Archive for February, 2010

 
Friday, 26 de February de 2010 | 17:26 - Por

Gosta de Radiohead?

Então você já deve saber que Thom Yorke está na ativa com uma banda novinha em folha, a Atoms For Peace.

Sente o time:

Thom Yorke
Flea
Mauro Refosco (percussionista brasileiro)
Joey Waronker (ex-batera do REM, Smashing Pumpkins e Beck)

A banda nova fez sua primeira aparição em outubro do ano passado e mostrou algumas músicas novas em meio a performances de canções do disco solo The Eraser, de Thom Yorke.

Aqui você tem uma palhinha de como está soando essa nova viagem de Thom Yorke e cia. Ah, eles vão tocar no Coachella desse ano. Quem estiver na terra do Tio Sam nessa época, por favor compareça e aproveite por mim! : D

Divirta-se:

 
 
Friday, 26 de February de 2010 | 15:32 - Por

Se você não conhece, no final desse post vai escutar uma das versões mais lindas de uma das músicas mais interessantes já feitas.

Brad Mehldau é dos maiores expoentes do jazz moderno. Aos 39 anos tem 14 discos lançados e mais uma quantidade enorme de co-autorias, participações e trilhas sonoras. Já tocou com grandes nomes do jazz, gente como Joshua Redman e Jimmy Cobb. Tive o prazer de vê-lo duas das três vezes que veio ao Brasil, a primeira delas em 2004 com o trio no extinto TIM Festival (na edição que trouxe entre outros PJ Harvey e Libertines – esses destruídos por 35 minutos de Mars Volta) e em 2009 com seu show solo Piano Forte no Sesc Santana.

Na ocasião do TIM Festival, já conhecia um pouco do trabalho do cara, mas só depois do show é que fui atrás de mergulhar no universo de composições absurdas e versões emocionantes que constam em seu repertório. Ele realmente leva covers a um outro nível quando faz versões jazz para músicas dos Beatles, Black Sabbath, Frank Sinatra, Beach Boys, várias do Radiohead, Soundgarden, entre outras. Lembro até hoje do momento em que percebi que ele estava tocando ‘She’s Leaving Home‘ no TIM. De chorar e aplaudir de pé.

O som dele não é fácil de entender. Ele usa e abusa de intervalos dissonantes e aproveita a tensão do piano de calda e a dinâmica impecável das canções para surpreender a audiência, quase como um objeto estético do show.

Nas duas apresentações que vi, não tive o prazer de escutar Paranoid Android, mas saí de alma lavada e com a cabeça tentando digerir todos os sons que aquele piano jogou em mim.

Tire 9 minutos da sua tarde para contemplar (em volume máximo de preferência) a releitura provavelmente mais emocionante que o Radiohead já recebeu.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

 
 
Friday, 26 de February de 2010 | 10:06 - Por

Você não conhece o Siena Root. Praticamente certo dizer isso. É uma banda sueca, que se você não soubesse pelo título que são de 2004, juraria de ‘pé junto’ que são dos anos 70. A New Day Dawning é o primeiro álbum de verdade dessa banda que existe desde meados dos anos 90. É fácil dizer que é uma das bandas mais fodas que eu já escutei.

Siena é uma banda de stoner rock, que é basicamente um rótulo para bandas de pós grunge que misturam referências sujas e pesadas aos ritmos e climas de classic/vintage rock, tudo meio lentão e hipnótico. As bandas provavelmente mais conhecidas do estilo são o Fu Manchu, Kyuss (que é o precursor do estilo) e sua evolução o Queens of the Stone Age. Voltando ao Siena, eles são essencialmente um trio formado em Estocolmo, mas que atuam como quarteto. Explico. Por destino ou por opção, trocam de vocalista a cada disco. É. Isso mesmo que você leu, trocam de vocalista.

Este primeiro trabalho foi uma grande surpresa na minha vida. Uma banda que me fez acreditar que ainda é possível fazer rock n roll como antigamente. Por sinal a primeira vez que indiquei esse disco pra alguém foi exatamente essa descrição que eu usei. Coloque em um caldeirão várias estruturas Zeppelianas, teclados do The Doors, viagens do Pink Floyd, feeling, vintage, psicodelia, sitar, riffs de baixo e blues. Depois de tudo misturado, pense uma lasagna, com ínumeras camadas disso tudo.

Com Oskar nos vocais, o disco surpreende do primeiro ao último acorde. São 68 minutos de músicas impuláveis e é daqueles cds que quanto mais escuta, mais gosta. Inclusive reza a lenda que depois de escutá-lo doidão, ele fica melhor ainda.

Esse disco é especial. Meus amigos fodas das duas bandas fizeram uma vaquinha e trouxeram esse cd da Suécia para o meu aniversário. Sou um dos únicos (ou único) no país a ter o original. Digo isso porque se pensarmos que no last.fm todo esse disco tem 750 ouvintes, imagine aqui no Brasa.

Escute Shine no playerzinho e veja Above the Trees, ainda com Oskar, e também o vídeo de Coming Home ao vivo em festival e já na fase do 2o disco, com a vocalista Sanya.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Esse é um disco difícil até de baixar. Quem quiser, peça nos comentários e eu faço upload.

 
 
Thursday, 25 de February de 2010 | 14:56 - Por

Ovindo The Sea, o novo e impressionante trabalho da inglesa Corinne Bailey Rae, fica notável que ela ainda não se recuperou do baque causado pela morte do marido, Jason Rae, em 2008. Suas novas canções são carregadas de luto, de ternura e de saudade.

Fica notável também que os períodos de maior dificuldade na vida de alguém também podem ser os mais fecundos. Enfrentar a dor da perda de alguém próximo é uma jornada cruel e difícil, que coloca qualquer ser humano à própria prova. No caso de Corinne, está nítido agora que ela mergulhou no trabalho e na necessidade de superar a si mesma, seja em homenagem ao marido, seja por pura subsistência.

Não importa muito a razão. O segundo disco de Corinne Bailey Rae é um íntimo e melancólico desabafo de quem sofreu e agora passa pelo processo ao mesmo tempo duro e confortante da saudosa reminiscência. Ela dá a dica em muitas das letras: Are You Here, What’s even mean? e a própria faixa-título, onde ela finalmente se permite analisar a situação e encarar os fatos, numa realidade que “destrói tudo, quebra tudo e limpa tudo”.

Para dar o recado, ela se muniu de uma banda excepcional. Are You Here abre o disco e faz você se perguntar se essa é a mesma cantora do single-fofo Put Your Records On, de 3 anos atrás. Tudo em The Sea é, com o perdão do trocadilho, mais profundo. Mais denso, mais carregado. Ao mesmo tempo, a banda parece mais entrosada, mais disposta a arriscar, mais segura dos próprios limites a ponto de quebrá-los.

The Blackest Lily e Feels Like The First Time são exuberantes, e teriam tudo para virar petardos de rock se fossem gravadas pelos Rolling Stones ou pelo Aerosmith. Are You Here, a linda e surpreendente abertura com direiro a refrão explosivo e tudo, I’d Do It All Again e Diving For Hearts são só algumas das excelentes surpresas que você vai ter ao longo da audição.

Se você já gostava do primeiro CD, vai ouvir este disco com gosto e vontade de repetir assim que ele terminar. Se você não ligava muito pra Corinne Bailey Rae, essa é a hora de incluir a moça no seu iTunes. The Sea é o testamento de maturidade de uma nova grande artista.

PS.: Amy Winehouse, cuidado!

Escute I’d do it All Again:

 
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Thursday, 25 de February de 2010 | 11:11 - Por


Essa já é quase uma pauta velha pra quem me conhece. Mas sempre que chove eu escuto o Diorama. Isso começou dentro do carro há uns 3 anos atrás, onde rolou quase uma epifania com a mistura do som e imagem das gotas batendo no vidro.

Hoje quando acordei, percebi que estava chovendo e instantaneamente pensei em Silverchair. Coloquei no ipod e vim andando pro trabalho.
É sempre uma ótima trip.

Diorama é o quarto disco, e o primeiro de mudança, do Silverchair – banda australiana que surgiu em um concurso quando tinham 15 anos de idade. Vitoriosos assinaram um contrato com a gravadora e venderam mais de 6 milhões de cópias dos 3 primeiros discos – pesados, revoltados e bons pra caral…


Depois de Diorama, os problemas pessoais do vocalista Daniel e a própria maturidade da banda, os levou a um caminho estranho e não sei jamais voltarão ao que eram.

Este Diorama é um disco trabalhado, cheio de cordas, vozes e climas. Rock orquestrado e melodias vocais de tirar o fôlego. Foi gravado numa antiga igreja e com bons fones você percebe toda a diferença do ambiente na gravação. A dinâmica é tão presente que não é dificil se deixar levar e começar a criar histórias pra estranhos que compartilham quietos o mesmo momento da chuva.

E você? Ouve alguma coisa especial em dias de chuva?

Escute/veja abaixo ‘The Greatest View’:

 
 
Tuesday, 23 de February de 2010 | 0:50 - Por

Compro cds feito um maníaco. Daqueles que vão a lojas de discos todos os finais de semana pra saber se algo novo chegou. Compro coisa que nem conheço.

Um certo final de semana, depois de passar muito tempo amolando o vendedor atrás de blues, ele me pergunta se já tinha ouvido o novo disco da banda do Derek Trucks.

Já tinha ouvido falar do cara, Allman Brothers e tal. Mas não sabia muito sobre ele não. Pela capinha, resolvi apostar. (Faça uma pesquisinha sobre o cara, suas referências e descubra porque que ele é foda).

Cheguei em casa e logo fui fazer o ritual. Quase como naquele escurinho que precede o filme no cinema, abri o plástico, retirei com cuidado o adesivo que estava nele e o colei na caixinha, no mesmo lugar.

Coloquei o disco para tocar e fui logo pro encarte. Logo de cara a frase: “Some music feels like home on the very first spin: welcoming, familiar, easy to slip into.” Tudo verdade.

Nesse momento, as primeiras notas de Down in the Flood (música em destaque no adesivinho que citei acima) invadem a minha sala. Violão aço na base, bota batendo no chão de madeira… climão para receber a protagonista. Derek Trucks é um mestre dos slides, e entra com sua Gibson SG soando como algo que você nunca ouviu. É incrível. Melodias lindas quase que cantadas pelas cordas. Na seção para as fotos da capa da Rolling Stone de Fevereiro de 2007, John Mayer falou a frase que identificou o som de Derek Trucks pra mim. “Ele faz sua guitarra soar como a voz uma cantora de jazz dos anos 60″.

O disco todo soa como uma livre jam session, as vezes numa casa no meio do nada, as vezes em uma igreja, as vezes num bar qualquer e passeia por electric rocks, southern gospel e blues acústicos. Um daqueles discos que você pode colocar pra tocar no carro, em casa com sua família, bêbado com seus amigos… pode ser como música ambiente ou alto em seu fone – recomendado para escutar todo o trabalho de timbres, melodias e lindos coros de vozes.

Além da guitarra que chora quando solicitada, um enorme destaque para Mike Mattison, que traduz em pequenos detalhes tudo o que pode-se chamar de soul na voz de alguém. Muito feeling, muito ar e muito bom gosto nas harmonias com os backing vocals.

Outro destaque vai para Back Where I Started, acústica e com partipação de Susan Tedeschi, a linda e ruiva esposa de Derek, que tem uma voz forte e suave que faria qualquer um se apaixonar ao ouvir no refrão “I’m so glad I found you there…

55 minutos depois, o disco termina com a faixa título, Already Free, que tanto traduz o momento de pausa na turnê com a Allman Brothers Band, como também uma certa aceitação de que finalmente encontrou o propósito de sua música. O tempo todo esta faixa é permeada por suaves chiados de vinil, que trazem todo o gostinho de uma música verdadeira e analógica, raridade nos dias de hoje.

O que ficou comigo depois disso foi vontade de cantar blues naquele instante, seguido de uma calma boa, a mesma que sinto agora escutando o disco mais uma vez para escrever isso aqui.

Escute Down in the Flood, o começo desse passeio e procure pelo resto do disco (ou compre no amazon).

 
 
Monday, 22 de February de 2010 | 15:16 - Por

Peter Gabriel é um cara excêntrico. Músico visionário e construtor de uma carreira invejável no mundo do pop, ele nunca foi de usar fórmulas. Desde os anos 70, quando ainda encabeçava o Genesis, até sua participação na trilha sonora de Wall-E, em 2008, ele nunca fez uma coisa igual a outra.

Nos anos 80, emplacou petardos nas rádios (Sledgehammer, Mercy Street, Games Without Frontiers, Shock The Monkey), participou do Live Aid e fez a trilha sonora de “A Ultima Tentação de Cristo”. Nos anos 90, figurou no panteão de clipes inovadores com Steam, Digging in The Dirt e Kiss That Frog, ajudou a Disney a criar CD-Roms e montou a RealWorld – o maior selo de World Music do mundo. Nos anos 2000, inaugurou o Millenium Dome, em Londres, com o espetáculo Ovo, lançou um disco chamado Up , se envolveu na remasterização dos discos do Genesis e participou das trilhas sonoras de Long Walk Home e foi indicado ao Oscar por Down to Earth.

Agora ele volta à cena com um disco de covers.

Falando assim, levianamente, “um disco de covers” pode assustar um pouco e pode parecer um grande engodo. Mas Scratch My Back é uma viagem pessoal de Gabriel por cancões em uma maneira totalmente nova de execução. De David Bowie e Radiohead passando por Arcade Fire, Regina Spektor e até a banda Elbow (sensacional!), Gabriel revisita um repertório conhecido com apenas uma regra no briefing: fica proibido o uso de bateria e de guitarras.

Assim, o disco é alicerçado em vozes, corais e orquestra. E numa poderosa e emocionada interpretação. Há muito tempo o timbre de sua voz não me soava tão bom e tão puro. Scratch My Back é um disco extremamente complexo, cheio de camadas sonoras e é, principalmente, um retorno ao lado intérprete de Peter Gabriel, que executa com maestria os desenhos de cada melodia.

Destaques para as interpretações e arranjos de Heroes (David Bowie), Mirrorball (Elbow) e as lacrimejantes Philadelpia (Neil Young) e The Boy In The Bubble (Paul Simon). Ah, e claro, para a produção de Bob Ezrin (ex-produtor do Pink Floyd e do Lou Reed).

Não é uma audição qualquer. Não é um disco para se ouvir num churrasco ou num aniversário. É música séria, para contemplar, se envolver e meditar. Se tiver mais gente na sala, nem aperte o play. Se tranque em seu próprio mundo, aumente o som dos fones de ouvido e boa viagem.

 
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Monday, 22 de February de 2010 | 1:23 - Por

i_am_sam_movie_soundtrack_album_coverSou meio idiota com cinema. Idiota porque raras as vezes me deixei emocionar com algum filme. Idiota porque no momento mais envolvente costumo pensar na câmera, na fotografia, iluminação e não na emoção.

I am Sam é um filme de 2001, que assisti há tempos e hoje resolvi baixar e ver novamente. Em 2001 eu não tinha a relação que hoje tenho com os Beatles. Não conhecia tanto a história e os detalhes como conheço hoje. E provavelmente não deixaria que as músicas fizessem dos momentos do filme tão enormes como eles viraram.

O filme, nem preciso dizer, mexe com a gente. Uma linda história, com a belíssima Michelle Pfeiffer, o irritantemente competente Sean Penn e uma jovem Dakota Fanning, aos 7 anos como a própria Lucy Diamonds do filme – este que é uma viagem sobre detalhes, referencias e sons dos Fab 4 e ainda uma outra viagem sobre o comportamento humano.

Um filme inteiro que tem um verso de John Lennon como mote: All you need is Love.

A trilha é um abraço apertado. Dezessete versões cuidadosas que você não deve deixar de ouvir. Reveja o filme, e escute novamente a trilha com o coração aberto. Abaixo dois destaques. Ben Harper – Strawberry Fields e Stereophonics – Don’t Let Me Down.

 
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Friday, 19 de February de 2010 | 1:18 - Por

John Mayer - Battle StudiesNo meu antigo blog e no Brainstorm já dediquei espaços para falar desse disco.
Nos textos anteriores falei muito das notáveis iniciativas tecnológicas que antecederam esse lançamento, e também sobre quem é o John Mayer e porque ele deve ser levado a sério.

Não vou entrar nos méritos sobre levar ou não o cara a sério, até porque na real ele mesmo faz questão de dizer a agir como quem não se leva.

O que quero falar aqui dessa vez, é sobre o álbum. Battle Studies não me parece um disco de entrada para quem não conhece os trabalhos anteriores e nem a história de John Mayer. Pra começar é um disco de conflito, mas sem ilustrar. Ele fala de crises pessoais e solidão, talvez situações impensáveis para um cara que vive nas revistas rodeado de beldades, sem trazer o peso dessas emoções pro som da sua guitarra. Perfeito para esse blog que se propõe a falar sobre a música e sua relação com a emoção. A idéia dele é sempre achar uma forma mais suave ou animada para colocar suas dores para fora. Esse por sinal tem sido um dos inúmeros artifícios que ele usa para falar o que quer e não perder os fãs que conquistou no meio do caminho pop que o fez chegar onde está.

Não se esquecendo das estruturas trabalhadas e da guitarra cautelosamente complexa, o disco abre com Heartbreak Warfare, algo como ‘táticas de guerra para um coração partido’, onde a verdade da guerra prevalece e ninguém realmente sai vencedor, e segue com All We Ever Do Is Say Goodbye, sobre as prováveis indas e vindas do seu último namoro. Em seguida três hits certeiros: Half of my Heart, com participação da queridinha da América – super ganhadora de Grammys Taylor Swift, e Who Says, primeiro single que causou polêmica logo na primeira frase onde diz “Who says I can’t get stoned“, obviamente interpretada como confissão do uso do “cigarrinho de artista”. Depois vem Perfectly Lonely, minha favorita do disco, que é claramente um hino de aceitação de sua condição de solteiro, e que faz enorme sentido para pessoas como eu, que vivem divididas entre lamentar e gostar da solidão.

O cd continua com Assassin, que muda completamente o clima do álbum e que novamente antagônico usa um electric bules dos anos 80 para contar uma história, que dessa vez parece ter dado certo. Ele é um assassino e rouba corações melhor do que ninguém, mas percebe que ‘ela’ é uma assassina também. O disco sobe de tempo e passa para uma releitura de Crossroads de Robert Johnson, essa que já foi gravada por um monte de bandas como Doors, Lynyrd Skynyrd, Cream e várias vezes por Eric Clapton. John Mayer é conhecido por fazer versões criativas e inusitadas, como Bold as Love e Wait Until Tomorrow do Hendrix, Everyday I Have The Blues do BB King e mais algumas que não estão nos discos oficiais.

As cinco músicas restantes terminam a viagem sobre a luta que todos nós já tivemos sobre histórias de amor, desilusões, paixões e corações partidos. Quase uma história se forma nos títulos: War of My Life, Edge of Desire, Do You Know Me e termina com Friends, Lovers or Nothing, um legítimo fim de disco ou relacionamento, com 6 minutos de incríveis melodias, dignas de um encerramento de show e que trazem um astral meio que dizendo que tudo vai dar certo no final.

Esse aguardado álbum de inéditas me surpreendeu. Por ser inesperado, por ser bem feito, por ser denso e principalmente por ser bem organizado no contar da história que é dele, mas podia ser minha ou sua. Termino então com uma frase do Dave Matthews que podia tranqüilamente fazer parte desse disco: “A guy and a girl can be just friends but at one point or. another, they will fall for each other. Maybe temporarily, maybe at the wrong time, maybe too late or maybe forever.

 
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Wednesday, 17 de February de 2010 | 15:46 - Por

johnbutlertrio-groovinslowly1Já ouviu? Deste lado do planeta são poucos os que já conhecem o incrível trabalho de John Butler.  Ele é daqueles gênios da música que te deixam atônito e perplexo pela criatividade e capacidade de criar melodias simples, envolventes e vibrantes.

Definir o som de Butler é uma tarefa difícil. Eu diria que é ecletic-folk- soul- country- rock-roots-funk-stoner-blues-celtic, com influências passando por  Bob Marley, Jimi Hendrix, Black Sabbath, Lynyrd Skynyrd, Jack Johnson, Ben Harper, Dave Mathews, G love, Red Hot Chilli Peppers, Beastie Boys, Tracy Chapman, Kings of Leon, Rage Against The Machine

Com certeza devem ter mais outras mil formas de definir o estilo e outras tantas mil influências.  A cada audição você descubrirá novas referências.

O fato é que a mistura de John Butler funciona muito bem  e o resultado é um estilo original e autêntico. É um som com a pegada e a psicodelia do rock, as sutilezas e climas do folk e o groove do blues-soul-funk.

Além da música, a história de John também chama a atençao,  iniciou sua carreira tocando violão e vendendo fitas cassete com suas composições instrumentais, nas praças e ruas de Freemantle e Perth na Austrália. Após um sucesso inesperado John Butler montou o Trio e o resto é história. Já são 4 albuns de estudio (o quinto sai em Março de 2010) e 4 discos ao vivo.

Abaixo dois aperitivos:

 
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