Archive for 2009

 
Tuesday, 01 de December de 2009 | 23:07 - Por

Escrevi isso há quase dois meses, quando a euforia Beatlemaníaca reconquistou o mundo graças ao lançamento do Rock Band e, claro, da discografia completa remasterizada. Já faz um tempinho, mas eu não podia deixar de compartilhar.

Beatles Remasters

Quatro anos de trabalho meticuloso, de ourives, de lapidação do som dos discos da banda mais importante da história do rock não podiam – mesmo – ter sido em vão. Hoje, ouvi “Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band†remasterizado e posso dizer que foi uma experiência (aca)chapante.

Desde a abertura do celofane do disco até o último minuto de A Day In The Life, toda a experiência é emocionante. Eu nunca tinha comprado um disco dos Beatles na vida (os que eu sempre ouvi já estavam aí quando eu me dei conta de ser gente), e chegar na loja e ver toda a discografia na prateleira de lançamentos é uma sensação, no mínimo, deliciosa.

Do “Please Please Me†ao “Let It Beâ€, todos estão lá, fechados no plastiquinho, saídos do forno, exibindo-se em meio aos outros CDs novos que de repente ficaram ofuscados no resto da loja. Todos com o selinho estampado “Remasterizado pela primeira vezâ€, numa mensagem que – mercadologia a parte – mostra o orgulho dos próprios responsáveis por esse projeto de ver seus produtos finalmente nas ruas.

E colocar um trabalho desse nas ruas significa mexer com a cabeça de milhões de fãs ao redor do planeta, significa tocar o que então era intocável, significa mexer numa obra sagrada e defendida a unhas e dentes por puristas de todos os gêneros, significa revirar o baú da história moderna num movimento arriscado de modernizar – e descaracterizar – o atemporal.

Mas os caras não são bobos. E fizeram um trabalho excepcional, de respeito. Respeito ao consumidor e – principalmente – à própria obra em que estavam remexendo.
Diferente do que muitas vezes acontece com outros álbuns que ganham remasterização, os discos dos Beatles não foram “comprimidos†ou simplesmente “aumentados de volume†artificialmente. Não. O que aconteceu aqui foi uma verdadeira restauração  – como acontece em obras de arte – para que se recuperasse a total fidelidade do que havia sido gravado originalmente.

Ou seja: agora, quando você escuta um backing vocal, você realmente escuta um backing vocal, com 2, 3 ou 4 vozes nitidamente distintas uma da outra, cristalina, pura, como se os Beatles estivessem no meio da sua sala. Não se ouve mais um “bolo†de vozes. Se você quiser, você consegue distinguir entre a voz do George  a do Lennon. Não é preciso mais fazer esforço para ouvir o baixo do Paul. Agora, ele invade a sala, gordo e pulsante, cheio de vida. A bateria do Ringo foi redescoberta: os pratos rasgam a caixa acústica e os tambores ecoam como se tivessem sido gravados hoje.

O play no Sgt Peppers faz sua sala ser invadida com o burburinho das vozes, e poucos segundos depois a guitarra solo entra atacando tudo,  na sua cara, estampado no alto-falante. Parece que tiraram um pano da frente das suas caixas.  Em “She’s Leaving Homeâ€, o grave dos cellos faz seu cérebro tremer, ao mesmo tempo em que detalhes previamente escondidos da harpa transbordam para o seu ouvido, temperando a canção com um sabor que eu – pelo menos – nunca tinha provado. “A Day In The Life†está um furacão, com seus metais e bilhões de efeitos sonoros.

Tudo está muito bonito. O som está alucinante, mais puro impossível, mais presente impossível – tenha em mente que são gravações de 40 anos atrás! – mais fiel impossível.  Onde é pra ter peso tem peso. Onde é pra ter silêncio tem silêncio. Adeus chiados, instrumentos embolados e vozes encobertas. Adeus ao que você conhecia. Prepare-se para redescobrir os discos dos Beatles.

Nem vou me dar ao trabalho de falar das musicas, pois essas você conhece do avesso, de trás para a frente, de ouvidos fechados.  E elas são a razão de todo esse engajamento. Foram 4 anos de minúcia em um estúdio para revitalizar e garantir que as musicas que o mundo ouve há mais de 40 anos permaneçam por mais 40. E mais 40. E mais 40.

E, a partir de agora, com um som tão glorioso quanto seu legado.

 
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Tuesday, 01 de December de 2009 | 22:51 - Por

Quando a esquisitinha russa Regina Spektor começou a ficar famosa aqui no Brasil por conta de sua música “Fidelity” na trilha de uma novela das 8, eu comecei a achar que devia prestar mais atenção nela.

Não que eu adore a “Fidelity”. Não acho nada de especial, na verdade. Mas foi por causa dela que eu identifiquei muitas características “FionaApplenescas” no som da menina russa. E aí não teve como não ir atrás da discografia e vasculhar o lado denso dessa moça, muito bem escondido atrás da popice doce de seu single radio-friendly.

E foi nesse mergulho que eu caí de cabeça no seu mais recente disco, o Far. Baixei pra conhecer, comecei a ouvir e fui tomado por uma sequência de canções pop tão, mas tão, mas tão bem feitas e às vezes tão impressionantes que tive a sensação de levar um tapa na cara a cada faixa que terminava.

A menina sabe o que faz, viu? Te garanto.
Pode não ser sua praia, mas o pop da moça esquisita é muito, muito bom.

Pra começar, ela compõe no piano. E esbanja conhecimento teórico (bom, é russa, né, não preciso falar mais nada) e bom gosto nas melodias. O disco abre com “The Calculation”, uma porta de entrada deliciosa e singela que aquece e prepara seu ouvido para a avalanche emocional que vem pela frente. Se a primeira faixa é sutil e, às vezes, quase ingênua, todo o resto do CD é digno de aplausos de pé. “Eet”, o genial primeiro single, já vem na sequência mostrando que a brincadeira parou por ali, e que agora a coisa vai ficar séria de verdade.

O piano de “Laughing With”, “Time Is All Around” e “Human Of The Year” é um trunfo de Regina: criativo, esperto e totalmente fora do óbvio, ela despeja os acordes com a familiaridade e a precisão de uma pianista erudita. E causa arrepios na sua espinha. A quase-gospel “Human Of The Year” é, pra mim, a maior amostra da genialidade dessa jovem compositora que, abusando de falsetes e maneirismos à la Fiona Apple e Bjork, vai buscar nos lugares mais escondidos do pensamento a resposta para pequenas questões do nosso dia-a-dia.

Ouça esta música até o final e você vai entender o que estou dizendo.

As que você não pode deixar de conhecer são: Laughing With (uma das letras mais espertas de 2009), Eet, Folding Chair, Machine (ultra-experimental e moderna), Human Of The Year, Time Is All Around e Two Birds.

Vai lá. Eu tive que comprar o CD, de tão fissurado que fiquei. Se você gostar desse álbum com 1/10 da intensidade que eu gostei, é porque você já adorou.

Um aperitivo:

 
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Tuesday, 10 de November de 2009 | 18:45 - Por

bcsl_big

Depois de ler algumas critícas que apontam que o disco é simplesmente mais do mesmo, só uma formula repetida sem nenhuma grande inovação, eu me pergunto: será que um disco que estreou na sexta posição da Billboard e na primeira semana atigiu 40,285 cópias vendidas (maior marca na carreira da banda para a primeira semana) é uma mera repetição?

Eu particularmente acho que não. Black Clouds é mais gotico, é mais obscuro, é mais humano, é mais emocional, é simplesmente mais do que muitos dos discos anteriores, principalmente do que o penúltimo e estranho Systematic Chaos.

É claro que o disco é recheado de clichês do Dream Theater, os timbres escolhidos são mesmo muito parecidos com os dos dois últimos discos (Octavarium e Systematic Chaos) e têm até musica que remete a temas de discos anteriores. As influências de Rush e Yes são bem mais claras do que em outro discos. Mas qualquer fã de DT não esperaria outra coisa!

Uma das grandes sacadas do disco fica por conta das letras. Todas as composições são de Portnoy e Petrucci, os melhores letristas da banda na minha opinião. Das 6 trilhas do disco, 5 falam sobre experiências vividas por eles, nada de letras ficcionais e distantes, são expêriencias pessoais e emocionais que dão mais sabor e te aproximam do compositor. Em “A Nightmare to Remember†Petrucci conta os traumas de um acidente de automóvel onde ele ainda criança e seus pais quase perderam a vida. A letra de “Wither†fala sobre writer’s block e os medos e receios de Petrucci na hora de compor. A épica e linda “Count of Tuscany†(são quase 20 min de duração) conta uma história macabra e surreal de um encontro com um personagem pitoresco durante uma viagem de Petrucci pela Itália. Em “The Best of Times†Portnoy homenageia seu pai que morreria de cancer ainda durante a produção do disco. “The Shattered Fortressâ€, uma das mais aguardadas por mim, encerra uma série de 5 músicas que falam sobre os 12 passos do programa de reabilitação dos Alcóolicos Anonimos e o problema pessoal de Portnoy com o alcoolismo (essa série merece um post inteiro).

Mas as sacadas não se resumem só as músicas, ao longo da carreira o Dream Theater aprendeu muito bem como cativar seus fãs sempre lançando edições especiais dos discos, DVDs de making of, bootlegs de demos, de shows, etc..

Para o décimo disco da carreira eles capricharam. Além dos formatos convencionais, digital e CD, dessa vez o disco veio também em vinil e não bastasse uma, são duas edições especiais. A edição especial mais “simplesâ€, contém além do disco com as 6 faixas, 1 disco com 6 covers que passam por Rainbow, Queen e Iron Maiden e um terceiro disco com as 6 faixas do disco sem as linhas vocais. Parece besta né? Quem vai querer ouvir as musicas sem vocal? Acredite, pra quem é fã de DT é incrível poder ouvir só o intrumental e notar todos os detalhes e nuances das músicas. Agora a “master-mega-fucking-plus edition†é a Deluxe Collector´s Edition Box Set com tudo que as outras edições têm e mais um monte, eu nem vou tentar explicar o que vêm por que é bastante, assitam o Portnoy himself explicando no videozinho abaixo.

Eu não consigo achar que o disco é só um “mais do mesmoâ€. Pra mim a melhor definição do disco é só uma: Masterpiece! É isso mesmo, o ultimo disco do DT é uma obra-prima e não acho nenhum exagero afirmar isso. Mas vá lá nos torrents da vida, baixe, ouça e tire suas próprias conclusões.

 
 
Monday, 09 de November de 2009 | 23:09 - Por

Break Up_Pete YornEu sou um cara de pau. Verdade.
Mas sou um cara de pau que é doido pela Scarlett.
OK. Quem não é? Mas eu sou faz tempo. Doido e cara de pau.
Uso fotos dela como marcação em todos os meus layouts.
E uma condição em qualquer relacionamento que eu possa ter, é manter a Scarlett como um super trunfo. Naquele esquema: se cruzar com ela, e ela topar, o relacionamento vai instantaneamente pras cucuias.

No meu antigo blog, falei certa vez sobre riscos.
Costumo dizer que tenho plena consciência de que, se um dia estiver andando pela rua em NY (que é plenamente possível), corro o risco de esbarrar com a Scarlett Johansson (que também é possível, certo?). Ela corre o risco de me ver (possível). E de se apaixonar por mim (menos possível, mas ainda possível).

E naquela ocasião, escutando Virginia Avenue do Tom Waits, pensei que se isso acontecesse, eu correria o risco de nem perceber.

Certo. Mas esse post não é sobre a minha falta se atenção ou noção.

O lance é que a queridona finalmente acertou a mão.
Depois do enorme flop com o primeiro disco, Anywhere I Lay My Head, com versões do supracitado Tom Waits, a boca mais desejavelmente carnuda do showbizz se emparceira com Pete Yorn, responsável pela trilha de Eu, eu mesmo e Irene, e lançam um disco bacana e consistente.

O que parecia ser uma péssima cantora no primeiro trabalho, revelou-se como apenas uma má escolha de timbres e repertório.

Break up tem um clima intimista, mas alegre e soa um tanto californiano.
Californiano apenas pela modernidade, porque sem alguns elementos ele poderia ser apreciado logo após algum disco de Serge Gainsburg regado a vinho rosé gelado, na Capri dos anos 60.

O disco é estranhamente animado para um disco fossa (realmente espero que você saiba o que break up significa). Bizarro é imaginar que Pete usa o ombro de Scarlett pra lamentar, já que ela é casada e nesse mundo dos famosos ninguém trai ninguém.

Em Break Up o duo divide bem as atenções e resgistram um dos melhores discos para se ouvir-de-bermuda-vendo-sua-amiga-doidinha-e-meio-bebada- dançar-e-cantar-segurando-o-celular-imitando-um-microfone.

Abaixo você vê e o vídeo de Relator, primeiro single, e comprova: ainda bem que ela canta direitinho, porque se dependesse da beleza ela tava ferrada. :-)

 
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