e vindas do seu último namoro. Em seguida três hits certeiros: Half of my Heart, com participação da queridinha da América – super ganhadora de Grammys Taylor Swift, e Who Says, primeiro single que causou polêmica logo na primeira frase onde diz “Who says I can’t get stoned“, obviamente interpretada como confissão do uso do “cigarrinho de artista”. Depois vem Perfectly Lonely, minha favorita do disco, que é claramente um hino de aceitação de sua condição de solteiro, e que faz enorme sentido para pessoas como eu, que vivem divididas entre lamentar e gostar da solidão.

O cd continua com Assassin, que muda completamente o clima do álbum e que novamente antagônico usa um electric bules dos anos 80 para contar uma história, que dessa vez parece ter dado certo. Ele é um assassino e rouba corações melhor do que ninguém, mas percebe que ‘ela’ é uma assassina também. O disco sobe de tempo e passa para uma releitura de Crossroads de Robert Johnson, essa que já foi gravada por um monte de bandas como Doors, Lynyrd Skynyrd, Cream e várias vezes por Eric Clapton. John Mayer é conhecido por fazer versões criativas e inusitadas, como Bold as Love e Wait Until Tomorrow do Hendrix, Everyday I Have The Blues do BB King e mais algumas que não estão nos discos oficiais.

As cinco músicas restantes terminam a viagem sobre a luta que todos nós já tivemos sobre histórias de amor, desilusões, paixões e corações partidos. Quase uma história se forma nos títulos: War of My Life, Edge of Desire, Do You Know Me e termina com Friends, Lovers or Nothing, um legítimo fim de disco ou relacionamento, com 6 minutos de incríveis melodias, dignas de um encerramento de show e que trazem um astral meio que dizendo que tudo vai dar certo no final.

Esse aguardado álbum de inéditas me surpreendeu. Por ser inesperado, por ser bem feito, por ser denso e principalmente por ser bem organizado no contar da história que é dele, mas podia ser minha ou sua. Termino então com uma frase do Dave Matthews que podia tranqüilamente fazer parte desse disco: “A guy and a girl can be just friends but at one point or. another, they will fall for each other. Maybe temporarily, maybe at the wrong time, maybe too late or maybe forever.

 
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